Foto Ilustrativa

O proTEJO alertou hoje para o incumprimento da Convenção de Albufeira, que regula a gestão hídrica entre Portugal e Espanha, e questionou a Comissão Europeia sobre medidas para assegurar um regime de caudais ecológicos no rio Tejo.

Em comunicado divulgado hoje, Dia Nacional da Água, o proTEJO – Movimento pelo Tejo, afirma que o ano hidrológico de 2024/2025 terminou com “cinco dias de incumprimento dos caudais mínimos diários de 1 hm3 [hectómetro cúbico] estabelecidos na Convenção de Albufeira, dois deles com caudal zero provenientes de Espanha”.

Paulo Constantino, porta-voz do movimento com sede em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, refere que, além desses episódios, registou-se também “uma enorme variabilidade dos caudais médios diários, (…) sobretudo durante os meses de verão”.

Para o movimento, esta situação revela “a ausência de um verdadeiro regime de caudais ecológicos” capaz de assegurar a conservação dos ecossistemas aquáticos e responder às necessidades económicas e sociais das populações ribeirinhas.

O proTEJO considera ainda que a albufeira do Fratel, que recebe as descargas da barragem espanhola de Cedillo, deve ser abrangida pela obrigatoriedade de definição de objetivos de caudal ecológico, como previsto na Diretiva-Quadro da Água (DQA).

A associação ambientalista critica o atual regime de caudais mínimos diários, resultante da divisão dos 7 hm3 semanais em 1 hm3 por dia, classificando-o como “insuficiente e orientado essencialmente para a produção de energia hidroelétrica”.

O movimento recorda que já apresentou, em conjunto com 31 organizações portuguesas, espanholas e europeias, uma denúncia à Comissão Europeia por incumprimento da DQA, exigindo a implementação urgente de caudais ecológicos transfronteiriços no Tejo.

Neste novo apelo, o proTEJO pede à Comissão Europeia que esclareça se tenciona emitir recomendações para Portugal semelhantes às que já fez a Espanha, bem como divulgue as conclusões das avaliações dos planos de gestão de bacia hidrográfica do Tejo nos diferentes ciclos de planeamento.

Entre as questões concretas colocadas à Comissão, o movimento questiona se deverá ser revista com urgência a definição de caudais ecológicos na barragem de Cedillo, em coordenação entre as autoridades portuguesas e espanholas, e se devem ser aplicadas medidas de prevenção e reparação de danos ambientais por parte das entidades gestoras e da concessionária hidroelétrica.

Leia também...

Governo vai criar comissão com autarquia e trabalhadores sobre reconversão da central do Pego

O Ministério do Ambiente anunciou hoje que vai ser criada uma comissão para avaliar os projectos concorrentes ao ponto de injecção na rede eléctrica…

GNR detecta descargas ilegais de pecuárias para linhas de água no concelho de Rio Maior

O Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) da GNR de Santarém detectou, no dia 26 de Dezembro, descargas ilegais de efluentes pecuários para linhas de…

Santarém promove debate sobre gestão sustentável da água

A Câmara de Santarém promoveu na sexta-feira, 15 de Fevereiro, uma conferência para divulgar e debater “soluções mais eficientes e eficazes” para garantir a…

Câmara da Azambuja realiza caminhada simbólica para pedir encerramento do aterro

 O executivo municipal de Azambuja realiza na quinta-feira uma caminhada simbólica para pedir o encerramento do aterro de resíduos instalado no concelho, que tem…