Aos 42 anos de existência, o ISLA Santarém entra numa nova fase do seu percurso, marcada pela consolidação como instituto politécnico e por uma estratégia assumida de crescimento sustentado, alargamento da oferta formativa e reforço da ligação ao território. Numa entrevista em que revisita as várias etapas da instituição — da expansão inicial nos anos 90 à quebra registada na década seguinte e à viragem estrutural iniciada em 2012 —, o Presidente Domingos Martinho sublinha que o momento actual representa “um novo ciclo”, assente em melhores condições, maior capacidade e uma ambição clara de afirmação no sistema de ensino superior.
A aquisição e requalificação do actual edifício ISLA Campus, concluída em 2023, surge como um dos marcos decisivos dessa trajectória recente, permitindo ao ISLA aumentar a sua capacidade de atracção e criar condições para diversificar a oferta. A par disso, a transição formal para instituto politécnico abriu novas possibilidades, ao permitir à instituição expandir-se para áreas até aqui fora do seu alcance, como a saúde, as engenharias ou as artes, num movimento que o responsável descreve como estruturante para o futuro.
Num contexto marcado por desafios demográficos e por uma crescente concorrência entre instituições, Domingos Martinho defende que a resposta passa pela adaptação contínua, pela proximidade às empresas e pela aposta na internacionalização, sublinhando a necessidade de Portugal criar condições mais eficazes para atrair estudantes estrangeiros. Ao mesmo tempo, reafirma o compromisso do ISLA com a região, insistindo que a oferta formativa deve responder, antes de mais, às necessidades do território.
Também ao nível interno, a nova fase tem implicado ajustamentos organizacionais e pedagógicos. Filipa Martinho, delegada da Administração do ISLA Santarém, destaca o impacto positivo da transição, mas aponta como principal desafio a adaptação ao perfil dos estudantes actuais, defendendo uma maior aposta no acompanhamento individual, na inovação pedagógica e no reforço dos serviços de apoio.
Entre a memória de um percurso de mais de quatro décadas e a definição de um novo ciclo de crescimento, o ISLA Santarém procura afirmar-se como uma instituição cada vez mais aberta, diversificada e integrada na comunidade, assumindo como objectivo consolidar a sua posição na região sem perder de vista uma ambição de escala mais ampla.
O ISLA Santarém passou, ao longo de 42 anos, por várias fases. Quais foram, na sua perspectiva, os momentos mais marcantes deste percurso?
O ISLA Santarém, ao longo dos seus 42 anos, passou por diferentes fases, com momentos altos e baixos, como acontece com qualquer instituição. A sua criação, em 1984, surge num contexto muito particular do país. Tinham passado apenas dez anos sobre o 25 de Abril e a oferta de ensino superior em Portugal era claramente insuficiente para dar resposta às necessidades. Foi nesse enquadramento que nasceram várias instituições privadas, entre as quais o ISLA, com o objectivo de colmatar essa lacuna.
Nos primeiros anos, o crescimento foi muito significativo. O ISLA acompanhou esse movimento e atingiu o seu pico nos anos de 1993, 1994 e 1995, com cerca de 1.600 alunos. Foi um período de grande expansão do ensino superior privado em Portugal. Entretanto, o país foi evoluindo, o sector estatal também cresceu e surgiram novos desafios. Ao longo dos anos seguintes, e sobretudo já na transição para a década de 2010, começámos a sentir uma quebra, que resultou de vários factores — internos, mas também conjunturais. A crise económica, a necessidade de intervenção da troika e as dificuldades das famílias tiveram um impacto directo, até porque o ISLA estava muito orientado para a aprendizagem ao longo da vida e para um público maioritariamente pós-laboral.
O ponto mais baixo dessa trajectória situa-se por volta de 2012 e 2013. E é precisamente aí que se dá uma viragem estrutural muito importante. Há uma mudança ao nível da entidade instituidora, com a entrada de novos investidores ligados ao ensino lusófona, e há também uma redefinição estratégica da instituição. O ISLA reposiciona-se no subsistema politécnico, que é aquele que corresponde à sua verdadeira vocação, e inicia um novo ciclo de crescimento, com uma oferta formativa mais ajustada às necessidades da região e com um reforço claro da qualidade do corpo docente.
Se em 2012 tínhamos uma oferta muito limitada — duas licenciaturas e um mestrado —, hoje estamos numa realidade completamente diferente. Para o próximo ano lectivo teremos 16 cursos técnicos superiores profissionais, mais duas novas formações em preparação, nove licenciaturas de entre as quais a nova licenciatura em Marketing e quatro mestrados, incluindo novas áreas como a gestão de projectos. Este crescimento não é por acaso, resulta de um trabalho contínuo de ajustamento àquilo que a região e o mercado efectivamente necessitam.
Depois há um outro momento que considero decisivo, em 2018. Nessa altura, confrontámo-nos com uma escolha clara: ou consolidávamos a oferta formativa que tínhamos, sem margem para crescer, porque as instalações estavam esgotadas, ou dávamos um salto em frente. Optámos por crescer. Encontrámos novas condições, expandimos para este edifício, que posteriormente adquirimos e fizemos uma requalificação total, que ficou concluída em 2023.
Esse passo foi absolutamente determinante. Permitiu-nos aumentar a capacidade, melhorar substancialmente as condições para estudantes, professores e funcionários, e criar bases sólidas para continuar a crescer. Estes são, para mim, os grandes marcos do percurso do ISLA: a fundação num contexto de necessidade do País, o crescimento inicial, a crise e a viragem de 2012, e depois a aposta estratégica nas instalações e no desenvolvimento sustentado a partir de 2018.
A recente transição formal para instituto politécnico representa uma mudança muito relevante. O que é que muda, na prática, para os estudantes e para a própria instituição?
Essa transição é, neste momento, o marco mais relevante da vida recente do ISLA. Nós já vínhamos a crescer, já tínhamos melhores instalações e maior capacidade, mas havia um limite estrutural que nos condicionava. O enquadramento jurídico em que estávamos inseridos, enquanto escola politécnica, não nos permitia alargar a oferta formativa da forma que entendíamos ser necessária.
Uma escola politécnica está, por natureza, orientada para uma área ou para áreas afins. E aquilo que nós pretendíamos era precisamente alargar esse leque. Com a passagem a instituto politécnico, passamos a poder organizar a instituição em várias unidades orgânicas — as escolas e o centro de investigação — e isso abre-nos a possibilidade de trabalhar diferentes áreas do conhecimento dentro da mesma instituição.
Dou-lhe exemplos muito concretos: hoje conseguimos ter ofertas nas áreas da engenharia informática, dos sistemas web ou das tecnologias de saúde, que antes estariam fora do nosso âmbito de intervenção. E, mais do que isso, passamos a ter condições para, no futuro, avançar para outras áreas estruturantes — como a saúde, as artes, a música, o cinema, as artes visuais, a aeronáutica ou até a agro-indústria. Não significa que vamos fazer tudo ao mesmo tempo, mas significa que deixaram de ser limites e passaram a ser possibilidades reais.
Para os estudantes, esta mudança traduz-se numa coisa muito simples: mais opções e uma instituição com maior capacidade de resposta. Passamos a poder oferecer percursos formativos mais diversificados e mais ajustados àquilo que o mercado e a sociedade estão a exigir.
Agora, esta alteração não resolve tudo por si só. Dá-nos condições, mas depois é preciso fazer o caminho. É preciso definir prioridades, criar equipas, estruturar as ofertas e garantir qualidade. Eu não gosto muito da palavra ‘alargamento’, gosto mais de falar em construção sustentada. E é isso que queremos fazer: aproveitar este novo enquadramento para crescer, mas crescer com critério e com responsabilidade.
O ISLA tem uma forte ligação às áreas da gestão e da tecnologia e apresenta níveis de empregabilidade relevantes. Como é que a instituição está a ajustar a sua oferta formativa às novas exigências do mercado de trabalho?
O ajustamento é feito de duas formas. Por um lado, com base naquilo que é a nossa leitura estratégica da realidade — aquilo que antecipamos como sendo as necessidades da região e do mercado. Por outro, através de um princípio muito simples, que é o funcionamento normal de qualquer economia de mercado: há áreas que têm procura e crescem, e há outras que deixam de ter procura e desaparecem.
Aquilo que temos procurado fazer é antecipar essas mudanças. Ou seja, evitar que as nossas ofertas cheguem a um ponto em que deixam de ter procura. Quando sentimos que determinada área está a perder relevância ou que precisa de ser reformulada, temos a humildade de parar, dar um passo atrás e repensar. Isso já aconteceu várias vezes ao longo dos anos.
Dou-lhe um exemplo muito claro: o curso de Informática de Gestão. É um curso que continua a ser necessário, continua a ter procura, mas não é, de todo, o mesmo curso que existia há 20 ou 30 anos. Aliás, hoje praticamente só o nome é que se mantém. Os conteúdos, as competências, a abordagem — tudo isso foi sendo ajustado ao longo do tempo, em função da evolução tecnológica e das necessidades do mercado.
Este é um bom exemplo daquilo que fazemos: manter a relevância sem ficar preso ao passado. Porque se há coisa que aprendemos é que não podemos ter ofertas formativas estáticas. A realidade muda muito rapidamente e, se não acompanharmos essa mudança, ficamos para trás.
Há também um princípio que para nós é fundamental: nós não criamos cursos para dar trabalho aos professores. É exactamente o contrário. Criamos cursos para dar resposta às necessidades da região. E depois, em função disso, organizamos a instituição para conseguir responder com qualidade. Esse é o nosso ponto de partida e continua a ser a base da nossa estratégia.
Num território como o Ribatejo, qual deve ser o papel de uma instituição de ensino superior na dinamização económica e social da região?
O papel de uma instituição de ensino superior deve ser, antes de mais, aquele que a região precisa que ela desempenhe. Essa é a nossa leitura. Ao longo destes anos, todos os desafios que nos foram colocados pelas entidades do território — autarquias, empresas, associações — nós procurámos sempre corresponder. Nunca recusámos um desafio.
Aliás, eu até relativizo um pouco essa distinção entre público e privado. Mais do que saber quem é o detentor da instituição, o que interessa é a sua capacidade de resposta e o contributo que dá à comunidade. Se olharmos para os exemplos de outros países europeus, essa distinção é cada vez menos relevante. O essencial é a qualidade do trabalho desenvolvido e o impacto que a instituição tem no território.
No nosso caso, esse impacto faz-se em várias dimensões. Desde logo, na formação de pessoas qualificadas, que depois vão trabalhar nas empresas e nas organizações da região. Mas também na capacidade de colaborar com essas entidades, de responder a desafios concretos, de participar em projectos e de ajudar a pensar soluções.
Há aqui também uma dimensão mais estrutural, que tem a ver com o próprio enquadramento do ensino superior em Portugal. Está em curso uma revisão de um diploma muito importante, o regime jurídico das instituições de ensino superior, que aponta para uma maior abertura e para uma aproximação ao que já acontece no espaço europeu. Ainda há um caminho a fazer, nomeadamente ao nível da autonomia das instituições e dos mecanismos de acreditação, mas há sinais positivos.
No fundo, aquilo que defendemos é que as instituições devem ter condições para fazer melhor, para inovar e para responder com maior flexibilidade às necessidades da sociedade. E, nesse contexto, o papel do ISLA é muito claro: estar disponível para a região, crescer com a região e contribuir, dentro das suas possibilidades, para o seu desenvolvimento económico e social.
O ISLA tem vindo a reforçar a sua ligação às empresas e a projectos aplicados. Até que ponto é que essa proximidade é hoje um factor diferenciador face a outras instituições?
Essa ligação é absolutamente central para nós. Neste momento, temos cerca de 278 parceiros activos, o que diz muito da rede que fomos construindo ao longo dos anos. E acreditamos que essa proximidade é, de facto, um dos factores diferenciadores da instituição.
Nós partimos de um princípio muito simples: sem uma relação constante com a região e com os seus agentes — empresas, instituições, organizações — este percurso de crescimento que o ISLA tem vindo a fazer não seria possível. São os parceiros que nos colocam desafios concretos, que nos obrigam a ajustar a nossa oferta, a pensar de forma diferente e a evoluir.
Mas esta relação não é unilateral. Nós também procuramos dar um contributo. Desde logo, na formação de quadros qualificados, que depois vão integrar essas organizações. Mas também através de projectos, de serviços especializados, de consultoria e de iniciativas conjuntas que ajudam as entidades a olhar para a sua actividade com uma perspectiva mais informada e mais estratégica.
Queremos acreditar que esta ligação tem um efeito positivo dos dois lados. Para nós, porque nos mantém próximos da realidade e evita que a instituição se feche sobre si própria. E para os parceiros, porque podem beneficiar de conhecimento, de competências e de uma relação de proximidade que, muitas vezes, não existe com outras instituições.
No fundo, é esta interacção permanente que sustenta o nosso modelo. E é também ela que nos permite crescer de forma mais consistente e mais alinhada com aquilo que a região realmente precisa.
O ensino superior enfrenta hoje desafios demográficos e também uma crescente concorrência entre instituições. Como é que o ISLA está a responder a esse contexto?
Esses são, de facto, dois dos grandes desafios que temos pela frente — e são desafios estruturais. No plano demográfico, a realidade é clara: Portugal é um dos países europeus com maior quebra de natalidade, a par de países como Itália ou Grécia. Isso tem um impacto directo no ensino superior, porque significa menos jovens a chegar ao sistema. Estamos a falar de uma redução significativa do número de candidatos nos próximos anos, o que naturalmente condiciona todo o sector.
Por outro lado, há a concorrência, que é uma realidade normal numa sociedade aberta. Hoje, em praticamente todas as áreas, existe uma grande diversidade de oferta, e o ensino superior não é excepção. As instituições competem entre si, e isso faz parte do funcionamento de uma economia livre. O importante é que essa concorrência seja equilibrada e que existam regras claras, previsíveis, que permitam às instituições planear e investir com alguma segurança.
Perante este contexto, não há soluções milagrosas. Aquilo que temos de fazer é adaptar-nos. E uma das respostas passa, inevitavelmente, pela internacionalização. Se o mercado interno é limitado, temos de ser capazes de atrair estudantes de fora. Aliás, isso é o que acontece em muitos países europeus, onde o ensino superior é já uma verdadeira indústria de exportação de conhecimento. Basta olhar para casos como a Holanda, onde uma grande percentagem dos estudantes é estrangeira.
Em Portugal, ainda há obstáculos que dificultam esse caminho, nomeadamente ao nível dos processos administrativos e da entrada efectiva dos estudantes no país. Há situações em que as instituições fazem todo o trabalho de recrutamento, admitem os estudantes, e depois esses estudantes não conseguem chegar. Isso cria um bloqueio que tem de ser resolvido.
Apesar disso, acreditamos que este é um caminho inevitável. Temos de ser cada vez mais atractivos, não só para os estudantes portugueses, mas também para estudantes internacionais. E isso passa por qualidade, por condições, por oferta formativa relevante e por uma capacidade de adaptação constante. Não há outra forma de enfrentar estes desafios.
A internacionalização é hoje uma dimensão central no ensino superior. Que estratégia está definida pelo ISLA para captar estudantes estrangeiros?
A internacionalização é, para nós, uma aposta clara e contínua. Desde 2018 que temos vindo a crescer de forma sustentada, não só no número de estudantes portugueses, mas também no número de estudantes internacionais. E esse crescimento tem sido, em grande medida, orientado para os países de língua portuguesa, onde existe uma afinidade natural que facilita a integração e o próprio processo de ensino.
Não significa que haja um privilégio formal — nós não damos prioridade a candidatos em função da origem —, mas é evidente que nesses mercados somos mais atractivos. E isso reflecte-se nos resultados. Temos vindo a consolidar essa presença, nomeadamente com estudantes oriundos dos PALOP e do Brasil, que encontram aqui uma oferta formativa adequada e um ambiente onde a língua não é uma barreira.
A estratégia passa, por isso, por continuar a trabalhar nesses mercados, sem deixar de estar atentos a outras geografias. Mas há também um aspecto que é fundamental: não basta captar estudantes, é preciso garantir que eles conseguem, efectivamente, chegar à instituição. E aí ainda existem dificuldades em Portugal, sobretudo ao nível dos processos administrativos e de autorização de entrada.
Uma instituição de ensino superior deve ter autonomia para seleccionar os seus estudantes, com base em critérios claros. E quando um estudante cumpre esses critérios e é admitido, deve ter condições para concretizar esse projecto académico. Infelizmente, nem sempre isso acontece, e esse é um constrangimento que tem impacto directo na internacionalização.
Apesar dessas dificuldades, estamos confiantes no caminho que temos vindo a fazer. Acreditamos que a internacionalização não é apenas uma opção, é uma necessidade. E vamos continuar a investir nesse processo, reforçando a nossa capacidade de atracção e consolidando a presença do ISLA num contexto cada vez mais global.
O ISLA tem sublinhado que estudar na instituição não é mais caro do que no ensino público e que mantém um conjunto de apoios aos estudantes. Esses apoios continuam a existir?
Não só continuam a existir como têm vindo a ser reforçados. Essa é uma preocupação constante da instituição. Desde logo, ao nível da residência de estudantes, que é um instrumento fundamental para atrair e fixar alunos. A nossa residência não é um negócio em si mesmo, é um serviço ao estudante. Os preços são ajustados e, em muitos casos, inferiores ao que se encontra no mercado de arrendamento, com a vantagem de incluir um conjunto de condições que garantem estabilidade e qualidade.
Para além disso, mantemos um conjunto alargado de apoios directos, nomeadamente através de bolsas e de protocolos com diversas entidades. Estamos sempre disponíveis para estabelecer parcerias que permitam reduzir os custos para os estudantes, embora nem sempre seja fácil mobilizar essas entidades. Ainda assim, aquilo que depende directamente do ISLA tem sido assegurado.
No último ano lectivo, 2024-2025, os apoios atribuídos pela instituição ascenderam a cerca de 360 mil euros. Com o crescimento do número de alunos, é expectável que esse valor venha a aumentar. Este é um investimento que fazemos com convicção, porque sabemos que o acesso ao ensino superior depende, muitas vezes, destas condições.
O objectivo é claro: garantir que nenhum estudante deixa de estudar por razões económicas. E, dentro das nossas possibilidades, temos procurado criar mecanismos que permitam tornar o ensino mais acessível e mais inclusivo.
Olhando para os próximos cinco a dez anos, qual é a missão do ISLA e que papel quer que a instituição desempenhe no panorama nacional?
Aquilo que se antecipa para o ensino superior, quer em Portugal quer no espaço europeu, aponta para uma reorganização profunda das instituições. Há sinais claros, desde logo ao nível da legislação, de que o caminho passa por estruturas com maior dimensão, maior robustez e maior capacidade de resposta. Uma instituição de ensino superior hoje não se esgota na relação entre professor e aluno. É um ecossistema que integra investigação, serviços à comunidade, inovação, parcerias e uma forte ligação ao território.
Para que isso seja possível, é preciso massa crítica. E essa massa crítica constrói-se com dimensão — dimensão ao nível dos recursos humanos, do número de estudantes, das áreas de formação, dos centros de investigação. Esse é o caminho que se tem vindo a fazer em vários países europeus e é também para aí que Portugal tende a evoluir.
O ISLA está atento a essa realidade. Queremos acompanhar esse movimento, quer enquanto instituição autónoma, quer no âmbito do grupo em que estamos integrados, e dar os passos necessários para reforçar essa capacidade. Mas há uma coisa que é fundamental: esse crescimento não pode ser feito à custa da nossa identidade. Estamos em Santarém há 42 anos, temos uma ligação muito forte à região, e isso não está em causa.
O que queremos é crescer sem perder essa proximidade. Continuar a ser uma instituição de referência na região, mas com capacidade para afirmar-se também a um nível mais amplo. E, sobretudo, queremos continuar a melhorar. Daqui a cinco ou dez anos, o objectivo é que o ISLA seja, no mínimo, aquilo que é hoje — mas, idealmente, uma instituição ainda mais forte, mais completa e mais relevante para a sociedade.
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar à comunidade neste momento em que o ISLA assinala 42 anos de existência?
A mensagem que quero deixar é, antes de mais, de agradecimento. O ISLA só é aquilo que é hoje porque tem uma comunidade académica muito forte — desde logo os estudantes, mas também os professores, os funcionários e todos os parceiros que, ao longo destes anos, têm acreditado na instituição.
Temos uma grande noção da responsabilidade que isso representa. Estamos a falar de uma instituição que marca a vida das pessoas, que contribui para a sua formação e para o seu futuro. E isso obriga-nos a estar à altura, todos os dias.
Há também um aspecto que eu valorizo muito: os nossos estudantes escolhem-nos. Ao contrário de outros modelos, em que os alunos entram por via de um concurso e nem sempre ficam na instituição que desejavam, no nosso caso há uma escolha consciente. E isso reforça ainda mais a nossa responsabilidade.
Aquilo que posso garantir é que vamos continuar a trabalhar para corresponder a essa confiança. Queremos continuar a crescer, a inovar e a surpreender, mas sempre com os pés assentes naquilo que somos. Queremos ser cada vez mais um ponto de encontro da cidade e da região, um espaço aberto à comunidade, que vá muito além da sala de aula.
Se daqui a cinco ou dez anos o ISLA for, no mínimo, aquilo que é hoje — e eu acredito que será melhor —, então estaremos a cumprir a nossa missão.”
Filipa Martinho, Delegada da Administração do ISLA Santarém
Aposta no acompanhamento dos alunos e abertura do ISLA à comunidade
Do ponto de vista da gestão académica e pedagógica, que impacto teve a transição para instituto politécnico no funcionamento interno do ISLA?
O impacto fez-se sentir, numa primeira fase, ao nível da reorganização interna. Foi necessário ajustar serviços, rever toda a regulamentação e adaptar a estrutura à nova realidade institucional. Esse foi um trabalho exigente, mas necessário.
Ultrapassada essa fase, o balanço é claramente positivo. Hoje, o principal impacto está na dimensão que a instituição pode alcançar. Passámos a ter condições para criar mais escolas, alargar a oferta formativa e crescer de forma sustentada. Não houve, portanto, um impacto negativo — pelo contrário, foi uma evolução muito positiva, que abre novas possibilidades ao nível académico e organizacional.
Enquanto responsável na estrutura da instituição, quais são hoje os principais desafios no acompanhamento dos estudantes e na garantia da qualidade do ensino?
O principal desafio é, sem dúvida, responder ao perfil actual do estudante. Hoje temos alunos com expectativas diferentes, que exigem mais estímulo, mais criatividade e uma abordagem pedagógica mais dinâmica. Isso implica uma adaptação constante, não só por parte da instituição, mas também do corpo docente.
Temos procurado responder a esse desafio reforçando os serviços de apoio aos estudantes. Criámos, por exemplo, um gabinete de apoio psicológico, consultas de nutrição, programas de mentoria interpares e mecanismos de acompanhamento na integração dos alunos, com especial atenção aos estudantes deslocados e internacionais.
O objectivo é garantir que os alunos não são apenas acompanhados do ponto de vista académico, mas também nas suas várias dimensões pessoais. A escola tem de estar preparada para responder às novas realidades sociais e às dificuldades que os estudantes trazem consigo.
Ao mesmo tempo, temos vindo a apostar muito na dinamização de actividades abertas à comunidade. Organizamos regularmente conferências, aulas abertas e encontros com especialistas de várias áreas, que permitem aos estudantes, mas também ao público em geral, contactar com outras realidades e enriquecer o seu percurso. Essa abertura é importante porque o ISLA não deve ser apenas um espaço de ensino, mas também um espaço de partilha, de encontro e de ligação à comunidade.
Que mensagem gostaria de dirigir à comunidade académica nesta data simbólica?
A primeira palavra tem de ser de agradecimento. Sem os docentes e sem os funcionários que fazem parte da instituição no dia-a-dia, não teria sido possível chegar até aqui, ao fim destes 42 anos. São eles que, com o seu trabalho diário, sustentam aquilo que o ISLA é hoje.
Mas também uma palavra para os estudantes e para toda a comunidade, que continuam a confiar em nós. Essa confiança é fundamental e é também aquilo que nos motiva a continuar a melhorar.
O que desejamos é poder continuar este percurso, mantendo este espírito e esta proximidade, e que o ISLA possa continuar a afirmar-se nos próximos anos — idealmente por mais 42 — sempre com o mesmo compromisso com a qualidade, com os estudantes e com a comunidade.
Filipe Mendes

