A mulher que em 2022 atacou os pais à facada em Samora Correia, no município de Benavente, ferindo mortalmente o pai, foi hoje condenada pelo Tribunal de Santarém a uma pena única de 25 anos de prisão.

Tânia Ferrinho, de 42 anos, foi acusada de dois crimes de homicídio, um qualificado e outro na forma tentada, depois de ter atacado os pais com uma arma branca, em 10 de outubro de 2022, no distrito de Santarém.

O pai acabou por morrer no Hospital de Vila Franca de Xira (no distrito de Lisboa), na sequência do crime, e a mãe cerca de três meses depois, por doença.

O acórdão do coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Santarém condenou a arguida a 22 anos de prisão pelo crime de homicídio qualificado do pai, Carlos Ferrinho, e a 11 anos e seis meses pelo homicídio na forma tentada da mãe, Maria Cristina Ferrinho.

Efetuado o cúmulo jurídico, Tânia Ferrinho foi condenada a uma pena única de 25 anos de prisão efetiva (a pena máxima permitida por lei) e ao pagamento de mais de 57.600 euros ao Hospital de Vila Franca de Xira, onde os pais estiveram internados na sequência do ataque.

“Nada, mas mesmo nada justifica o que aconteceu”, afirmou a presidente do coletivo de juízes, Sónia Vicente, na leitura do acórdão, afirmando-se “muito impressionada” com a violência dos crimes.

“Por muito raivosa ou descompensada que pudesse estar, a frieza da sua atuação foi muito impressiva”, acrescentou.

A tentativa de homicídio da mãe da arguida ocorreu dentro de casa, enquanto o esfaqueamento do pai aconteceu já num espaço comum do prédio, onde um vizinho, alertado pelos gritos, conseguiu fazer um vídeo.

“O seu pai já sangrava de forma muito abundante e não vi da sua parte nenhuma preocupação pelo que se estava a passar, nenhuma”, disse a magistrada, aludindo à filmagem.

Referindo-se a um processo de mudança de género a que a arguida se submeteu, Sónia Vicente disse não passar ao lado da situação, que “não deve ser fácil”, mas reiterou não haver justificação para os crimes.

Na leitura do acórdão, o tribunal considerou provado que em 10 de outubro de 2022 Tânia Ferrinho desferiu sete facadas na mãe, que se encontrava acamada e se deslocava em cadeira de rodas.

O pai, Carlos Ferrinho, tentou fugir, mas foi apanhado pela filha no patamar do prédio, onde foi golpeado nove vezes, seis nas costas e três no peito.

“A arguida bem sabia que podia provocar a morte, propósito que logrou alcançar”, refere o acórdão, em que o tribunal considerou que a mulher “sabia o que fazia e fez quase exatamente aquilo que quis”.

Na altura, Tânia Ferrinho estava a cumprir pena suspensa por um crime de violência doméstica contra os pais.

Nesse dia as agressões aconteceram após elementos da GNR terem estado na casa da família para entregar uma notificação relativa a mais uma queixa por violência doméstica.

No julgamento, a defensora da arguida, Maria João Alves, alegou que a mulher estaria sob um surto psicótico, facto que o tribunal não considerou provado.

O acórdão proferido hoje determina ainda a “indignidade” de Tânia Ferrinho para aceder à herança dos pais.

A advogada de defesa recusou esclarecer se irá recorrer do acórdão.

Leia também...

“É um privilégio poder fazer parte do órgão máximo que gere o Teqball a nível mundial”

O Teqball inspira-se no futebol e junta-lhe um toque de ténis de mesa: pratica-se numa superfície curva (a teqboard), não existe contacto físico entre…

Investimento dos municípios na reutilização de 27 imóveis do Estado ronda 8,5 ME

O investimento na reabilitação e adaptação de 27 imóveis do Estado que o Governo transferiu hoje para a gestão dos municípios ascende a 8,5…

Confinamento reduz em 50% número de novos casos em Tomar

As medidas de confinamento decorrentes da pandemia de covid-19 geraram “resultados animadores” em Tomar, tendo o município dado hoje conta de uma descida superior…

Escola Superior Agrária de Santarém recebe iniciativa “Enologia no Feminino”

A Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS) recebeu, no passado dia 31 de Janeiro, a iniciativa “Enologia no Feminino” na Sala das Cavalariças. As…