O Município da Chamusca conquistou o Prémio de Melhor Interpretação na 5.ª edição do Festival Nacional da Canção Rural, realizada no passado dia 27 de junho, em Beja. O festival, promovido pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho, reuniu diversas composições dedicadas à valorização da cultura e das tradições dos territórios rurais.

O concelho fez-se representar por Joana Silva, natural da Carregueira, que subiu ao palco com a canção original “Óh Chamusca, Terra Querida”, uma obra da sua autoria e que homenageia as suas raízes. 

Com um percurso musical iniciado aos seis anos numa banda filarmónica local, a jovem de 21 anos, atualmente a frequentar o ensino superior em Aveiro explica, em entrevista ao Correio do Ribatejo, o processo de composição deste tema e o impacto que esta distinção nacional representa para o seu percurso. 

A canção “Óh Chamusca, Terra Querida” é uma homenagem clara às suas origens. Quais foram os principais aspetos da Chamusca e da Carregueira que fez questão de incluir na letra?

Quis retratar aquilo que, para mim, torna a Chamusca e a Carregueira especiais. Mais do que falar dos locais, quis transmitir o sentimento de crescer nesta terra, desde as amizades, os passeios, os momentos simples e a ligação que temos às nossas raízes. A canção procura mostrar esse orgulho em pertencer a este concelho e as memórias que ficam para a vida.

A Joana estuda atualmente em Aveiro. De que forma o facto de estar longe de casa acabou por influenciar a escrita desta música?

Estar em Aveiro fez-me valorizar ainda mais a minha terra. Foram as minhas amigas, Mara e Íris, que conheci na Universidade que me incentivaram a participar no concurso. Sabiam o quanto a Chamusca significa para mim e fizeram-me perceber que sou feliz a falar das minhas origens!

Sendo a autora da letra e da música, qual foi o maior desafio de criar um tema que, além de pessoal, tinha a responsabilidade de representar o seu concelho?

O maior desafio foi encontrar um equilíbrio entre aquilo que eu sentia e aquilo com que outras pessoas também se pudessem identificar, para que, ao mesmo tempo, qualquer pessoa do concelho a pudesse ouvir e sentir um bocadinho como sua.

Como tem sido o feedback das pessoas da Carregueira e da Chamusca desde que regressou a casa com o prémio em mãos?

Tem sido muito especial. Recebi muitas mensagens de carinho e de parabéns, tanto de pessoas que conheço como de outras que nunca tinha visto. Senti que toda a gente viveu esta conquista comigo, e isso tornou o prémio ainda mais significativo.

Quando é que a música entrou na sua vida e começou a arriscar na composição?

A música sempre fez parte da minha vida. Entrei numa banda filarmónica aos 6 anos e toco clarinete até hoje. Cantar também é algo que gosto desde pequena, mas só o comecei a fazê-lo (formalmente) há cerca de 2 anos, quando desenvolvi uma maior conexão com o fado.

No entanto, a composição surgiu apenas por causa deste concurso. Foi a primeira vez que me desafiei a escrever uma letra e a criar uma música de raiz. Acabou por ser uma experiência muito gratificante e que me mostrou que, quando nos desafiamos a sair da nossa zona de conforto, podemos surpreender-nos a nós próprios.

O que significa para si este prémio nacional? Dá-lhe mais motivação para investir numa carreira musical?

Este prémio representa um enorme reconhecimento e é algo de que me vou recordar com muito carinho. Fiquei muito feliz por ver o meu trabalho valorizado! No entanto, neste momento continuo focada nos meus estudos. Este prémio dá-me confiança para continuar a cantar, acima de tudo, por gosto.

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