O Museu da Boneca, instituição tutelada pela Câmara Municipal de Alcanena, comemorou 12 anos de existência. Trata-se de um equipamento tutelado pela Câmara Municipal Alcanena que expõe e divulga uma colecção visitável de bonecas, propriedade de Rosa Maria Vieira, que, ao longo dos anos, reuniu já cerca de 9000 exemplares de bonecos e bonecas das mais variadas formas, tamanhos e materiais.

A exposição permanente reúne vários modelos de bonecas trabalhadas em cerâmica. A fragilidade dos materiais de fabrico e o requinte do vestuário fizeram destes exemplares peças de carácter iminentemente decorativo. Nesta sala podem observar-se miniaturas, bonecas à escala para casas de brincar e vitrinas, assim como peças de maiores dimensões adequadas à decoração de espaços mais amplos. As feições de bebé e de menina, uma constante na exposição, permitem-nos perspectivar um pouco do que tem sido o gosto dos adultos por este tipo de brinquedo em particular.

Num ambiente informal e descontraído propõe-se, no âmbito das exposições temporárias, uma visita a bonecas modernas em tecido, esferovite, madeira, borracha e plástico, que foram, e são, objecto de brincadeira dos mais jovens. Podem, desde modo, conhecer-se objectos que têm, ao longo de gerações, contribuído para a criatividade das crianças – como as marionetas e os fantoches – e para o seu desenvolvimento afectivo: imitações de bebés, bonecas articuladas e interactivas, bonecas manequim para vestir e enquadrar em cenários privados e públicos (edifícios e espaços), personagens, figuras de acção e heróis usados para simular histórias de ficção ou miniaturas em plástico que vivem em constante aventura.

Para além da área expositiva, o Museu da Boneca compreende também um espaço onde, através de materiais didácticos alusivos à colecção, incentivar-se-á a interpretação e assimilação de algumas noções de património material e imaterial.
O Museu integra ainda um Hospital de Bonecas, espaço interactivo, onde o visitante pode assistir ao arranjo de brinquedos, efectuado pela proprietária da colecção, com o intuito de comunicar a importância de cuidar do património.

Aqui, as bonecas “doentes” podem ser tratadas de todas as maleitas, mas também cuidar da imagem e até sair com roupa nova.

A ideia do hospital/museu de bonecas nasceu quando a casa da sua “patrona”, Rosa Vieira – “mãe” de cerca de 4000 bonecas, a maioria das quais “ressuscitada” do lixo -, começava a não ter espaço para uma colecção que rondava na altura as mil peças. Tudo começou com a ideia de levar algumas dessas bonecas para a tasquinha que Rosa Vieira montou na Feira de Artesanato desse ano.

A partir daí, a colecção não parou de crescer, com ofertas de particulares, mas também de fábricas, como a Famosa Portuguesa que, quando encerrou a logística há um ano, lhe enviou mais de 500 bonecas, algumas de colecção, além de roupas, ou a fábrica açoriana que fechou há quatro anos e que lhe enviou moldes para fabrico de bonecas, alguns com mais de 30 anos.

Contudo, Rosa Vieira confessou que a grande fonte da sua colecção é o lixo e são os lixeiros que aparecem frequentemente à sua porta com mais uma boneca sem braços ou sem pernas. Também lhe chegam raridades, como a que uma mulher de Santarém lhe entregou: uma boneca em papelão e cabeça de porcelana feita na Alemanha, dotada de um mecanismo de corda, de que só se conhecem três exemplares, dois deles em museus.

Num dos quartos, vestida de branco e em destaque, está a primeira e única boneca da infância de Rosa Vieira, conquistada com muita dificuldade aos sete anos, mas esta mulher de 56 anos assegura ser incapaz de dar qualquer uma das suas “filhas”.

O Museu da Boneca está aberto ao público de terça a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, e aos sábados e domingos, das 14h00 às 18:00h, mediante marcação prévia, com antecedência mínima de 5 dias úteis, para grupos a partir de 10 pessoas.

O Museu conta com a exposição permanente renovada, a que se junta a exposição temática “Fadas”, que pode ser visitada até 10 de Setembro de 2021.

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