O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos defendeu hoje que a construção de uma nova ponte da Chamusca é essencial para o desenvolvimento da região e para acabar com o “estrangulamento rodoviário que existe atualmente”.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do movimento, Mário Raposo, disse que a atual ponte está desatualizada para o volume de tráfego que tem e não permite o cruzamento simultâneo de veículos, resultando “em filas e em atrasos muito significativos”.

Segundo Mário Raposo, aquela infraestrutura não oferece uma resposta eficaz às necessidades de mobilidade das populações e às atividades económicas dos concelhos limítrofes (Chamusca, Golegã, Torres Novas, Entroncamento) e do distrito de Santarém.

“É uma zona com muito trânsito. Estes concelhos são atravessados diariamente por centenas de veículos pesados, sobretudo de mercadorias, para além de automóveis ligeiros que atravessam estas localidades todos os dias (…) a ponte não tem capacidade para suportar todo este movimento, o que acaba por provocar um estrangulamento rodoviário”, disse Mário Raposo.

Para o porta-voz, estes constrangimentos acabam por prejudicar a atividade económica das empresas sediadas na região, mas também das associações de produtores agrícolas que operam no território.

Foi com base nestas reivindicações que o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) do distrito de Santarém, entregou, no dia 15 de maio, na Assembleia da República, uma petição subscrita por mais de 4.000 pessoas, a pedir a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo, na Chamusca, e a conclusão do IC3, que faça a ligação da A13, em Almeirim, à A23 e A13, em Vila Nova da Barquinha.

“Esta ponte é essencial para o concelho da Chamusca e para os concelhos vizinhos. A ponte atual foi muito importante para o desenvolvimento regional, porque permitiu fazer uma ligação mais célere entre as duas margens do Tejo, mas hoje é uma ponte que, pelas suas características, está completamente desatualizada. Foram registados, nalguns dias, mais de 700 pesados a atravessar a ponte. E alguns desses pesados transportam mercadorias perigosas”, afirmou.

A propósito deste tema, a Câmara da Chamusca convocou, em 2022, uma reunião de emergência com várias entidades para discutir não só a construção da nova ponte, mas também a conclusão do IC3.

Na altura, num comunicado de imprensa, a Câmara alertou para os acidentes que estes constrangimentos rodoviários provocam, nomeadamente “acidentes com viaturas que transportam resíduos industriais perigosos”, podendo “criar um acidente ambiental incomensurável”.

Assim, a autarquia defende que a construção destas infraestruturas são fundamentais para “a acessibilidade e mobilidade”, para “o incentivo ao desenvolvimento económico e territorial (novas indústrias, melhoria do escoamento de mercadorias, redução de custos para empresas e comunidade)” e para a redução de riscos e de impactos ambientais.

A petição foi encaminhada para a Comissão Parlamentar de Economia, Obras Públicas e Habitação para apreciação pelos deputados que a compõem.

Mário Raposo refere ainda que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reconheceu a necessidade da nova ponte, mas lembra que, até ao momento, “ainda não há ações concretas para a construção” desta infraestrutura.

“Sabemos que há deputados favoráveis a este processo, mas a verdade é que passos concretos para esta medida ser concretizada, ainda não temos”, afirmou.

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