O padre Joaquim Ganhão, pároco da Sé de Santarém, justificou hoje a utilização do mármore no novo altar daquele templo com a “simbologia da pedra”, assim como com a “necessidade de diálogo entre a arte antiga e contemporânea”.

O novo altar e os restantes elementos do presbitério da Sé Catedral de Santarém foram inaugurados na noite de terça-feira, dia 16, no âmbito da abertura das comemorações dos 50 anos da criação da diocese, estando a gerar alguma controvérsia, com alguns habitantes a considerarem que o uso de mármore não é compatível com uma catedral barroca.

Em declarações à agência Lusa, Joaquim Ganhão explicou que o novo altar foi concebido com o objectivo de promover um diálogo entre a arte antiga e contemporânea através “de uma estrutura sólida e digna”.

“Não estamos impedidos de ter elementos de madeira e altares de madeira (…), mas foi sempre um desejo do presbitério da diocese dotar a catedral de um altar digno e com outra solidez, procurando fazer entrar em diálogo aquilo que é arte antiga com a arte contemporânea”, acrescentou.

O sacerdote, também director do Museu Diocesano de Santarém e responsável pela Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja, sublinhou que a escolha do mármore “é apropriada e coerente” com o espaço existente, acrescentando que a capela da Sé de Santarém “é, também ela, dominada por elementos de mármore”.

“Esses argumentos [de contestação], muitas vezes vêm de pessoas que parecem não estar familiarizadas com o espaço. Essas críticas não levam em conta a realidade do ambiente da capela-mor, onde o mármore já predomina”, afirmou.

O padre explicou ainda que a escolha do novo altar não foi uma “decisão de uma única pessoa”, mas antes um processo “interdisciplinar envolvendo diversos consultores e especialistas”, com a obra a ser entregue ao escultor Paulo Neves.

Embora reconheça as críticas, Joaquim Ganhão admitiu que muitas delas “vêm de fora da diocese”, ao mesmo tempo que disse estar “convicto” de que esta decisão foi a melhor “para a igreja e para a cidade” e acrescentou que esta renovação deve-se também à “inadequação das soluções de madeira usadas nos últimos 60 anos”.

A inauguração do novo altar fez parte do programa de abertura das comemorações dos 50 anos da criação da diocese de Santarém, em 16 de julho de 1975, a mesma data em que foi erigida a diocese de Setúbal, ambas por desagregação do Patriarcado de Lisboa.

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