O laboratório de produção de canábis desmantelado na terça-feira em Coruche revelava “capacidade de organização” e “elevado conhecimento técnico” dos três indivíduos que foram detidos, no âmbito de uma operação da GNR, disse hoje o comandante Diogo Oliveira.

O comandante do destacamento territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Coruche afirmou à Lusa, no final de uma conferência de imprensa em que foi exposta “apenas uma amostra da quantidade de material” encontrada na propriedade, que a operação surgiu na sequência de uma fiscalização do cumprimento das regras decretadas devido à pandemia da covid-19, realizada na sexta-feira à noite.

Os militares “abordaram uma viatura que estava num local ermo, na qual se encontravam os três indivíduos que foram detidos, sem qualquer documentação e em violação da obrigação geral de recolhimento”, disse.

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Acompanhados até à propriedade, os indivíduos, com idades entre os 30 e os 37 anos, mostraram a documentação para serem elaborados os autos de contraordenação e, enquanto se encontravam na propriedade, os militares, “além do forte odor a canábis, aperceberam-se de mais alguns indícios de que ali estaria localizado pelo menos um depósito ou uma instalação para a produção” do estupefaciente, acrescentou.

“Destaca-se, sobretudo, a capacidade de organização e o elevado conhecimento técnico destes indivíduos, que tinham, dentro do anexo, as áreas bem definidas e cada área tinha um propósito na cadeia de produção, desde plantação, germinação, maturação da planta e, depois, do acondicionamento e transporte para venda ao consumidor”, afirmou Diogo Oliveira.

Além dos três detidos, na operação, realizada na terça-feira no âmbito de um mandado de busca e apreensão, foi desmantelado o laboratório de produção de canábis, dentro do qual se encontrava, além de “material relacionado com a prática do ilícito em elevada quantidade, 459 plantas de canábis, em vários estádios de maturação, e cerca de 37.575 doses de canábis pronta para ser transportada e vendida ao consumidor”, acrescentou.

Além desse material, foram ainda apreendidas quatro viaturas e algum numerário em moeda estrangeira, disse, adiantando que os detidos são cidadãos europeus, não sendo conhecidos antecedentes criminais, “nem nenhuma actividade profissional que esteja legalizada”.

Diogo Oliveira salientou também que, dadas as circunstâncias em que ocorreu, a investigação foi “muito curta”, não havendo ainda, “nesta fase, a perfeita noção de todo o funcionamento”.

“O que conseguimos perceber, até ao momento, é que estes indivíduos já se dedicavam há uns largos meses a esta atividade ilícita, sem dúvida alguma”, afirmou, adiantando que está ainda a ser recolhido material e que prosseguem as diligências relacionadas com esta investigação.

Segundo o comandante, não é ainda possível conhecer qual era o destino do estupefaciente.

Os três detidos serão ouvidos na quinta-feira em primeiro interrogatório judicial, no Tribunal Judicial de Santarém.

A operação foi desenvolvida pelo Comando Territorial de Santarém, através do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Coruche.

A ação contou ainda com o reforço da estrutura de investigação criminal do Comando Territorial de Santarém, do Destacamento Intervenção (DI) de Santarém e da Companhia de Transportes da Secretaria Geral da Guarda.

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