“Há futuro para as bandas filarmónicas em Portugal”

Jorge Lopes é o novo maestro da Banda Marcial de Almeirim. O Sargento-Ajudante do Exército veio, no fim de 2018, substituir Simões Ribeiro que comandou, durante mais duas décadas, os destinos do grupo. Jorge Lopes é natural de Leiria e iniciou a carreira na música na Sociedade Filarmónica de S. Cristóvão. Até chegar à Banda Marcial de Almeirim dirigiu as Bandas Filarmónica de Bidoeira(Leiria), Arrabal (Leiria), Sociedade Filarmónica de Gançaria (Santarém), Sociedade de S. cristóvão de Caranguejeira e SAMP de Pousos de Leiria.

Primeiro de tudo, quando começou a dar os primeiros passos na música? Quem o influenciou?

O meu início na música foi por influência do meu tio e do meu irmão. O meu tio era o contramestre e tocava requinta (clarinete Eb) e quando trabalhava nas terras, na hora da sesta, estudava o repertório de Filarmónica e eu admirava-o pois ele decorava todas as peças. Por parte do meu irmão foi a curiosidade do instrumento (sax trompa) saxhorne em Mib.

Como eu só tinha 9 anos e o maestro só admitia alunos com 10, eu experimentava, sem que ninguém soubesse, tocar no instrumento que o meu irmão tocava. Assim começou a despertar a minha paixão pela música.

Como é a chegada à Banda do Exército e qual o instrumento de eleição?

A minha escolha por ingressar na Banda do Exército, foi por querer ir estudar para o Conservatório Nacional de Música. Na década de 80, não havia as escolas de música com os professores formados que existem hoje. Assim só em Lisboa e Porto existiam professores que todos gostariam de estudar. Como eu não tinha recursos financeiros que me permitiam só estudar, foi a solução ir para o exército como músico.

Assim fiz o processo inverso: ingressei como músico no Exército e depois concorri ao Conservatório Nacional de Música na classe de clarinete. O meu sonho começa a tornar-se real, estar a estudar com os grandes mestres do clarinete em Portugal. Sempre como ídolos do clarinete Karl Leister.

É o novo Maestro da Banda Marcial de Almeirim, estava à espera desse convite?

Não, não estava nos meus planos, como professor nem como maestro. Mas a vida é feita de momentos inesperados e imprevistos, então será o momento para que a “viagem continue”. Será o momento certo? Só o futuro o dirá.

Ser Maestro traz responsabilidades acrescidas?

Como todos os lugares de chefia e liderança. Ser maestro/professor acresce responsabilidades e muita humildade.

Há uma grande diferença entre a Banda Marcial de Almeirim e as outras da região?

Sim, todas são diferentes com os problemas inerentes às colectividades amadoras, a falta de recursos humanos e materiais.

Quando iniciou o trabalho quais eram as principais debilidades que sentiu?

Quando iniciei o trabalho tive reuniões onde me foi exposta, de forma clara, a realidade em que se encontrava a Banda Marcial de Almeirim. As debilidades eram e irão continuar a ser a falta de músicos para completar todos os naipes.

O concerto de Ano Novo foi a primeira apresentação como Maestro, serão realizados mais concertos brevemente?

Sim, mas ainda não há datas concretas.

Quais os objectivos a que se propõe para os próximos anos?

Uma aposta forte na escola de música da Banda, onde alunos do pré-escolar, pela primeira vez, estão com o vigor inerente à idade, para os podermos aproveitar no futuro.

E as restantes classes da banda, tentaremos preencher também. Um dos maiores objectivos será a futura Academia das Artes de Almeirim. É sempre bom sonhar, como o poeta disse: “O sonho comanda a vida” e assim será.

As bandas filarmónica tem futuro?

Já existem quase há dois séculos, já passaram por muitas crises, esta fase também é um ciclo de crise, mas há que ter esperança. Há futuro para as bandas filarmónicas em Portugal.

Que conselhos dá a quem quer seguir uma carreira na música?

Muita dedicação e ser muito humilde.

Qual é para si a música imprescindível?

A Sinfonia Nº3 Beethoven “Eroica”.

Quais os hobbies favoritos?

Tocar bateria jazz, desporto e ouvir jazz.

Se pudesse alterar um facto da história qual seria?

Primeira Guerra Mundial.

Se pudesse entrar num filme qual escolheria?

Último samurai.

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