As Misericórdias Portuguesas estão em negociações para alargar a mais localidades o projecto “Bata Branca”, para prestação de cuidados de saúde à população sem médico de família na área de Lisboa e Vale do Tejo, disse fonte da instituição.

O projecto “Bata Branca”, que arrancou em 2017 no Arco Ribeirinho de Setúbal, com as Misericórdias de Setúbal, Canha (Montijo), Barreiro e Sesimbra, resulta de uma parceria entre a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), tendo sido alargado a outras zonas desde então.

O vice-presidente da UMP, Manuel Caldas de Almeida, disse que o projecto garante o acesso a consultas de clínica geral a utentes adultos sem médico de família atribuído, facilitando o acesso a cuidados médicos de saúde primários.

Manuel Caldas de Almeida explicou que o projecto surgiu há uns anos para fazer face à falta de médicos de família nos centros de saúde.

“O projecto surgiu porque havia e há uma dificuldade grande de acesso das pessoas ao médico de família. O objectivo das Misericórdias na altura era mesmo entrar nas unidades de saúde primária, gerir os centros de saúde, mas o Ministério da Saúde não aceitou. Como havia muitas dificuldades, fomos [questionados] se poderíamos ajudar a resolver o problema e surgiu assim o projecto”, disse.

A UMP e a ARSLVT desenvolveram o “Bata Branca” com o objectivo de assegurar a complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo o projecto consultas do adulto e do idoso, e meios complementares de diagnóstico e terapêutica.

“O objectivo não é de modo nenhum substituir urgências, é substituir o acompanhamento clínico, não é o doente que está com uma urgência. O utente quer ir a uma consulta, esta é marcada pelo centro de saúde e depois vão a uma consulta à Misericórdia. Este médico pode pedir exames, passar medicamentos, fazer uma segunda consulta. Visa mesmo acompanhar adultos que não têm médico atribuído dentro do SNS”, referiu o representante.

Manuel Caldas de Almeida explicou que é o centro de saúde que marca a consulta ao utente, dando-lhe uma espécie de ‘voucher’, com o qual vai depois à consulta na misericórdia.

Depois de ter início no Arco Ribeirinho de Setúbal, a iniciativa foi alargada a Cascais, Ourém, Alenquer, Peniche e à cidade de Lisboa, envolvendo também já as autarquias.

“O projecto correu tão bem que acabou por ser alargado a outros locais. Este projecto é entre a UMP e a ARSLVT e depois as Misericórdias que entram fazem o acordo de prestação de serviço. Muitas autarquias já se envolveram também no projecto. A única excepção foi para a cidade de Lisboa, pois a Misericórdia de Lisboa tem um estatuto diferente e é gerida pelo Estado. Na capital fizemos um acordo com a Cruz Vermelha”, indicou.

Segundo Manuel Caldas de Almeida, o projecto deverá ser alargado a Torres Novas e, em Lisboa, à freguesia de Marvila, estando a decorrer negociações nesse sentido.

“O projecto não pretende substituir o centro de saúde, não é esse o objectivo. O ‘Bata Branca’ é um projecto que não tem qualquer interesse financeiro para as Misericórdias. O valor que a ARSLVT paga mal dá para pagar as despesas e varia muito com os locais. Há zonas mesmo dentro da Grande Lisboa com preços da hora/médico diferentes de outras”, disse.

Por isso, acrescentou, se não houvesse participação das autarquias tornar-se-ia difícil gerir a iniciativa: “As autarquias estão cada vez mais interessadas em ajudar a população que não tem médico de família. Na zona Centro e no Alentejo há muito interesse no projecto.”

De acordo com dados da UMP, entre Janeiro e Maio deste ano, o projecto prestou mais de 17 mil consultas a utentes sem médico de família da área geográfica de Lisboa e Vale do Tejo.

O número de pessoas sem médicos de família atribuído nos centros de saúde desta área é superior a 1,7 milhões de pessoas, segundo o portal da transparência do SNS (dados de Maio).

Leia também...

CHMT dá as boas-vindas a 12 novos profissionais de saúde

A equipa do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) recebeu 12 novos profissionais de saúde que vão ser integradas nas três unidades da instituição.…

Ministro reconhece “dificuldades significativas” no Hospital de Santarém

O ministro da Saúde reconheceu segunda-feira (15 de Maio) a existência de “dificuldades muito significativas, que causam constrangimentos no serviço de Urgência” do Hospital…

ULS Lezíria assinala “Novembro Azul” com campanha de sensibilização

O Serviço das Especialidades Cirúrgicas da Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) assinalou esta segunda-feira, 17 de Novembro, no hall de entrada…

Liga dos Amigos do Hospital de Tomar doa 15 “almofadas coração” ao Serviço de Oncologia

A LAHT – Liga dos Amigos do Hospital de Tomar (LAHT) solidarizou-se com a causa da luta contra o Cancro da Mama e fez…