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A Comissão de Utentes do Médio Tejo reafirmou a oposição à unidade de biometano em Árgea, Torres Novas, após uma reunião que mobilizou cerca de 150 pessoas, tendo anunciado hoje a criação de uma plataforma alargada de mobilização cívica.

O porta-voz da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo, Manuel José Soares, afirmou hoje à agência Lusa que a reunião, realizada na segunda-feira, mostrou uma rejeição generalizada ao projeto por parte dos participantes, incluindo residentes de zonas limítrofes do concelho de Torres Novas e de municípios vizinhos.

“Houve mais de 20 intervenções e as pessoas disseram unanimemente que não querem a unidade de biometano em Árgea e na região do Médio Tejo”, afirmou, sublinhando que a posição dos presentes na reunião de segunda-feira se estende também à recusa de instalação “junto a zonas habitacionais ou com atividade humana”.

A Comissão de Utentes defende que a localização de uma infraestrutura desta natureza levanta preocupações relacionadas com impactos ambientais e na qualidade de vida, incluindo consumo de água, tráfego pesado e potenciais efeitos sobre o ar e linhas de água.

Segundo os documentos associados a uma petição pública em circulação, a infraestrutura poderá implicar a receção de cerca de 270 toneladas diárias de resíduos orgânicos, como estrume, chorume (efluentes pecuários) e gorduras, bem como a circulação de dezenas de camiões em vias locais consideradas inadequadas.

Entre os argumentos apresentados, os promotores da contestação alertam ainda para a possível desvalorização de património e para riscos associados à degradação da qualidade de vida da população.

A petição “Não à Unidade de Biometano em Árgea e na Região Médio Tejo” já está a ser promovida no terreno, com recolha de assinaturas, e defende que projetos de energia alternativa devem ser instalados longe de zonas habitacionais.

Apesar da oposição à localização, a Comissão de Utentes sublinha que não é contra a transição energética, mas sim contra a instalação da unidade nas proximidades de áreas residenciais.

“Não somos contra as energias alternativas, mas devem ser instaladas longe das zonas habitacionais”, reiterou Manuel José Soares.

A estrutura representativa anunciou a intenção de avançar com uma plataforma de coordenação que envolverá comissões de utentes, coletividades locais e outros grupos de cidadãos, com o objetivo de reforçar a pressão junto das entidades públicas.

Segundo Manuel José Soares, o objetivo é “envolver milhares de cidadãos nesta causa” e acompanhar o processo junto da administração central, uma vez que a decisão final não dependerá apenas do poder local.

A comissão prevê ainda ações de esclarecimento público e participação em reuniões autárquicas já agendadas no concelho de Torres Novas, bem como iniciativas de mobilização nos próximos dias.

O projeto de instalação de uma unidade de biometano em Árgea tem motivado contestação crescente na região do Médio Tejo, incluindo posições críticas de autarquias locais e iniciativas de participação pública.

Segundo informação já anteriormente divulgada, o projeto prevê uma unidade com capacidade para tratar cerca de 100 mil toneladas anuais de resíduos biodegradáveis e uma vida útil estimada de 30 anos, estando em consulta pública.

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