O movimento Mais Samora defende a criação do concelho de Samora Correia, localidade que integra o município de Benavente, argumentando que a freguesia reúne os requisitos demográficos, económicos e administrativos necessários para a autonomia.
Francisco Norberto, membro do movimento, disse à agência Lusa que, além da dimensão histórica da reivindicação, a evolução recente do território de Samora Correia justifica a proposta.
“Samora Correia tem crescido, tem ganhado dimensão geográfica e económica e prevê-se que o novo aeroporto venha a intensificar esse desenvolvimento”, disse.
Segundo o responsável, a freguesia concentra “mais de 60% da população” do concelho de Benavente e acolhe uma parte significativa da atividade económica, fatores que, na sua perspetiva, justificam uma estrutura administrativa autónoma.
“Na prática, já funciona como um concelho, faltando apenas a formalização institucional”, afirmou.
O movimento considera que uma eventual restauração do concelho permitiria uma gestão “mais próxima e mais ágil”, capaz de responder ao “crescimento previsto e às exigências futuras da população”.
Esta é a quarta tentativa organizada de relançar a causa. Francisco Norberto apontou “circunstâncias políticas de última hora” como principal motivo para o insucesso de iniciativas anteriores, apesar de terem reunido “apoios alargados e chegado a ser objeto de projetos de lei”.
“Tudo indicava que poderia avançar, mas houve decisões políticas que impediram a concretização”, referiu, acrescentando que a atual iniciativa pretende corrigir erros de processos anteriores, apostando numa estratégia “faseada e assente no envolvimento local”.
De acordo com o membro do movimento, ao contrário do passado, o processo está agora a começar pelo nível local, com contactos junto de autarquias, partidos e população, antes de avançar para a Assembleia da República.
“O objetivo é garantir transparência, participação e legitimidade antes de qualquer iniciativa legislativa”, disse.
O movimento sublinha que pretende manter um caráter apartidário, integrando cidadãos de diferentes sensibilidades políticas e áreas profissionais.
A estrutura inclui uma comissão executiva com cerca de uma dezena de elementos e a criação de um gabinete técnico com especialistas em áreas como direito, economia, saúde e educação.
Apesar de não avançar números concretos de adesão, Francisco Norberto afirmou que existe “uma participação dinâmica” e disponibilidade de vários cidadãos para colaborar no desenvolvimento do processo.
O responsável defendeu que o avanço da iniciativa dependerá da mobilização da população e da demonstração de apoio efetivo à causa, que será avaliada nas próximas etapas do projeto.
O movimento esteve presente na última reunião de Câmara de Benavente, onde a presidente da autarquia, Sónia Ferreira, defendeu que processos desta natureza devem ser analisados “com prudência e algum sentido estratégico”.
A autarca sublinhou que, nos últimos anos, têm sido criadas estruturas que visam “juntar e não separar”, com o objetivo de melhorar o acesso a financiamento europeu, dando como exemplo as comissões de coordenação e desenvolvimento regional.
Já o vereador do Chega na Câmara de Benavente, Paulo Cardoso, considerou que Samora Correia reúne condições para ascender a concelho, nomeadamente ao nível da viabilidade económica, dimensão populacional e existência de equipamentos coletivos, mas alertou para os impactos da separação no restante território do município.
Segundo Paulo Cardoso, o principal obstáculo prende-se com a necessidade de não fragilizar o concelho de origem, sublinhando que a saída de Samora Correia poderia provocar “um enorme desfalque” em Benavente.
A CDU, por seu turno, considerou que a criação de um novo concelho depende essencialmente de “vontade política”, enquanto o PS demonstrou abertura para analisar os pressupostos da proposta.
Samora Correia foi, durante vários séculos, sede de concelho, estatuto que perdeu na sequência da reforma administrativa liberal de 1836, responsável pela reorganização territorial do país e pela extinção de diversos municípios de menor dimensão. Até então, a localidade dispunha de administração municipal própria, tendo passado posteriormente à condição de freguesia.
