A União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém defendeu a reabertura dos centros de dia, encerrados devido à pandemia de covid-19, apontando “casos muito complicados”, especialmente no “domínio da saúde física e psicológica” dos utentes.

“Deve haver uma resposta diferenciada para os problemas dos centros de dia, alguns dos quais funcionam de forma autónoma e sem qualquer relação com as Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI)”, disse hoje à Lusa o presidente da UDIPSS Hilário Teixeira, defendendo a reabertura daquelas respostas sociais para resolver “situações periclitantes” em que se encontram muitos dos utentes de centros de dia, muitas vezes sem retaguarda familiar”.

Em declarações à Lusa, à margem de uma reunião de trabalho que decorreu nas instalações do Centro Social do Pego, em Abrantes, com as IPSS daquele concelho, Hilário Teixeira reiterou os problemas sentidos pela generalidade das instituições distritais, ao nível económico, de sustentabilidade financeira e de recursos humanos, e apontou o isolamento de muitos dos utentes dos centros de dia, agora “em confinamento e apenas com apoio domiciliário”, como sendo a causa de uma “situação periclitante em termos de saúde mental e física”.

O presidente da UDIPSS, que representa 186 IPSS com valência de lar, creche, centro de dia e centro de recuperação, defendeu que “os centros de dia que funcionam de forma autónoma e sem ligação directa às ERPI deviam poder reabrir de imediato”.

“Quando há convivência entre as duas respostas sociais, devia-se ver se é possível criar barreiras arquitectónicas, provisórias, para poder separar os utentes e permitir, deste modo”, com as devidas regras de segurança, o regresso aos centros de dia, declarou.

Hilário Teixeira sustentou que urge “encarar este problema rapidamente e tomar medidas diferenciadas, consoante as particularidades de cada instituição, onde apenas existe essa resposta social e o serviço de apoio domiciliário” que também os serve.

“Não há razões para que os centros de dia não reabram, pelo menos para os casos de maior necessidade, cumprindo as regras sanitárias recomendadas, nem que para isso seja necessário encontrar outros espaços alternativos e complementares”, reiterou este responsável.

Questionado sobre a sustentabilidade financeira das IPSS, Hilário Teixeira disse que a actualização dos acordos de cooperação variou entre os 3,5% e os 5,5%, que considerou razoável, mas que “não chega tendo em conta o défice crónico” prolongado no tempo.

“Com esta actualização, as verbas acordadas cobrirão cerca de 40% a 45% do custo real da resposta social e o desejável seria os 50%, para não colocar em causa a sustentabilidade financeira das instituições de solidariedade social”, acrescentou.

Portugal contabiliza pelo menos 1.735 mortos associados à covid-19 em 51.072 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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