No feriado municipal do 19 de Março, o Correio do Ribatejo foi agraciado com a Medalha de Mérito do Município de Santarém. Enquanto Director deste Jornal fui receber a condecoração que muito nos honra.

As minhas primeiras palavras foram, naturalmente, de agradecimento por esta distinção que se junta à Medalha de Ouro da Cidade que recebemos em 1966, na direcção do Dr. Virgílio Arruda e nos 75 Anos de vida deste Jornal que no próximo dia 9 de Abril completará 135 anos de existência.

Tinha dois minutos para percorrer os 135 anos da nossa já longa história. Resumi-os numa palavra apenas: Gratidão.

Fi-lo em nome dos restantes directores: João Arruda, um jovem empreendedor natural da Ribeira de Santarém que com pouco mais de 20 anos de idade o fundou, ainda no século XIX (1891) e o dirigiu até 1934. Sucedeu-lhe o seu filho, Dr. Virgílio Arruda, director durante 54 anos e oito meses. Seguiu-se Bernardo Figueiredo que teve o mérito de manter o título, entre 1989 e 2001, ano em que assumi o cargo que hoje ocupo. Estou de passagem. Estamos todos.

Mas o importante é que o Jornal fique. O Correio do Ribatejo é um dos títulos mais antigos da imprensa regional portuguesa ainda em publicação. Fundado no século XIX, o jornal tem acompanhado ao longo de bem mais de um século a vida política, social e cultural do território ribatejano, afirmando-se como um espaço de informação de proximidade e de registo da memória colectiva da região.

A distinção surge num momento particularmente simbólico para o ‘Jornal de Santarém’, que continua a desempenhar um papel central na cobertura da actualidade regional e na valorização das dinâmicas sociais e culturais do Ribatejo.

Completarei 25 anos na direcção do Correio do Ribatejo no próximo dia 6 de Julho de 2026. Acho que vou beber um copo e juntar a equipa e alguns amigos nesse dia. Mas este projecto nunca foi nem será de um homem só, estamos gratos a dezenas de colaboradores que, ao longo de todos estes anos, mantiveram a sua ligação ao Jornal e contribuíram com os seus textos e com o seu trabalho para contar a história desta região a que chamamos Ribatejo.

Este foi sempre um jornal plural, escrito por muitas mãos e queremos que continue assim. Pretendemos continuar às sextas-feiras a dar-vos este “abraço de papel” que une gerações desde os finais do século XIX, até aos nossos dias.

Quase a terminar a minha intervenção de ontem no Convento de S. Francisco, disse que tenho a intenção de o fazer chegar aos 150 anos. Nesse ano, se lá chegar, completarei 75 anos de idade que, por essa altura deverá ser a idade da reforma em Portugal… É apenas um sonho, nada mais do que isso, mas deixem-nos voar a pensar nisso.

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