O Núcleo de Fotografia do CCRS – Círculo Cultural Regional de Santarém deu início ao Projecto Fotográfico 2026, uma iniciativa estruturada em torno de projectos individuais, desenvolvidos ao longo de todo o ano, com acompanhamento artístico regular e momentos de partilha presencial. O percurso deverá culminar numa exposição colectiva agendada para 7 de Novembro, estando igualmente prevista a possibilidade de edição de um catálogo com os trabalhos apresentados.
Ao contrário de um formato único ou temático, o projecto assume-se como um conjunto de percursos autónomos, adaptados ao ritmo e às opções criativas de cada participante. Segundo explica Vítor Lopes, coordenador do Núcleo de Fotografia, trata-se de uma iniciativa que agrega vários trabalhos paralelos, concebidos por fotógrafos amadores com níveis distintos de experiência, mas unidos pelo interesse em aprofundar a noção de projecto fotográfico enquanto construção coerente e continuada.
Um ano de trabalho para permitir maturação e acompanhamento
A duração anual do Projecto Fotográfico 2026 não é meramente formal. É, de acordo com o responsável, uma condição essencial para garantir acompanhamento efectivo e evolução consistente dos trabalhos. O primeiro encontro realizou-se no passado sábado e serviu para apresentar a dinâmica prevista, revisitar exemplos do ano anterior e clarificar objectivos, funcionando como ponto de partida para um processo que se estenderá ao longo de vários meses.
O modelo assenta em encontros presenciais mensais, complementados por um sistema de acompanhamento contínuo à distância. Cada participante dispõe de um espaço próprio de partilha digital, onde vai reunindo imagens e recebendo orientação individualizada. Essa análise é feita de forma regular e articulada, num diálogo permanente entre coordenador e autor, permitindo afinar escolhas, reforçar coerência temática e preparar o resultado final.
Apesar da existência de orientação estruturada, o projecto não assume um carácter formativo tradicional. Vítor Lopes sublinha que não se trata de um curso nem de um contexto pedagógico formal, mas antes de um acompanhamento artístico, centrado no desenvolvimento do trabalho de cada participante. A estruturação incide tanto sobre o percurso individual como sobre a leitura global do conjunto, assegurando consistência no momento de apresentação pública.
A coordenação deste projecto específico estará a cargo de Paulo Sousa, fotógrafo com ligação de longa data ao Núcleo e cuja formação inicial decorreu no próprio Centro Cultural. A escolha representa, segundo o coordenador do núcleo, uma mudança de dinâmica face ao ano anterior, procurando trazer uma nova perspectiva ao projecto.
Liberdade temática e técnica, exigência conceptual
Uma das marcas centrais do Projecto Fotográfico 2026 é a liberdade total na escolha do tema, que cabe exclusivamente a cada participante. Não existem imposições conceptuais nem orientações temáticas comuns. Em contrapartida, é exigida coerência interna e clareza na forma como o trabalho comunica a ideia escolhida.
O mesmo princípio aplica-se às opções técnicas. O projecto está aberto a fotografia analógica e digital, a diferentes formatos, dimensões e materiais de impressão. O foco está no resultado e na capacidade expressiva do conjunto, mais do que nos meios utilizados.
O horizonte do projecto aponta para uma exposição colectiva a 7 de Novembro, momento em que os trabalhos desenvolvidos ao longo do ano serão apresentados ao público. Paralelamente, o Núcleo equaciona a produção de um catálogo que reúna os projectos participantes, hipótese que dependerá das condições logísticas e de apoios a confirmar.
A iniciativa arrancou com uma adesão significativa. De acordo com Vítor Lopes, o projecto registava, numa fase inicial, 32 manifestações de interesse, com cerca de 24 a 25 inscrições já formalizadas. Este interesse é visto como consequência directa do trabalho continuado do Núcleo, através de caminhadas fotográficas, passeios e momentos de partilha, agora prolongados num formato mais exigente e estruturado.
O objectivo passa por levar cada participante a ultrapassar a prática isolada ou ocasional, incentivando a construção de um corpo de trabalho consistente, ancorado num tema e desenvolvido com acompanhamento ao longo do tempo.

