O governo alemão apresentou a 18 de agosto uma medida que isenta de impostos até 2.000 euros mensais os aposentados que optem por continuar a trabalhar. O seu objetivo é combater a escassez de mão de obra jovem e reter experiência na economia. Muitas pessoas ficaram confundidas com esta medida, que tenderá a alastrar a outros países e economias. Mas, como costumas dizer os norte-americanos, tudo isto é “crystal clear”.
De há muito que alemães, outros nórdicos, holandeses, austríacos, franceses, italianos, espanhóis e portugueses decidiram gozar a vida com os bons rendimentos que têm. No entanto, para que isso tudo aconteça, para manter uma carreira profissional sempre a subir e um rendimento sempre a aumentar, temos de prescindir de um “incómodo biológico” que nos persegue: ter filhos. Assim, fomos com o tempo reduzindo o número médio de membros nas famílias europeias, até nos últimos anos chegarmos a uma moda assaz curiosa: casais que vivem juntos há vários anos, bem instalados na vida, com excelentes rendimentos e que, não querendo prescindir das suas férias, das suas viagens e dos seus hobbies, tomam em comum uma decisão egoísta que irá determinar o seu futuro e o de todos nós: não ter filhos.
Este fenómeno aumenta na Europa a grande velocidade, trocando-se o prazer e as emoções da maternidade/paternidade pelo prazer de se ter a liberdade de se fazer o que quer. Claro que existe uma narrativa subjacente, que é a falta de apoios estatais, a precaridade dos empregos, a insegurança das grandes cidades, a poluição do meio ambiente, as guerras, eu sei lá que mais. Na realidade, não passa tudo de uma grande ilusão, para as pessoas poderem justificar a elas próprias a ausência de justificação em não quererem cumprir a principal função pela qual existem. Esta, com as devidas exceções e necessárias precauções, é a razão para a ausência de mão de obra jovem.
Do outro lado da barreira estão os imigrantes, hindustânicos, latino-americanos, africanos do Sahel e de outras geografias, muçulmanos provenientes de países martirizados, miúdas que vêm de sítios onde a mulher vale menos que um animal. Esses querem trabalhar, estudar, melhorar, crescer, evoluir. Trazem as famílias porque não têm com quem as deixar, ou vêm sozinhos quando elas já foram mortas. Não vêm só para enriquecer, vem antes do mais para sobreviver. A sua motivação é enorme, avassaladora, infinita. São muitos, sabem que têm a força do seu lado e que o destino lhes vai sorrir. Esta é a força de trabalho do futuro. Lutar contra ela, contra os “monhés”, os “zucas” os “pretos” ou os “chinas” (os termos são apenas irónicos, nada mais), é negar o nosso próprio futuro como pessoas, como civilização ocidental e como planeta. Temos mesmo de estabelecer estratégias para trabalharmos em conjunto. Caso contrário, não faltará muito para estarmos mortos.
