Luís Seabra preside actualmente à Associação dos Agricultores do Ribatejo, instituição com 45 anos de história e que representa cerca de 350 associados.

Que balanço faz da presença da AAR – Associação dos Agricultores do Ribatejo na Agroglobal?
Tenho que destacar e agradecer publicamente a coragem do Pedro Torres e do Manuel Paim, nossos associados, de avançarem para a sua organização, quando ainda subsistiam muitas dúvidas dos condicionamentos da Pandemia. O sucesso estrondoso da Agroglobal 2021, é bem merecido e todo o Sector e País ficaram revigorados para retomar a normalidade e enfrentar os novos desafios que temos pela frente. Para a AAR, é também um ponto de partida com a forte relação que estabelecemos com as quatro Entidades oficiais – Câmaras de Santarém e Cartaxo, CIM Lezíria do Tejo e Águas de Santarém. Juntos estivemos na Agroglobal e Juntos vamos continuar a cuidar do território. As sessões de trabalho que tivemos no pequeno auditório que partilhámos, partiram duma ideia comum – Ordenar o Território Rural e projectar o seu futuro.
Todas as sessões foram transmitidas em directo pelas Águas de Santarém, disponibilizamos links no nosso site, e nelas ficaram registadas – Projectos, Ideias e desafios – com o objectivo/compromisso de todos sermos consequentes e prestarmos contas na próxima Agroglobal.
Destaque para o Manifesto assinado no último dia pelas três CIM do Tejo – Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Beira Baixa – a favor do projecto Barragem do Alvito cheia em 2030. Um grande exemplo de coesão territorial e defesa do interesse nacional

A Associação dos Agricultores do Ribatejo está a assinar os seus 45 anos. Ao longo destas décadas qual tem sido o papel da Associação no desenvolvimento do sector na região?
Recuando no tempo, em 1976 a defesa dos interesses patrimoniais dos seus Agricultores seus Associados, era o principal foco, pelas ameaças do período conturbado pós 25 de Abril.
O primeiro acordo colectivo de trabalho, foi também da responsabilidade da AAR, ainda hoje responsável pela negociação com os Sindicatos, para os Distritos de Lisboa, Leiria e Santarém.
Com a gradual estabilização das relações laborais e retoma da confiança na propriedade privada, a AAR começou a disponibilizar vários serviços de apoio aos Agricultores, que ao longo dos anos tem vindo a actualizar. No período de pré-adesão, como após a integração Europeia, manteve contactos permanentes com os diversos organismos, como associada e representante da CAP, e também com representantes nos seus órgãos oficiais. Hoje em dia, continuamos com a CAP a trabalhar em conjunto para defender os interesses dos Agricultores e do Sector primário. O foco actual da Direcção que presido, é apresentar propostas para ordenar o território da Região Ribatejo e promover o seu desenvolvimento com todos os envolvidos.
Sendo a água um factor decisivo na nossa região, temos e defendemos ideias próprias sobre os objectivos que consideramos prioritários e para a Região, que passam pelo reforço da capacidade de armazenamento de água no Tejo – que é um Projecto Nacional pois é estratégico para todo o território a Sul do Rio Tejo.

A AAR foi promotora de um seminário pela defesa da barragem do Alvito. Qual a importância desta infra-estrutura para a região e País?
A importância estratégica da Barragem fá foi reconhecida pelo próprio Ministro do Ambiente que em Abril 2019, em ambiente de seca, prometeu estudo no prazo de um ano – infelizmente continuamos a aguardar – apesar do paradoxo de, em paralelo, se referir diariamente a urgência de tomar medidas para combater as alterações climáticas. Esclareço para quem não sabe o seguinte: A Barragem do Alvito é num afluente do Rio Tejo – o rio Ocreza – que se situa Beira Baixa. Espanha Tem Barragens com capacidade para – 90 % do caudal que circula no seu território. Portugal tem capacidade para apenas cerca de 20 % e no afluente Rio Zêzere – até entrar no Tejo em Constância, não temos qualquer capacidade de gestão/controle.
Temos muita informação já partilhada que podemos disponibilizar a quem nos solicite, mas recomendo a apresentação do Engº Mário Samora que consta da sessão promovida pela CIM Lezíria do Tejo na Agroglobal. O Manifesto assinado pela três CIM do Tejo é claro na sua fundamentação.
A AAR tem a esperança que seja este o ponto de viragem no assumir deste Projecto pelo Governo, comprometendo-se a acompanhar diariamente a sua evolução, não deixando de exigir ao Governo e aos partidos da oposição, uma clarificação do calendário 2021-2030 a que se comprometam para concretizar este Projecto de Interesse Nacional

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Quais são os grandes desafios que a Agricultura enfrenta na actualidade?
O principal desafio que os agricultores de hoje enfrentam é terem que alimentar uma população em crescimento, sujeitos a diversas críticas à maneira de como produzimos. Temos que produzir cada vez mais alimentos com menos custo, qualidade crescente e certificação ambiental. Tudo isto tudo com mais eficiência para o agricultor para mantermos a nossa actividade rentável. Este vai ser o grande desafio.

O Ministério da Agricultura vai investir 93M€ para implementar a Agenda “Terra Futura”, inscritos no PRR, ambicionando garantir a transição ecológica, climática e digital. O que lhe parece a medida?
Conforme pudemos constatar facilmente na Agroglobal, o sector Agrícola pode orgulhar-se do seu desempenho em todos os pontos que refere – Ambiente, Clima e Digitalização.
A Agricultura Empresarial tem sido a única responsável, por toda a evolução que sentimos na Feira, e que não começou hoje, mas sim há mais de 30 anos.
Como já vi escrito, a Agricultura já acumulou sabedoria para produzir e poupar o planeta. O Governo e Ministra falam muito do Futuro, para evitar apresentar contas do presente e ignorando o passado.
A Agenda Terra Futura apenas vai burocratizar mais o apoio ao sector e grande parte da verba atribuída vai ser consumida pelos organismos públicos sem qualquer retorno.
Precisamos de água, território ordenado, legislação actualizada e adequada, PDR transparente e dinâmico, e organismos oficiais a tratarem do território naquilo que são as suas competências – basta estar atento no caminho para a Feira para perceber que não estão a cuidar do território.

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