Quando o país foi obrigado a parar, as Misericórdias continuaram a sua missão, com o único objectivo, que é apoiar os mais frágeis.

“Misericórdias como existir e resistir em tempos de pandemia” foi o mote de um evento online através da plataforma Zoom organizado pela concelhia do PSD de Santarém, para a qual convidou os provedores das Santas Casas de Santarém, Pernes, Alcanede e Porto.

No início desta conferência, o presidente da concelhia social-democrata e da Câmara de Santarém referiu que “o sector social é um amortecedor muito grande da crise que atravessamos”.

“As Misericórdias têm sido fundamentais para que ninguém fique para trás e, nesta altura colectiva difícil, tivemos respostas muito importantes para aqueles que mais necessitam”, afirmou Ricardo Gonçalves.

Ao longo desta sessão, os provedores relataram alguns dos “momentos difíceis” que as suas instituições atravessaram, mas apontaram a resiliência dos funcionários como um dos factores que ajudou a debelar os problemas.

“O mais complicado, a meu ver, foi o grande grau de incerteza e insegurança”, afirmou Hermínio Martinho, provedor da SCM de Santarém, admitindo que a instituição viveu “momentos complicados”.

“Trabalham na Misericórdia 250 pessoas e foram logo aplicadas medidas rigorosas de controlo”, afirmou, agradecendo o “esforço, empenho e dedicação” dos funcionários e colaboradores.

“Sentimo-nos, literalmente, debaixo de fogo, mas as coisas foram sendo ultrapassados”, desabafou, dizendo que agora já se vive uma fase de descompressão, uma vez que utentes e funcionários já foram imunizados.

Hermínio Martinho apontou ainda “dificuldades financeiras” acrescidas neste período o que obrigou à alienação de algum património para manter o mesmo nível de resposta da instituição.

“Temos feito sacrifícios. Foi grande o acréscimo de despesas e decrescimento de receitas, com o encerramento de valências, como a creche ou centro de dia”, fez notar o provedor.

Apesar desta circunstância, Hermínio Martinho destacou que existiram “coisas boas”: “nos momentos maus, encontramos exemplos que merecem referência, como os apoios da autarquia e da grande equipa da Misericórdia que demonstrou uma grande humanidade”.

“Agora, de mãos dadas, é tempo de tentar perspectivar uma luz ao fundo do túnel”, concluiu.

Também, Wanda Mendo, provedora da Misericórdia de Alcanede identificou “momentos complicados” que a instituição viveu: “foi uma fase difícil, com as equipas a trabalharem em espelho, mas não quisemos deixar de prestar os serviços à comunidade. Um dilema grande, mas que foi ultrapassado”, garantiu.

“Tivemos, também coisas boas: arranjámos um grupo de jovens, com boa vontade, que venceu o medo e meteu mãos à obra, ajudando a distribuir refeições no período mais crítico. Toda a gente fez o que melhor sabia e podia”, concluiu.

Já Manuel Frazão, provedor da SCM de Pernes destacou a “resiliência da instituição”, aquando da identificação de um surto, em Novembro último: “foi um momento marcante, o de comunicar aos utentes que havia um surto entre portas. Um cavalo de Tróia. Mas, com a ajuda de todos, num espírito de proximidade e partilha, conseguimos ultrapassar as dificuldades”, afirmou.

Segundo assumiu, esse foi um dos momentos mais difíceis que teve na sua vida, a par de uma outra situação, a entrada do primeiro utente numa unidade de retaguarda que a Misericórdia de Pernes criou.  

“O plano de contingência funcionou e o surto foi contido” afirmou Maia Frazão, que disse acompanhar a dor do confinamento dos utentes: “uma situação complicada, que se vêm privados do carinho dos filhos e netos”.

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