José Carlos Barreto, uma das maiores figuras da rádio em Portugal, está a realizar ao longo do dia de hoje uma emissão especial de rádio para assinalar os seus 40 anos de trabalho.

“Estava a ver os meus papéis antigos e vi que a primeira emissão que fiz na Rádio Piranha foi a 7 de abril de 1986. Já foi há 40 anos e tinha de fazer qualquer coisa. Então pensei em fazer uma emissão de FM”, revela o jornalista.

Autorizada pela ANACOM, a transmissão está a operar na frequência 107.1 FM, na zona de Santarém, e através da internet, para o mundo inteiro, sob o domínio “radiomanifestodebordo.ismyradio.com”.

“Achei que era essencial ter frequência modelada e a Net para toda a gente poder ouvir. Os meus amigos vão aparecendo como convidados e outros vão me ligando e mandando mensagens. Tem sido engraçado até agora”, confidencia.

Com o início oficial às 07h00 e fecho de emissão às 24h00, a Rádio “Manifesto de Bordo” – nome que remete para uma lista de carga de um navio – conta com notícias, reportagens e muita conversa.

“Converso muito, gosto muito da palavra. A palavra sempre foi a minha ferramenta de trabalho como jornalista”, refere José Carlos Barreto que hoje profere essas mesmas palavras no estúdio improvisado na sua garagem, no Bairro de São Domingos, que considera ser um “verdadeiro laboratório de alquimia” e que o faz recordar o tempo das rádios pirata, do qual fez parte na Rádio Piranha.

“Era ilegal fazer uma emissão de rádio. Só que é aquela ilegalidade que depois transborda e passa ao legal. E esse início é o primórdio da rádio. É o emissor, uma pequena mesa de mistura, um microfone e vontade de fazer coisas. Vontade de fazer rádio. Passar música, falar sobre música, sobre o que estava a acontecer à nossa volta”, relembra.

O seu percurso começou em 1986 e passou pelas Rádios Piranha e “O Ribatejo” antes da entrada na TSF Rádio Jornal, onde se mantém até hoje. Ao todo, são quatro décadas de memórias que José Carlos Barreto guarda dentro de si.

“As memórias são coisas muito estranhas. Há memórias que são nossas. Há memórias que são de outras que nos contaram. Há memórias que nós memorizamos, mas já não são bem aquelas que nós pensamos. Em 40 anos eu tive a sorte de estar na TSF em momentos em que punha repórteres em qualquer lado do mundo”, conta.

Foi em Moçambique, quando ainda era um miúdo, que o gosto pela rádio surgiu na sua vida, num prédio ao fundo da rua na qual morava e onde o seu pai fazia escutas de rádio. 40 anos depois o “bichinho” por este ofício mantém-se.

“Eu vejo a rádio como um ofício. Como os velhos artesãos. Para mim, a rádio tem muito de artesanato. Tem muito de meter as mãos, inventar coisas, ligar fichas. Eu faço na rádio quase tudo. Escrevo texto, faço a reportagem, monto. Gosto muito desse lado do oficio”, afirma com orgulho.

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