Dois homens foram detidos por estarem “fortemente indiciados pelos crimes de peculato e de falsificação”, tendo lesado uma junta de freguesia do concelho de Sardoal em valores na ordem dos 135 mil euros, anunciou hoje a Polícia Judiciária.

Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, revela que a acção decorreu “no seguimento de denúncia recebida em setembro passado”, efetuada pela presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, e da “investigação entretanto desenvolvida”.

Hoje, é acrescentado, foram cumpridos os mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público de Tomar a dois homens, um dos quais antigo secretário da junta de freguesia de Santiago de Montalegre, no concelho do Sardoal.

Fonte da PJ disse à Lusa que “o outro detido é empresário na região e que o então secretário da junta é contabilista de profissão”, existindo entre os dois uma “relação de amizade e profissional, o que permitiu o conluio para tirar dinheiro da junta que usaram em proveito dos negócios” de ambos.

“A factualidade relatada indicava a apropriação por um dos arguidos, entre 2017 a 2022, no exercício da função de secretário da junta, de valores ainda não cabalmente apurados, superiores a 135 mil euros”, adianta a PJ, na nota.

Ainda segundo a PJ, o antigo secretário da Junta de Freguesia, “fazendo seu o dinheiro público, através de movimentos com cartão bancário, transferências ou por falsificação de cheques da junta, aplicava parte dos valores em benefício de outrem, pessoa das suas relações privilegiadas e coarguido, também detido”.

Na nota, a PJ refere ainda que, “quando detetados, e de forma a afastar as suas responsabilidades, os arguidos, em coautoria, fizeram crer aos atuais responsáveis políticos locais que os dinheiros da junta haviam sido utilizados em aplicações rentáveis, falsificando documentos bancários”.

Em declarações à Lusa, a presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, Dora Santos, confirmou ter sido ela a fazer a participação da suspeita de desvio de dinheiro.

“Sim, confirmo a presença da Polícia Judiciária nas instalações da Junta de Freguesia, no passado mês de setembro, e fui eu a fazer nesse mês a participação da suspeita de desvios de dinheiro às autoridades”, disse a autarca, eleita pelo PSD.

Ainda segundo Dora Santos, o antigo secretário ainda “propôs devolver o dinheiro”, mas tal “nunca aconteceu”.

Na Assembleia de Freguesia realizada em 03 de outubro, onde se debateu a questão, foi votado favoravelmente o pedido de renúncia de mandato do secretário, que invocou “razões pessoais”, relatou.

Dora Santos acrescentou ainda que o antigo secretário terá garantido ao executivo da Junta de Freguesia que “iria devolver o dinheiro até ao dia 30 de setembro, o que não aconteceu”, tendo sido “proposta, por ‘e-mail’, nova data de reposição do dinheiro”, até 07 de outubro, “o que também não se verificou”.

Segundo a PJ, os detidos serão presentes às autoridades judiciárias para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

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