Um lar ilegal de Samora Correia, concelho de Benavente, registou cinco idosos mortos pela covid-19, avançou o presidente da câmara, referindo que os outros 38 utentes infectados estão a ser “devidamente acompanhados”.

“Os outros utentes estão a evoluir de uma forma que nos dizem tranquila, mas sujeitos aquilo que é o problema da covid-19”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, ressalvando que a informação que dispõe é de sexta-feira, prevendo-se um novo ponto de situação esta tarde.

Com 43 dos 44 utentes infectados com o novo coronavírus, o lar ilegal de Samora Correia foi encerrado e evacuado em 13 de Janeiro deste ano, por não existirem “condições mínimas para permanência” dos idosos, segundo o Instituto da Segurança Social (ISS).

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Neste âmbito, o único utente que teve resultado negativo no teste ao SARS-CoV-2 foi levado pelos familiares para uma unidade privada, enquanto oito idosos foram internados no Hospital de Vila Franca de Xira e os restantes 35, entre os quais a mãe da proprietária do lar, foram levados para a estrutura de apoio de retaguarda definida para o distrito de Santarém, o Centro Espiritual Francisco e Jacinta Marto, em Fátima.

Com base nos dados de sexta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Benavente revelou que, dos oito utentes encaminhados para o Hospital de Vila Franca de Xira, houve dois que faleceram por infecção da covid-19.

Dos 35 idosos que foram para o equipamento de retaguarda em Fátima, contabilizam-se “três óbitos e sete pessoas internadas no Hospital de Leiria”, apontou o autarca de Benavente.

Sobre as cinco mortes, Carlos Coutinho adiantou que, “nalguns casos, a informação era que estavam estáveis e, depois, em pouca horas, evoluíram em situação negativa, vindo a acontecer os óbitos”.

Durante a tarde hoje, a Câmara de Benavente vai fazer um novo ponto de situação sobre o estado de saúde dos restantes utentes, assegurando que “estão a ser devidamente acompanhados”, mas sem excluir a hipótese de se terem registados mais mortes.

No passado sábado (16 Janeiro), em resposta escrita à Lusa, o ISS  informou que a estrutura de apoio de retaguarda em Fátima se encontra “sob a gestão técnica da Segurança Social, com o apoio dos serviços clínicos e de enfermagem” do Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo e a intervenção da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, “ao nível logístico e de funcionamento do equipamento”.

Numa exposição feita pelos familiares de uma idosa, é afirmado que os utentes transferidos não tiveram acompanhamento médico e de enfermagem durante a deslocação e que, na chegada à estrutura de apoio, no dia 13 de Janeiro à noite, não receberam cuidados de higiene nem a medicação, situação que, afirmam, em alguns casos se prolongou até ao princípio da tarde de 14 de Janeiro.

Nessa denúncia, os familiares afirmavam que alguns dos idosos “apresentavam sinais de desidratação, febre, ansiedade e dificuldades respiratórias”, tendo três deles sido encaminhados para o Hospital de Leiria “descompensados, desorientados e desidratados”.

O ISS afirmou que os utentes foram recebidos pela direcção técnica em funções, pela equipa médica e de enfermagem e por elementos da protecção civil, sublinhando que, “por se tratar de um acolhimento em larga escala, o processo de admissão e acolhimento dos utentes foi naturalmente exigente”.

“Contudo, foram garantidos todos os serviços assistenciais aos idosos, tais como avaliação clínica e de enfermagem, cuidados individuais ao nível da higiene, da alimentação, do conforto e segurança”, garantiu o instituto.

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