O Restaurante Almourol celebrou no passado domingo, 9 de Agosto, 35 anos de existência e convidou clientes, amigos, parceiros, colaboradores e fornecedores para um ‘sunset’ onde se brindou à saúde de um restaurante verdadeiramente ribatejano, à beira de um Tejo que testemunhou o momento de convívio, música, e, acima de tudo, de agradecimento de toda a equipa liderada por José Ferreira.
Como surgiu a ideia de abrir este restaurante em frente ao cais de Tancos?
A ideia surgiu de dois aventureiros, dois rapazes de 26 anos na altura. Nós éramos oriundos do concelho, passávamos aqui todas as semanas rumo a Lisboa e víamos este espaço degradado. Como tínhamos o bichinho do empreendedorismo no corpo e na mente, eu e o meu cunhado, que já faleceu, decidimos avançar para este projeto. Conseguimos colocá-lo de pé e dar-lhe continuidade. Houve muitos sobressaltos, muitas amarguras e tristezas, mas também muitas alegrias e um bom usufruto aqui neste espaço.
Que balanço faz destes 35 anos de existência?
É um balanço positivo. Sinto que fizemos o que devia ser feito: defender os valores da região, tanto gastronómicos como culturais. Sempre defendemos os valores da terra, do distrito e de Portugal. Tivemos alguns eventos em que a parte dos vinhos era salientada com concursos de iguarias.
Os prémios também nos dão algum alento e são fruto do trabalho e da inovação que colocamos na cozinha e que se repercute nos pratos. A partir da gastronomia local e das ementas que servimos, avançamos para melhores propostas, sejam elas tipo finger food ou mais dedicadas a outro tipo de cliente e de júri, sempre com provas dadas na defesa desses valores.
Como foi gerir a relação entre os laços familiares e a exigência de um negócio empresarial?
Isto era um projeto que, apesar de sermos cunhados, era estritamente empresarial. Víamos isto fora do âmbito familiar, porque os laços familiares trazem sempre aqueles facilitismos do momento, de gestão, de operacionalidade e aí nós fomos sempre diretos ao assunto. Avançámos logo no início com uma equipa de nove pessoas a tempo inteiro, mais os recursos humanos pontuais do fim de semana, que eram os subcontratados. No primeiro dia de abertura do Restaurante Almourol já existiam os eventos e o restaurante, portanto, não foi uma evolução.
O Restaurante Almourol privilegia a cozinha regional. Até que ponto a proximidade com o Rio Tejo influencia a sua carta?
Influencia psicologicamente. Porque nós temos o dever de trazer ou de mostrar aqui no restaurante aquilo que é nosso vizinho: o rio e os peixes. Daí termos alguns eventos gastronómicos no concelho, nomeadamente a Festa do Peixe do Rio e o Festival do Sável e da Lampreia, lançado após a abertura do restaurante. E claro, aqui no Rio Tejo temos de ter as enguias, as lampreias e o sável. As bogas agora já são menos, mas os peixes do rio continuam a ser a base de tudo.
Quais as especialidades que podemos encontrar aqui?
A molhata de enguias é um prato fundamental, além das enguias fritas com açorda que temos sempre. Servimos também o torricado de enguia fumada, que é uma entrada muito boa, e o torresmo de enguia. Este último não é um prato habitual, é aquilo que se fazia há dezenas ou centenas de anos com os torresmos de porco e que atualmente fazem-se com as enguias, fritas em azeite de forma a ficar aquele torresmo estaladiço e exímio. A vitela em forno de lenha é ponto assente, com batatinhas e legumes, além do lombinho de porco e a covada de bacalhau, ambos à Ribatejana.
Esta casa não se limita a fornecer apenas refeições. Ao longo do ano são vários e diversificados os eventos que aqui se realizam, nomeadamente cruzar o receituário ancestral com os vinhos do Tejo em perfeitas harmonizações. São apostas ganhas?
Esses eventos têm sido determinantes para o sucesso do restaurante. Porque fazem com que nós também melhoremos a nossa operacionalidade interna na parte de cozinha e serviços. Como estamos a melhorar e a afinar processos, isso transmite-se também para o dia-a-dia, nomeadamente nos eventos que nós fazemos para as empresas com quem trabalhamos da zona da Grande Lisboa e de Leiria. Portanto. Para nós é ponto assente esse reanimar e reativar de processos vindos do afinamento de novas cartas que depois transmitimos ao cliente.
