A Câmara de Santarém pretende iniciar, “em breve”, uma “intervenção paliativa” no museu de S. João de Alporão, encerrado ao público em 2012 por razões de segurança. Este mês, o procedimento para a realização do projecto deverá ser lançado.

A garantia foi dada na última sessão da Assembleia Municipal pelo presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, que respondia a uma interpelação do deputado José Magalhães (Mais Santarém).

Segundo o autarca, a intervenção foi concertada com a Direcção-geral do Património Cultural (DGPC) sendo que a intervenção passa, num primeiro momento, pela cobertura, sistema de drenagem, colocação de uma rede no interior do edifício para protecção dos visitantes.

Esta intervenção permitirá reabrir o monumento, que será depois alvo de uma “intervenção de fundo”, a decorrer de forma faseada.

Sem avançar uma data para a reabertura deste monumento nacional, o autarca afirmou que o objetivo é que ela ocorra “no mais curto espaço de tempo”.

Um estudo solicitado em 2004 ao Departamento de Engenharia, Minas e Georrecursos do Instituto Superior Técnico revelou que a estrutura está a ser afectada por infiltrações a partir das fundações, pela constituição geológica da pedra usada na construção (bastante permeável e facilmente perecível perante a penetração de sais, que cristalizam) e pelos métodos construtivos e correctivos posteriores (como a utilização de argamassas, nomeadamente de cimento).

Ricardo Gonçalves afirmou que a Câmara de Santarém tem verbas comunitárias disponíveis (cerca de 800 mil euros), sendo que o projecto está inscrito no Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da CIMLT – Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo.

O edifício, considerado o primeiro testemunho do gótico em Santarém e fechado desde 9 de Março de 2012, foi construído com pedra da região, calcária, muito favorável a fenómenos de descaimento, como os que se têm vindo a verificar desde há alguns anos.

Um estudo solicitado em 2004 ao Departamento de Engenharia, Minas e Georecursos do Instituto Superior Técnico revelou que a estrutura estava também a ser afectada por infiltrações a partir das fundações, pela constituição geológica da pedra usada na construção (bastante permeável e facilmente perecível perante a penetração de sais, que cristalizam) e pelos métodos construtivos e correctivos posteriores (como a utilização de argamassas, nomeadamente de cimento).

O edifício, embora de propriedade municipal, foi classificado como monumento nacional em 1910.

De acordo com a descrição existente no portal do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, “a igreja de São João de Alporão constitui um caso único na arquitectura medieval portuguesa”, sendo um “produto híbrido estilisticamente”, no qual “coexistem soluções filiadas em esquemas românicos e outras já nitidamente góticas, característica que confere a este templo um estatuto ímpar no panorama Arquitectónico de Santarém e até do país”.

A sua fundação deve-se à Ordem de São João do Hospital, cuja fixação na cidade se situa entre 1159 e 1185, acrescenta. Extintas as ordens religiosas, a igreja serviu de teatro até 1887, quando a Comissão Administrativa do Museu Distrital de Santarém iniciou obras de restauro com vista à sua adaptação a museu. Nessa altura, o edifício já não contava com a “pesada torre circular”, demolida em 1785 para permitir a passagem do coche real de D. Maria I.

Preservado ainda na memória da cidade como “Museu dos Cacos”, S. João de Alporão foi igualmente desprovido dos dois elefantes que guardavam a entrada, retirados para a reserva da autarquia dada a degradação de que vinham sendo alvo.

Intervenções e Restauros

Primeiro restauro do edifício entre 1877-1882, realizado pela Junta Geral do Distrito. Em 1932-36, foi levada a cabo uma segunda campanha de restauro, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

Ao longo dos anos 70/80 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) efectuou pequenos restauros no edifício. E, em 1889 a Igreja de São João de Alporão abriu ao público como museu, após uma das primeiras obras de conservação e restauro realizadas em Portugal.

Em 1992 foi remodelado o espaço museológico e executaram-se, consequentemente, obras de restauro, pela Divisão dos Núcleos Históricos.

A desde 9 de Março de 2012, a autarquia tomou a decisão de encerrar preventivamente o espaço ao público por uma questão de segurança dos funcionários e dos visitantes depois de ter caído um pedaço da cabeceira da igreja.

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