Foto ilustrativa
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Dois dos homens detidos terça-feira em Tomar, suspeitos da prática dos crimes de branqueamento de capitais e falsificação de documentos, vão ficar presos preventivamente, depois de terem sido ouvidos pelo juiz de instrução criminal de Santarém.

Fonte judicial disse à Lusa que a medida de coação mais grave foi aplicada hoje a dois dos três detidos, tendo o outro, que tinha na sua posse documentos de identificação falsos, estando ilegal no país, ficado obrigado a apresentações bissemanais.

Os três homens foram detidos no âmbito do cumprimento de três mandados de busca domiciliária e dois mandados de detenção, emitidos pelo Ministério Público de Tomar, realizado pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a PJ afirmou que dois dos detidos “abriram contas bancárias em Portugal sobre as quais recaíram pedidos de devolução de fundos depositados, solicitados por empresas oriundas da Alemanha, Reino Unido e Finlândia”.

“Naquelas contas verificou-se, também, um elevado número de depósitos nacionais, suspeitando-se, pela informação recolhida, que resultam de burlas informáticas e transferências para contas particulares em cinco países europeus, sendo beneficiário de parte delas um dos detidos na presente operação”, afirmava.

Um terceiro homem, suspeito de estar associado à operação, tinha na sua posse documentos de identificação pessoal de um país comunitário, “que se demonstrou serem falsos e consequentemente encontrar-se ilegal em território nacional”.

O coordenador da PJ de Leiria, Avelino Lima, disse à Lusa que os outros dois detidos se encontram a residir em Portugal com autorizações de um país do espaço Schengen, estando um deles inscrito numa universidade portuguesa, recorrendo ao mesmo esquema usado para abertura das contas bancárias.

“Na posse dos visados foram encontrados 10 documentos de identificação falsos, passaportes e bilhetes de identidade, com os quais abriram mais de uma dezena de contas bancárias e criaram inscrições junto da AT [Autoridade Tributária] para obtenção de NIF [Número de Identificação Fiscal], elemento crucial para abertura de contas bancárias, e ainda inscrições em universidade nacional”, lê-se na nota.

Segundo o inspetor, a investigação, iniciada em março, a partir de alerta do sistema de verificação de movimentos financeiros, permitiu identificar valores próximos dos 200.000 euros nas situações das empresas dos três países referidos e outro tanto nos inquéritos às burlas informáticas feitos até ao momento.

Admitindo que se trata da “ponta do iceberg”, Avelino Lima disse que as buscas permitiram confirmar a investigação e “abriram portas” para a identificação das vítimas e dos valores envolvidos na burla.

O primeiro interrogatório no Juízo de Instrução Criminal de Santarém iniciou-se na tarde de quarta-feira, tendo terminado ao princípio da tarde de hoje.

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