Imagem Ilustrativa

Moradores e o presidente da Câmara de Torres Novas estão contra a localização prevista para uma unidade de biometano na freguesia de Árgea, com o autarca a considerar que o concelho “não tem aptidão” para receber o projeto.

Numa nota hoje divulgada, o Movimento Defender Árgea e Aldeias Vizinhas assumiu estar preocupado com os cheiros, a qualidade do ar, uma eventual contaminação dos poços de onde muitas famílias ainda tiram água, o trânsito de camiões pesados e a desvalorização das casas, entre outros.

Na nota, aquele movimento de moradores frisou que não é contra o biometano, nem contra a transição energética, o que “não aceita é esta localização” e sublinha que o atual Plano Diretor Municipal (PDM) “exclui automaticamente qualquer projeto de energia renovável sujeito a avaliação de impacte ambiental”, como é o caso.

Também o presidente da Câmara de Torres Novas, se manifestou contra a instalação de uma unidade de biometano em Árgea na última reunião do executivo municipal.

“Na minha opinião, o concelho de Torres Novas não tem aptidão para receber uma unidade deste tipo e podem contar comigo para estar do vosso lado para defender esta causa”, declarou José Trincão Marques.

A sessão, que decorreu na tarde de terça-feira, ficou marcada por uma ampla participação popular, com vários moradores durante a reunião pública do executivo municipal, marcada por uma forte presença de moradores da zona de Árgea, na União de Freguesias de Olaia e Paço, a usarem da palavra para manifestar preocupação com os impactos ambientais, o aumento do tráfego pesado, os possíveis odores e os efeitos do projeto na qualidade de vida das populações, defendendo a sua relocalização para uma zona afastada de áreas habitadas.

O autarca revelou ter descoberto recentemente a existência de uma deliberação camarária de maio de 2025 que aprovou por unanimidade a localização proposta para a unidade, afirmando que apenas tomou conhecimento desse ato através da comunicação social.

“Eu desconhecia que tinha existido uma deliberação da Câmara Municipal, datada de 21 de maio de 2025, que aprovou a localização”, afirmou, acrescentando que não participou nessa decisão por ainda não integrar o executivo.

Segundo Trincão Marques, a proximidade da infraestrutura a habitações e localidades como Árgea, Barroca ou Carreira da Areia, o volume de resíduos previsto, o tráfego pesado associado e os potenciais impactos ambientais suscitam “sérias preocupações”.

“Defendo a produção deste tipo de energia, mas num outro local, num local que não seja habitado da forma que é aquele”, sustentou.

O presidente da Câmara referiu também que o PDM não permite este tipo de instalação na localização prevista, apontando esse instrumento de ordenamento como uma das vias para impedir o avanço do projeto.

“O PDM atual não permite este tipo de instalação”, afirmou, indicando que está a acompanhar o processo “muito de perto” e a estudar outras soluções legais para defender “o território, as populações, a biodiversidade e a qualidade de vida”.

Trincão Marques sustentou ainda que a situação “não é uma batalha perdida”, afirmando que o município dispõe de instrumentos urbanísticos e de outras vias legais para procurar travar o projeto na localização proposta.

Durante a reunião, o presidente da União de Freguesias de Olaia e Paço, Rui Nunes, reiterou a posição desfavorável da autarquia local à instalação da unidade de biometano junto à aldeia de Árgea.

O autarca defendeu que a freguesia não está contra a transição energética nem contra a valorização de resíduos, mas considerou que a localização escolhida “não é adequada” devido aos potenciais impactos sobre as populações, os recursos hídricos, a rede viária e a qualidade de vida.

Rui Nunes apelou ainda à Câmara Municipal para assumir uma posição “firme, inequívoca e desfavorável” relativamente ao projeto, acompanhando as preocupações manifestadas por moradores e associações locais.

A instalação da unidade de biometano tem gerado crescente contestação no concelho de Torres Novas e em municípios vizinhos localizados na sub-região do Médio Tejo, estando em curso uma petição pública e diversas iniciativas de mobilização cívica.

O projeto prevê uma unidade com cerca de 4,8 hectares, capacidade para tratar aproximadamente 100 mil toneladas anuais de resíduos biodegradáveis e uma vida útil estimada de 30 anos. O processo encontra-se em consulta pública até 25 de junho.

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