Neste domingo, derradeiro dia do mês de outubro, regressa uma das melhores corridas de estrada de Portugal: os 20 Km de Almeirim.

Longe vai a primeira edição em 1987, na qual participei envergando a camisola da União de Santarém.

Não deixa de ser curioso notar que foram os grandes feitos dos nossos atletas, em especial do Carlos Lopes e da Rosa Mota, que inspiraram muitos portugueses a treinar e a participar nas chamadas provas populares de estrada por esse País fora.
Veja-se o boom ocorrido logo após a medalha de ouro portuguesa na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984.

Eu próprio sou um exemplo disso mesmo. Comecei a participar de forma regular em corridas de estrada logo a seguir, juntamente com muitos outros escalabitanos, destacando aqui apenas o saudoso José Júlio Batalha, companheiro de tantas corridas a quem presto aqui a minha homenagem e, já agora, o seu irmão e meu grande amigo António Batalha, com o qual continuo em saudável disputa de veteranos.

Inspiração não nos faltava! No entanto, a maior parte de nós limitava-se pura e simplesmente a treinar/correr sem qualquer espécie de orientação ou enquadramento técnico.

Participávamos em provas de estrada (e, mais raramente, de corta-mato) quase todos os fins de semana: Algés-Oeiras, Almeirim, Alpiarça, Asseiceira, Benavente, Benfica do Ribatejo, Cartaxo, Cascais, Constância, Coruche, Lisboa, Mafra, Mendiga, Nazaré (Rainha das Meias-Maratonas), Peniche, Pontével, Póvoa da Isenta, Ribafria, Salvaterra de Magos, Samora Correia, Tomar, Vale de Santarém, só para dar alguns exemplos de localidades onde se realizavam provas em que participámos.

Primeiro pela União de Santarém – que se limitava, algumas vezes, a fornecer transporte numa vetusta Ford Transit – depois pela Truxi, do nosso António Silva, também ele corredor, mais tarde pelos Santarenos e, por último, pelos Scalabis Night Runners.

Durante décadas, o ponto de encontro foi a pista da Escola Agrária. Sem condições, sobretudo no inverno, por nem sequer ter manutenção da drenagem, era dali que normalmente partíamos para as voltas da Romeira, do Pinhal, ou das Fontaínhas, para além de outros circuitos, tantas vezes definidos na hora.

A passagem pelas camadas jovens do futebol da Associação Académica de Santarém – escalões de iniciados e juvenis – também me tinha ajudado, uns anos antes, a cimentar a paixão pela corrida durante os treinos (tantas vezes quase às escuras, no seminário, onde hoje há um parque de estacionamento).

Lá voltarei este domingo aos 20 km de Almeirim – o percurso mais rápido do País – levando comigo o descendente e sem conseguir largar o vício (inato ou adquirido?) das corridas.

Inato ou Adquirido – Pedro Carvalho

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