O dia 22 de Maio foi um grande para todos quantos neste distrito lutam e defendem a Cultura e as Artes.
As Edições Cosmos, sediada na Chamusca, a mais antiga, 1937, e prestigiada editora nacional, recebeu das mãos do Presidente da República a Medalha de Honra atribuída pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Fundada em 1937, no rescaldo da primeira revolta armada contra Salazar, o 18 de Janeiro da Marinha Grande em 1934, revolta que correu mal e levou às prisões de Peniche e Tarrafal, muitos dos revoltosos de todo o país.
Um destes, Manuel Rodrigues de Oliveira, mandado para o Tarrafal estabeleceu aí contacto com o mítico fundador do PCP, Bento Gonçalves, que lá morreu de modo trágico, o qual lhe pediu para que quando voltasse à metrópole fundasse uma editora capaz de reunir no fundo editorial da mesma, os opositores ao regime, intelectuais e artistas de todos os quadrantes.
De imediato publicaram nela Bento de Jesus Caraça, Agostinho da Silva, Manuel Mendes, padrinho de casamento de Mário Soares, o ex-Presidente da República, também da entourage da Cosmos, Irene Lisboa, Magalhães Godinho, João de Freitas Branco, o maestro Fernando Lopes Graça etc.
As Edições Cosmos, prestes a ser extinta — como dezenas de outras de resistência ao Estado Novo foram — foi salva, há trinta anos, por Joaquim Garrido que desde então, com altos e baixos, no país que menos lê na Europa, a tem mantido viva e independente, recusando, algumas vezes, que fosse vendida — como outras se venderam — a grandes grupos económicos que hoje controlam a edição de livros neste país.
O último livro das Edições Cosmos «Manda-me Amor Camões e Outros Afins» de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, apresentado agora em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores e Assembleia da República, com grande êxito e casas cheias, são o exemplo do prestígio que esta editora ainda conserva contra ventos e marés, as mais inopinadas.
Justa é também a Medalha de Honra que as Edições Cosmos receberam agora de Sua Excelência o Presidente da República, conforme têm assinalado muita gente, antiga e moderna, ligada a uma editora que atravessou toda a longa noite de trevas e censura do Estado Novo e continua viva e actuante.
Dia do Autor Português
A Sociedade Portuguesa de Autores, celebrou hoje, 22 de Maio, data em que completa 101 anos, o Dia do Autor Português.
Nesta cerimónia, presidida por Sua Excelência o Senhor Presidente da República, foram homenageadas as seguintes personalidades que se distinguiram pelo seu percurso intelectual, profissional e cívico e a quem será entregue uma Medalha de Honra:
- Alberto Arons de Carvalho
- Alexandre Monteiro (VIHLS)
- Américo Brás Carlos
- Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC)
- Edições Cosmos
- Fátima Campos Ferreira
- Francisco Fanhais
- Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)
- Maria do Carmo Fonseca
- Miguel Sousa Tavares
No evento, que teve lugar pelas 18h00 na galeria Carlos Paredes, a cooperativa dos autores portugueses distinguiu dois consagrados criadores através da atribuição dos seguintes prémios:
- Prémio Consagração de Carreira: Pedro Abrunhosa
- Prémio Vida e Obra: Sérgio Godinho
Foi ainda entregue o Grande Prémio de Teatro Carlos Avilez a Constança Bourgard,
A sessão terminou com uma breve actuação de Filipe Raposo.
