As medidas de restrição impostas no início do mês ao uso de seis barragens para produção de electricidade e para rega agrícola, devido à seca em Portugal continental, “estão a revelar-se eficazes”, afirmou hoje o ministro do Ambiente.

“As medidas estão a revelar-se eficazes”, disse o ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Matos Fernandes, em declarações aos jornalistas em Abrantes.

Segundo Matos Fernandes, em duas das albufeiras, Aguieira e Touvedo, já se saiu da “situação crítica” e “têm mais de 70% de água”.

Em termos globais, acrescentou, “todas as albufeiras estão a recuperar”.

No caso da Albufeira de Castelo de Bode, onde o governante participou hoje numa ação de limpeza de resíduos na zona de Tomar e de Abrantes, a recuperação “é incipiente”, na ordem dos “cinco centímetros”.

Contudo, sublinhou o ministro, o nível das águas está “estável”, isto numa albufeira onde “todos os dias há uma grande retirada de água para consumo humano”, pela EPAL.

Quanto à barragem do Alto Lindoso, no distrito de Viana do Castelo, o nível das águas subiu 2,4 metros, desde que começou o processo de monitorização, no início de fevereiro, e a chuva que se perspectiva para os próximos dias poderá “resolver a situação no Norte Litoral”, afirmou ainda o ministro do Ambiente,

Questionado sobre que medidas podem vir a ser tomadas no futuro para resolver os problemas causados pela seca, Matos Fernandes não descartou a hipótese de, no princípio de março, serem tomadas mais medidas, ou mais alargadas, de restrição ao uso de água.

“Neste momento a situação é estável, mas como eu disse desde o princípio, se tivermos de estender esta medida a outras barragens, fá-lo-emos”, afirmou, salientando que “a principal função da água das barragens será sempre o consumo humano” e que, em todas elas, tem de se garantir que existe água para dois anos desse consumo.

A análise da situação e de eventuais ajustes às medidas implementadas no terreno decorrerá “no início de março, tal como ficou combinado”, lembrou, altura em que será decidido “se é necessário alargar esta medida a outras barragens”.

Para já, há cinco barragens cuja água só será usada para produzir eletricidade cerca de duas horas por semana, garantindo valores mínimos para a manutenção do sistema: Alto Lindoso e Touvedo, no distrito de Viana do Castelo, Alto Rabagão, em Montalegre, Cabril (Castelo Branco) e Castelo de Bode (Santarém).

A água da barragem de Bravura, no Barlavento algarvio, deixou de poder ser usada para rega.

Para estas seis barragens foi adotada uma cota mínima a manter, destinada a garantir o abastecimento de água para consumo humano durante dois anos.

João Matos Fernandes disse ainda que a situação de seca “não é conjuntural, é estrutural”.

“Temos de nos saber adaptar”, afirmou, dando como exemplo a agricultura, com “culturas que usem a menor quantidade água possível” e um “investimento continuado” ao nível das redes urbanas para minorar as perdas de água.

E, “todos nós, enquanto pequenos consumidores”, na criação de hábitos que levem a gastar a menor quantidade possível de água, acrescentou.

A comissão de acompanhamento da seca vai voltar a reunir-se no início de março.

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