João Mendes – Fio Dourado

DIVULGAÇÃO APRODER

O lagar de azeite da Fio Dourado existe na família dos seus sócios há mais de um século. Em 1991, passou a ser explorado por João Vítor Reis Gomes Mendes, que herdou o lagar tradicional de prensas, e o foi remodelando e modernizando, tanto a nível de instalações como de equipamentos. “Na Fio Dourado, estamos conscientes da confiança que os nossos clientes depositam no nosso trabalho, quando trazem até nós a sua azeitona, e quando colocam o azeite que produzimos à mesa das suas famílias. É essa confiança que nos motiva a continuar seguindo os valores que, ao longo dos anos, têm feito com que acreditem em nós”, assegura o empresário que tem como bandeira o compromisso com a segurança alimentar e a qualidade dos produtos que comercializa. A Fio Dourado actua na fileira do azeite, sobretudo na transformação e comercialização, com o objectivo de criar valor, maximizar a satisfação de todos os agentes que interagem a fileira. O azeite comercializado com a marca Quinta do Juncal foi por diversas vezes distinguido em concursos, estando implantado no mercado a nível regional e nacional, sobretudo na restauração e em lojas do segmento gourmet, tendo também procura em alguns mercados internacionais, para onde é exportado.

Quais são as origens da empresa?

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O primeiro registo que temos deste Lagar é de 1896, numa escritura de partilha do nosso trisavô com um irmão. Isto quer dizer que este Lagar já existe há, pelo menos, cinco gerações. É uma empresa familiar, que foi crescendo aos poucos e acompanhou toda a evolução tecnológica e de exigência de qualidade que se operou na fileira. Começámos por uma linha de extracção, que fazia cerca de 1500 kilos por hora, 35/40 toneladas por dia. E, depois, fomos aumentando a capacidade de laboração à medida das solicitações dos produtores. Depois desta primeira linha, instalámos uma linha de maior capacidade e alguns anos após, uma terceira linha de extracção. Na Fio Dourado queremos manter a confiança que os nossos clientes depositam no nosso trabalho, quando trazem até nós a sua azeitona, e quando colocam o azeite que produzimos à mesa das suas famílias. É essa confiança que nos motiva a continuar seguindo os valores que, ao longo dos anos, têm feito com que acreditem em nós.

A que apoios recorreu para fazer crescer a sua empresa?

Na nossa empresa, estamos muito atentos às novidades do sector e procuramos colocar à disposição dos nossos clientes a melhor tecnologia disponível. Temos, por isso, desenvolvido estudos que nos permitam melhorar a eficiência dos processos, estabelecendo parcerias com entidades oficiais, produtores, clientes, associações profissionais e comunidade científica. É neste campo que entra a APRODER, à qual candidatámos um projecto que nos permite, de uma forma mais eficiente, dar resposta aos pequenos olivicultores que nos solicitam a laboração da sua azeitona separadamente, por forma a consumirem o seu próprio azeite. Neste projeto foi adquirida uma linha de extração que inclui um sistema de batedeiras e um decanter de maior capacidade, mais adequados em termos de dimensão, às quantidades de azeitona que nos são entregues. Para além destes equipamentos foi ainda adquirido um quadro elétrico e bombas de massa e de bagaço. Este conjunto de investimentos permitiu-nos aumentar a capacidade para servir melhor um grande número de pequenos produtores de relativamente pequena dimensão, que nos trazem a sua azeitona e a querem transformada no mais curto espaço de tempo possível.

Com a nova capacidade instalada nesta linha dos pequenos produtores (80 toneladas de azeitona/dia), temos a capacidade de proceder à sua transformação, no prazo máximo de 24 horas, o que favorece a qualidade do azeite obtido, que será tanto melhor quanto mais depressa for transformada após a sua colheita.

Na Fio Dourado, temos um compromisso claro: queremos crescer de um modo sustentável, utilizar processos tecnologicamente eficientes, ambiental e socialmente responsáveis, que nos permitam obter produtos seguros do ponto de vista alimentar e superar as expectativas dos nossos clientes.

Os apoios para a olivicultura têm sido os suficientes?

São precisos apoios do Ministério da Agricultura, do Ministério do Ambiente e, também, da parte do Turismo. Repare: estes produtores, com os seus olivais actuam a diferentes níveis, que vão desde a prevenção da poluição à manutenção dos recursos paisagísticos tradicionais da região e das condições do meio ambiente. Nos anos 80, toda esta Zona do Bairro [de Santarém] era coberta de olivais tradicionais, que foram arrancados porque, por um lado, existiam incentivos monetários para isso, e por outro lado o preço relativamente elevado dos cereais que então se praticava. Eu sempre achei que esta opção descaracterizava a paisagem da nossa região, e por isso, agora há que preservar e defender os que ainda existem. Mas, para manter esses olivais, porque eles não são viáveis economicamente, têm que existir outro tipo de apoios que não sejam só os resultantes da sua produção. Estas explorações podem ser uma atracção ao nível do turismo e há que reconhecer, também, o seu papel fulcral que representam em termos ambientais, servindo, por exemplo, de barreiras contra incêndios. Defendemos, há bastante tempo, que estes pequenos produtores não podem ser abandonados, pois são os guardiões de uma paisagem que desde sempre foi ex-líbris da nossa região.

A sua empresa tem preocupações com o ambiente?

Na Fio Dourado, assumimos um claro compromisso com a segurança alimentar dos nossos produtos, com a prevenção da poluição e a manutenção dos recursos e das condições do meio ambiente. Damos, inclusivamente, todo o apoio técnico aos produtores nossos parceiros acerca do que devem fazer para que a produção seja o mais sustentável possível. De referir que o olival é uma cultura que tem um balanço do carbono negativo: em todo o circuito, desde a produção da azeitona até à saída do azeite do lagar, consome sempre mais carbono do que aquele que produz. A oliveira é uma árvore de folha persistente – mantem a folha todo o ano – e todo o ano consome carbono. Mas a nossa preocupação ambiental não vem só desta geração. Já o meu avô, à época, evidenciava esta consciência ecológica, com a preocupação de não deixar ir as águas ruças para os cursos de água: tinha uma fossa onde guardava as chamadas águas ruças do lagar e, durante o Verão, elas eram espalhadas nas zonas mais altas dos terrenos, onde a sua fertilidade é mais baixa. Lembro-me de ir com ele ver as culturas e notava-se bem as zonas onde tinha chegado a tal água ruça. Actualmente, temos lagoas para onde a água que sai do sistema de lavagem, quer da azeitona, quer do azeite, é encaminhada e, posteriormente, é injectada no sistema de rega que temos nos olivais. As folhas, por sua vez, sofrem um processo de compostagem e são usadas como fertilizante orgânico. Quanto aos bagaços, são encaminhados para outras indústrias que fazem o seu aproveitamento industrial. Da azeitona que transformamos, tudo é aproveitado (azeite, folhas, água de lavagem e bagaço), numa lógica de economia circular.

Há, portanto, uma aposta clara na qualidade, o que transforma este azeite num produto diferenciado?

Como já referi, a azeitona que chega, quer seja de pequenos ou grandes produtores, é transformada, no máximo, nas 24 horas seguintes, o que contribui para obter azeites de uma qualidade superior.

A marca de referência do azeite embalado e comercializado pela Fio Dourado é o Azeite Quinta do Juncal, disponível em lotes diferenciados pelas suas características, conferidas pelas diferentes variedades que constituem cada lote. A Fio Dourado tem participado em alguns concursos de azeite, tendo visto, por diversas vezes, os seus produtos premiados.

Como é que esta produção diferenciada contribuiu para dinâmica do negócio?

Conseguimos alguma diferenciação em termos de valor de comercialização, em função da alta qualidade dos azeites que produzimos. Uma coisa que garantimos a quem aqui labora as suas azeitonas é que, se não tiver escoamento para o seu azeite, nós a sua comercialização. Esta é mais uma razão para termos uma grande preocupação em termos de qualidade. Quando produzimos, não sabemos se o azeite destes pequenos produtores se destina, na sua totalidade a autoconsumo, ou se uma parte fica no lagar para venda posterior, e também por isso, temos de garantir sempre a produção de azeite de qualidade superior. Na zona de recepção do lagar, começamos por fazer um primeiro controlo da qualidade da azeitona, só recebendo azeitonas sãs, que irão permitir obter bons azeites, que, após produzidos com o máximo rigor em todo o processo, serão analisados previamente à sua expedição, quer seja a granel ou embalado.

Todo o azeite destinado a embalamentos é analisado em laboratório externo, comprovando a ausência de quaisquer contaminantes e a segurança alimentar.

O que espera da campanha deste ano?

Todos sabemos que a oliveira, dependendo das variedades, é mais ou menos alternante em termos de produção. Há um ano em que produz muito e, no ano a seguir, produz menos. São os chamados anos de safra e contra-safra. O que verificamos é que, desde que há registos (cerca de 1930), os anos de data ímpar correspondem a uma produção mais elevada.

no nosso lagar, a quantidade de azeitona laborada anualmente varia entre cerca das 5 mil toneladas de baixa produção, como no ano passado, e cerca das 10 mil toneladas, nos anos de maior produção, o que significa que, em termos de azeite produzido (em função também do rendimento das azeitonas), podemos produzir cerca de 1 milhão e meio de litros de azeite.

Nas nossas instalações, temos neste momento, instalada uma capacidade de armazenagem de cerca de 2 milhões de litros de azeite, o que armazenar temporariamente toda a produção de uma campanha, podendo assim, esperar pela melhor oportunidade de venda em termos do preço a que os produtores irão vender o seu azeite.

Qual é, actualmente, o volume de negócios da Fio Dourado?

O nosso volume de negócios médio, anual, é de cerca de dois milhões e meio de euros, resultante da prestação de serviços que fazemos e da comercialização do azeite aqui produzido.

Aproximadamente um terço do azeite produzido na Fio Dourado é destinado ao autoconsumo ou venda privada, principalmente pelos pequenos produtores, não entrando por isso, no nosso volume de negócios. O restante é comercializado para o mercado nacional e de exportação, na sua maioria, através da Fio Dourado, tanto a granel como embalado, com a nossa marca ou marca própria de alguns clientes.

Qual é a tipologia da empresa?

Trata-se de uma empresa familiar, classificada como PME – Pequena Empresa, cujos sócios sou eu e a minha mulher. De sublinhar que todo o crescimento verificado na Fio Dourado, tem sido apoiado pelos programas de investimento a que nos temos candidato e também por financiamentos, com vista ao desenvolvimento empresarial. Actualmente, o quadro de pessoal da Fio Dourado é composto por dez funcionários em funcionários em regime permanente, sendo reforçado na época de laboração, de acordo com as necessidades, com seis a oito colaboradores regime temporário.

Para acompanhar o aumento da nossa capacidade de laboração, temos sentido a necessidade de aumentar o nosso quadro de pessoal permanente, procurando manter a estabilidade das equipas e apostando na sua formação para que consigam tirar o máximo rendimento da utilização dos nossos equipamentos, e que tudo isto resulte em benefício dos nossos clientes.

Isto não é só chegar aos comandos dos equipamentos e carregar no botão… os nossos colaboradores têm que ter um perfeito conhecimento para, em função da azeitona que nos chega, saberem quais os ajustes a fazer em qualquer equipamento, por forma a conseguir o maior rendimento possível, nunca descurando a qualidade do azeite obtido.

Qual acha que devia ser o novo nível da APRODER no próximo quadro comunitário de apoio?

Estamos a viver um momento peculiar, que não permite fazer previsões assertivas a longo prazo. Mas uma das apostas seria, sem dúvida, apoiar, para além dos investimentos ligados à produção, projectos com uma componente baseada também na vertente turística ligada à paisagem e às tradições da nossa região. É um segmento que está a sofrer bastante, mas que pode ter um papel importante: temos acordos com empresas de turismo para que promovam visitas quer aos nossos olivais, quer ao nosso lagar, porque sentimos que as pessoas cada vez mais procuram ter um conhecimento de como esta fileira se processa e, o azeite, para além de, comprovadamente, ser um produto saudável, está na moda.

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