A Orquestra Típica Scalabitana celebra 80 anos de música e tradição com um concerto no próximo dia 14 de março, às 21h30, no Convento de S. Francisco.
O evento, dedicado à musica tradicional, integra as Festas de S. José e pretende celebrar a história da orquestra, feita de cultura, identidade e paixão pela música.
A Orquestra Típica Scalabitana formou-se em 1946, mas foi em Março de 1947 que se integrou no Orfeão Scalabitano, como uma das suas secções. O maestro António Gavino, jovem músico amador e autodidacta, de 23 anos de idade, portador de um filão criador inexplorado até então, foi o seu fundador.
Criador da famosa “Marcha Ribatejana”, António Gavino imprimiu à orquestra o seu cunho pessoal, a filosofia de um estilo, tendo conseguido a continuidade da música popular e regional do Ribatejo. Em 1996, a Câmara Municipal de Santarém atribui-lhe a Medalha de Ouro da Cidade, no seu 50.º aniversário.
A partir de 1949, e com o aumento do número de vocalistas, estas passaram a vestir saia vermelha plissada, avental bordado, blusa colorida e lenço na cabeça conforme usavam as mulheres da zona da lezíria, naquilo que é conhecido como “traje à moda de Almeirim”. Os vocalistas trajavam “à campino” tal como os instrumentistas, enquanto os maestros passaram a vestir o fato domingueiro usado pelos grandes proprietários da região. Só a partir da década de 60 é que os trajes passaram a representar o Ribatejo do bairro à lezíria passando pela charneca.
A Orquestra Típica Scalabitana tornou-se, então, uma assídua participante em saraus de carácter regionalista como representante do Ribatejo.
Recuando no tempo, no ano de 1950, a orquestra já contava com 26 executantes e actuava pelas principais cidades do País, estreando nesses espectáculos êxitos que perduraram até aos nossos dias, pelas vozes emblemáticas de solistas como Matilde Gavino, irmã do Maestro, Maria José, Manuel Afonso, Adelaide dos Anjos ou Hélder Santos.
