Santa Casa devolve Igreja da Misericórdia a Tomar “com valor acrescentado”

A Santa Casa da Misericórdia de Tomar (SCMT) devolveu a Igreja da Misericórdia (na Av. Dr. Cândido Madureira) à comunidade tomarense e a quem visita a cidade, tendo avançando com obras de recuperação no templo para que este possa estar de portas abertas em permanência. A par disso, pretende expor todas as obras de arte – actualmente reservadas do olhar do público – num Núcleo Museológico integrado na chamada Casa de Despacho. Uma empreitada no valor de cerca de 297 mil euros concretizada com o apoio do Fundo Rainha D. Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A Santa Casa da Misericórdia de Tomar (SCMT) inaugurou, no início deste mês, as obras de restauro da Igreja Misericórdia. A cerimónia foi presidida por D. José Traquina, bispo de Santarém que, na sua intervenção, incentivou a instituição ao “desenvolvimento de um trabalho por uma grande causa” dedicado às pessoas.

“O progresso da sociedade supõe o desenvolvimento integral e o bem-estar das pessoas”, disse D. José Traquina, saudando a abertura deste templo à fruição da comunidade.

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“Amor e Verdade, são dois valores fundamentais para que alguém se sinta feliz numa casa de família. Também assim acontecerá nos ambientes humanos promovidos pela Santa Casa da Misericórdia”, desenvolveu o prelado.

De facto, para o provedor da SCMT, António Alexandre, esta obra representa o “devolver à cidade com valor acrescentado” aquilo que é uma parte do seu património mais representativo.

“A Igreja é um marco na história de Tomar, não só pelo culto, mas também enquanto património histórico, vivo, construído, e inserido no centro de uma cidade histórica, muito perto do Convento de Cristo que é Património Mundial da Humanidade”, afirmou.

“Queremos estar de portas abertas e mostrar à comunidade o importante trabalho que desenvolvemos, quer em termos sociais, quer em termos culturais. Queremos fazer da Igreja um local de culto mas também uma igreja-museu”, disse.

“Acredito que 90% dos cidadãos de Tomar não conhecem, nem de perto, a verdadeira dimensão da Misericórdia. É essa dimensão que os órgãos sociais da Misericórdia querem tornar visível”, assegurou.
Segundo anunciou, é intensão criar, no futuro, um Núcleo Museológico integrado na chamada Casa de Despacho, num espaço adjacente à Igreja, onde vai ser possível expor, em particular, as Coroas do Espírito Santo e o Pendão que integram a Festa dos Tabuleiros.

“Temos um espólio único, que inclui, nomeadamente, uma obra do pintor régio Gregório Lopes e legado secular da instituição fundada em 1507”, lembrou António Alexandre.

Já Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, defendeu que a questão de cuidar do património é essencial para que estas instituições possam perspectivar melhor o futuro.

“Temos que honrar a nossa história, preservar o património, preservar os testemunhos e a história, que é de todos. A cultura é um instrumento fundamental do desenvolvimento social e económico de um país. É um investimento no futuro”, concluiu.

Para esta obra, a Misericórdia de Tomar conseguiu um financiamento de 231.576,30 euros, que resulta de uma candidatura ao Fundo Rainha D. Leonor, criado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em colaboração com a União das Misericórdias Portuguesas e a inauguração aconteceu, precisamente, durante a semana das Festas dos Tabuleiros que se realizam na cidade nabantina de quatro em quatro anos.

A câmara de Tomar atribuiu também um apoio de 60 mil euros não só para a recuperação da Igreja mas também para a criação do Núcleo Museológico.
Neste mesmo dia, a renovada Igreja da Misericórdia acolheu o lançamento do livro “A Festa é um Romance”, de Carlos Trincão, edição da ‘Santa Casa da Misericórdia de Thomar’.

O título foi justificado pelo autor pelo facto de a Festa ser “verdadeiramente um romance entre o Povo, a Cidade e a Divindade”. A apresentação esteve a cargo de Manuel Gandra e António Madureira.

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