“Iniciei-me na União de Santarém aos oito anos e voltar como treinador é uma honra”

André Luís, de 36 anos de idade, foi o nome escolhido para liderar a equipa da União Desportiva de Santarém, SAD no Campeonato de Portugal. O treinador, natural de Santarém, começou por treinar o Cartaxo, depois passou pelo Coruchense onde foi campeão distrital e orientou a equipa no Campeonato de Portugal e por último no Fátima onde conseguiu garantir a manutenção nos campeonatos nacionais. Os trabalhos da equipa escalabitana já tiveram início no principio do mês de Julho e o Correio do Ribatejo entrevistou o treinador que ambiciona chegar o mais longe possível na carreira e ao mesmo tempo levar a equipa a patamares mais elevados.

Primeiro de tudo, como é que surgiu o convite para treinar a União Desportiva de Santarém?
O convite do União de Santarém surgiu primeiro pelo trabalho que venho desenvolvendo há alguns anos. Sendo eu da cidade de Santarém, estando disponível e o União também estando à procura de treinador, senti como uma situação normal, pelo menos no interesse de ambas as partes. O chegar a acordo, ou não, seria sempre uma situação posterior…

Ser treinador na cidade onde nasceu era um sonho?
Obviamente que treinar o União de Santarém, um clube histórico, um clube pelo qual quem passa inevitavelmente fica marcado, e sendo que eu iniciei-me na União aos oito anos, quase trinta anos depois, voltar como treinador é uma honra. Mais que treinar o União de Santarém, é treinar e fazê-lo nos campeonatos nacionais, o que me permite seguir o meu projecto de carreira e ao mesmo tempo ter a oportunidade de projectar a União de Santarém para outros patamares.

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Quais os objectivos da equipa para a temporada que se aproxima?
Os objectivos passam por montar uma equipa forte, com os recursos que temos e nunca pondo em risco a sustentabilidade do clube. Uma equipa que possa disputar todos os jogos de igual para igual com qualquer adversário, uma equipa que nos permita dar bons espectáculos, praticando um futebol de qualidade, positivo e que entusiasme os adeptos. Só com este tipo de futebol onde queremos ser protagonistas podemos ambicionar ganhar, ambicionar a ter o estádio sempre com cada vez mais gente, ambicionar voltar a ter a população da cidade desejosa que chegue domingo para nos apoiar e estar do nosso lado porque assim seremos sem dúvida ainda mais fortes.

Que atletas quer ter para esta nova fase e quais os reforços que já estão garantidos?
Procuramos formar um grupo com atletas experientes, com conhecimento do Campeonato de Portugal e acima de tudo que já tenham trabalhado em regimes profissionais, para que também toda a juventude que viesse sentisse a exigência que procuramos. No fundo tentaremos ser o mais profissionais possível dentro do amadorismo que ainda temos. Sabíamos bem os jogadores que queríamos para poder desenvolver a nossa ideia e o nosso modelo de jogo, uns foi possível trazer, outros não, mas iremos ter uma equipa forte e equilibrada. Já temos uma dezena de reforços, uns que são do conhecimento público, outros ainda não mas a seu tempo iremos divulgar.

As escolhas recaíram em atletas da região?
Essencialmente recaíram em atletas que nos dessem uma garantia de qualidade, de compromisso, que acima de tudo quisessem muito representar o União de Santarém e fazer parte do projecto que lhes foi apresentado. Se fossem da região tanto melhor e conseguimos em alguns casos trazer atletas do distrito.

As condições de treino no Chã das Padeiras são as ideais?
Sim, temos as condições possíveis visto o Chã das Padeiras já ter alguns anos, e como qualquer treinador quer sempre mais e melhor, eu não fujo à regra. Falta-nos essencialmente nesta fase um campo de apoio para que a relva ao domingo se apresente nas condições ideais.

Na sua opinião acha que o campo deveria ser alvo de uma requalificação?
Obviamente que enquanto treinador quanto melhores condições tiver melhor, e isso com certeza servirá também para os jogadores e nomeadamente para os adeptos com um estádio onde se sintam confortáveis e onde possam vir em família. Sendo Santarém a capital de distrito ainda mais reforça a ideia que poderíamos ter um Estádio e as suas infraestruturas mais modernizadas. De qualquer forma acredito que com o nome do União de Santarém a ser novamente projectado no panorama nacional será uma questão de tempo.

Depois de ter estado com o Coruchense e o CD Fátima no Campeonato de Portugal, pensa que a União de Santarém tem condições para se manter nesse escalão?
Sim. Esse é um objectivo que temos a curto, médio-prazo. Somar o maior número de pontos possíveis no menor número de jornadas e garantir a manutenção o mais rápido possível. Depois disso é tentar andar nos lugares cimeiros por forma a que sem a pressão de lutar pela manutenção possamos proporcionar bons espectáculos e terminar o mais acima possível. Eu acredito muito na possibilidade de fazermos um campeonato de grande nível, ainda a mais com essas duas experiências que tive no Campeonato de Portugal que me deram uma bagagem importante para perceber o que é preciso para ser melhor que os adversários.

A série em que a União de Santarém ficou requer muitas viagens, algumas delas até às ilhas, acha que pode vir a ter influência nos jogadores e resultados?
O factor casa nestes casos tem por hábito ser importante, porque todas as equipas têm viagens longas, mas quando temos três equipas dos Açores que de 15 em 15 dias viajam para o continente tendo uma delas lutado para subir à segunda liga (Praiense), acaba por desmistificar essa situação. O cenário ideal seria sermos um clube profissional mas na impossibilidade lutaremos com as nossas armas, que serão fortes e não vamos olhar muito para o negativo e sim focar no positivo e o positivo é que vamos ser fortes e para nos ganharem terão que ser ainda mais fortes.

Para si quem se afigura a subir à segunda divisão nacional? A União de Santarém pode entrar nesse lote?
Existem muitos candidatos, e não irei nomear ninguém em particular mas coloco todas as equipas que têm a oportunidade de trabalhar num regime profissional na frente de todas as restantes. Basta ver que nos últimos anos as equipas que sobem já são altamente profissionalizadas. De uma forma geral nós, como muitas outras equipas como nós, tentaremos dar o melhor e combater com as nossas armas. De forma um pouco mais particular, porque não ambicionar a algo grande?

Como vê a competição na próxima temporada?
O campeonato de Portugal é bastante competitivo, tanto nas equipas que apostaram claramente para subir como as restantes que com menos, querem e ambicionam fazer muito. E este ano não vai de certeza fugir à regra, muitas equipas, muitos jogadores, muitos treinadores, e sendo o campeonato que antecede as ligas profissionais onde todos tem a ambição de entrar só pode ser super competitivo.

Até onde é que querem chegar na Taça de Portugal? Seria possível um trajecto como aquele que o Caldas fez recentemente?
A Taça de Portugal é um sonho de muitos mas muito poucos conseguem fazer o que o Caldas foi capaz, sabemos que é necessário uma conjugação de factores para se conseguir um trajecto semelhante. Mas o futebol é um jogo e como jogo que é, teremos sempre hipóteses, por mais pequenas que sejam mas não deixam de ser hipóteses e são a essas que nos iremos agarrar. Tal e qual no campeonato queremos ser protagonistas e fazer um bom trajecto na Taça de Portugal, só nos duplica as hipóteses de o sermos e de nos afirmarmos.

Ser treinador era um sonho que tinha? Onde é que nasce essa vontade?
Comecei a treinar relativamente cedo é um facto, tinha 28 anos. Na verdade sempre pensei em ser treinador depois de deixar de jogar e se existisse essa possibilidade. Sempre me interessei pelo treino e sempre questionei os treinadores que ia apanhando tentado saber o porquê dos exercícios, entretanto ia guardando grande parte deles. Tudo se precipitou por ter tido uma série de lesões muito graves no espaço de três anos, e aquando da última surgiu o convite um pouco inesperado diga-se, para treinar os juniores do SL Cartaxo ao qual eu respondi prontamente que sim e após tantas lesões via ali uma grande oportunidade de continuar ligado ao futebol e ao mesmo tempo de sempre acreditar também ver ali uma possibilidade de carreira.

Para si quais foram as melhores experiências enquanto treinador?
Aprendi com todas elas, ganhei títulos, perdi taças, lutei para não descer de divisão, desci de divisão, mantive no último jogo do campeonato. Desde do primeiro dia que tenho desfrutado imenso e não consigo dizer ou identificar nenhuma experiência em particular como a melhor.

Até onde é que ambiciona chegar nesta carreira?
Obviamente que tentarei chegar o mais longe possível, e nessa linha de pensamento tentarei chegar às ligas profissionais, tenho essa ambição e essa vontade, sabendo que para isso acontecer terei que mostrar competência diariamente, sabendo também que existirá sempre fatores que não conseguimos controlar por mais competentes que sejamos. Para já foco-me no meu trabalho e no trabalho da minha equipa, e o que tiver que surgir, virá naturalmente como até aqui. No imediato e acreditando que no União de Santarém estão reunidas as condições para lutar por algo mais que a manutenção, e nesse prisma fazer um campeonato bastante positivo será com certeza mais importante e mais uma etapa.

Que conselhos dá a quem quer seguir esta área?
Primeiro que sejam apaixonados pelo jogo e por todos os seus pormenores, depois que tenham muita dedicação porque esta profissão assim o exige. Ser treinador é ser julgado sempre por mais que se ganhe, por isso uma das grandes qualidades que eu penso que um treinador tem que ter é acreditar muito no que faz e ao mesmo tempo procurar aprender todos os dias e sempre que possível de forma a ser melhor a cada dia. Ser treinador é ver o que todos os adeptos veem mas ser racional, é ter um feeling muitas vezes, é criar uma ideia e desenvolvê-la, no fundo ser treinador para mim é como escrever um livro, é criar uma história (ideia de jogo) e ir desenvolvendo-a dia após dia, tanto no treino como no jogo. Cabe-nos a nós manter os jogadores apaixonados pelo jogo, e a eles alimentarem a paixão dos adeptos.

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