Os municípios com actividade taurina manifestaram-se hoje contra a alteração da idade para assistir a touradas, de 12 para 16 anos, com “profundo desagrado” em relação às “sucessivas e infundadas” tentativas políticas de “condicionar” aquela actividade.

Em comunicado, a Secção de Municípios com Atividade Tauromáquica da Associação Nacional de Municípios (ANMP) recorda que a tauromaquia é “reconhecidamente uma actividade cultural”, estabelecida na lei, como “parte integrante do património da cultura popular portuguesa”.

A Secção de Municípios com Atividade Tauromáquica recorda ainda que é tutelada pelo Ministério da Cultura, integrando também, através da secção de tauromaquia, o Conselho Nacional de Cultura, órgão consultivo daquele ministério.

“E é a própria Constituição da República Portuguesa que estabelece que o acesso às artes e à cultura deve ser assegurado em igual medida para todos os cidadãos, salvaguardando que o direito de acesso às actividades culturais se efectua em iguais condições para todos os portugueses”, pode ler-se no documento.

Ao Estado, recordam ainda, “compete promover” o livre acesso a toda e qualquer actividade cultural, “não impondo regras proibitivas” que “limitem” a liberdade de escolha dos cidadãos à fruição e criação cultural, “muito menos deliberar em função das vontades de uma pequena minoria” de cidadãos, permitindo a “imposição” de uma “ditadura de gostos” sobre a “vontade expressa” de uma “larga maioria” dos portugueses.

A idade mínima para assistir a uma tourada em Portugal vai passar de 12 para 16 anos, decidiu na quinta-feira o Conselho de Ministros.

Esta medida surge na sequência do relatório do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas de 27 de Setembro de 2019, que defende o aumento da idade mínima para assistir a espectáculos tauromáquicos em Portugal”, explicou o Governo no comunicado com as decisões tomadas naquele dia.

Os 16 anos são também a idade mínima para “o acesso e exercício das actividades de artista tauromáquico e de auxiliar de espectáculo tauromáquico”, acrescentou o Governo no comunicado.

O Comité das Nações Unidas para os Direitos das Crianças tinha recomendado a Portugal a alteração da idade mínima para assistir a touradas para os 18 anos.

Para a Secção de Municípios com Atividade Tauromáquica, a educação das crianças “cabe apenas” aos seus pais e tutores, pelo que, na tauromaquia como em qualquer outra actividade social e cultural, apenas a estes “caberá decidir livremente” sobre a fruição cultural e a participação em eventos de natureza lúdica e recreativa, desportiva, artística, política, religiosa, entre outros.

Nesse sentido, sublinham ainda o que está definido no “ponto 2 do artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa”, quando refere que: “O Estado não pode programar a Educação e a Cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”.

Deste modo, os municípios manifestam a “firme intenção” de garantir o “respeito” pelos direitos e liberdades das crianças e dos seus pais, pugnando “não só” pela manutenção da classificação etária da tauromaquia para maiores de 12 anos, mas também “reafirmando” que os menores são cidadãos de “pleno direito” em Portugal.

“E poderão sempre, mesmo com a eventual alteração, continuar a fruir de todos os espectáculos, incluindo os espectáculos tauromáquicos, sempre que acompanhados pelos pais ou um adulto, pois a classificação etária é unicamente uma recomendação e nunca uma proibição”, acrescentam.

A Secção de Municípios com Atividade Tauromáquica é composta por 40 autarquias: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Almeirim, Alter do Chão, Angra do Heroísmo, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Barrancos, Beja, Benavente, Calheta (Açores), Cartaxo, Chamusca, Coruche, Cuba, Elvas, Fronteira, Golegã, Moita, Monforte, Montijo, Moura, Pombal, Portalegre, Praia da Vitória, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sabugal, Salvaterra de Magos, Santa Cruz da Graciosa, Santarém, Setúbal, Sobral de Monte Agraço, Sousel, Tomar, Velas, Viana do Alentejo, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha.

Leia também...

‘De passagem’, “exposição mais curta da temporada” traz desenho e poesia a montras de loja

Entre uma loja para arrendar e uma loja arrendada abriu-se um intervalo efémero. Uma iniciativa espontânea na loja do nº 50 da Rua 1ª de…

Aldeia de Chãos acolhe encontro sobre moedas sociais e prepara moeda local

A aldeia de Chãos, no concelho de Rio Maior, recebe, no dia 2 de Novembro, um Encontro sobre Moedas Sociais, que apresentará a “germinação”…

Centro Dramático Bernardo Santareno leva ao Teatro Sá da Bandeira “A Mulher que Cozinhou o Marido”

O Centro Dramático Bernardo Santareno leva este sábado, 21 de Janeiro, pelas 21h30, ao palco do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, o espectáculo…

Festival de Estátuas Vivas regressa às ruas de Santarém

O Festival de Estátuas Vivas de Santarém regressa às ruas do centro histórico de Santarém de 5 a 7 de Agosto, numa parceria entre…