A cidade de Santarém acolheu hoje a cerimónia de apresentação das Forças Armadas ao novo Presidente da República, António José Seguro.

O programa oficial teve início no Jardim dos Cravos, com a deposição de uma coroa de flores no monumento a Salgueiro Maia.

Seguiu-se a cerimónia de apresentação das Forças Armadas ao Chefe de Estado, no Jardim da Liberdade, cujo evento marcou o protocolo de subordinação e reconhecimento das estruturas militares perante o Comandante Supremo das Forças Armadas.

Antes de abordar as questões de segurança, António José Seguro evocou a escolha de Santarém como palco da cerimónia, sublinhando o simbolismo da cidade e homenageando Salgueiro Maia, cuja liderança no 25 de Abril qualificou como “exemplo de integridade e sentido de dever”.

Acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, pelo Presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Leite, e pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, João Cartaxo Alves, o Presidente da República alertou para um “contexto internacional particularmente exigente” devido à “reemergência de conflitos armados de alta intensidade” e defendeu a necessidade de reforçar e modernizar as Forças Armadas portuguesas, mantendo simultaneamente o investimento nas áreas sociais.

António José Seguro sublinhou que o mundo atravessa “um período de mutações profundas”, alertando a “fragmentação política”, a tentativa de “esvaziamento das organizações multilaterais” e os impactos diretos dos conflitos na Europa e no Médio Oriente.

A guerra na Ucrânia, disse, alterou “de forma abrupta” a perceção da segurança coletiva, exigindo aos Estados “medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional”.

Perante este quadro, o Presidente defendeu que Portugal deve acompanhar os compromissos internacionais assumidos no âmbito da União Europeia e da NATO com “investimento, modernização e reforço de capacidades”.

“Vivemos num quadro dinâmico e de risco acrescido que exige das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes”, declarou, justificando o Conselho de Estado de 17 de abril, dedicado exclusivamente ao tema da segurança e da defesa.

O Presidente afirmou que a modernização militar deve “envolver a indústria nacional”, gerar emprego qualificado e estimular inovação tecnológica, defendendo “um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal” que permita ao país “afirmar-se em áreas tecnológicas estratégicas”.

Esta modernização, vincou, deve ser “séria e equilibrada”, articulada com outras necessidades nacionais, “em particular nas áreas sociais”.

Segundo o Comandante Supremo das Forças Armadas, o investimento na Defesa deve ser “inteligente”, envolver a indústria nacional e “ajudar a criar mais riqueza e melhores empregos”, potenciando “também o sistema científico português”.

António José Seguro dedicou parte significativa do discurso aos recursos humanos das Forças Armadas, considerando “imperativo” tornar a carreira militar mais atrativa, valorizar carreiras e garantir “previsibilidade e dignidade” aos profissionais.

“Não há Forças Armadas sem recursos humanos”, afirmou, salientando o papel dos militares como pilar da democracia, subordinados à Constituição e à vontade dos cidadãos.

O Presidente da República insistiu na necessidade de tornar a “carreira militar mais apelativa para os jovens”, defendendo medidas que garantam a permanência dos quadros e o reforço da motivação interna.

O chefe de Estado enalteceu ainda o papel das tropas portuguesas em missões no estrangeiro no âmbito da NATO, União Europeia, ONU e CPLP, qualificando-as como “vetor fundamental da política externa portuguesa”.

 

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