Foto ilustrativa

 A Câmara de Santarém elaborou um Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção com o objetivo de “identificar situações vulneráveis à corrupção” e aplicar medidas concretas para as evitar, disse hoje à agência Lusa o presidente da autarquia.

“Este é um primeiro passo que a Câmara Municipal dá, muito importante, para podermos monitorizar determinadas situações” na autarquia, disse João Teixeira Leite.

A iniciativa insere-se na Estratégia Nacional Anticorrupção e envolve a adoção de um programa normativo que inclui, além do plano agora apresentado, um código de conduta, canais de denúncia e ações de formação internas.

O documento identifica dezenas de situações de risco em áreas como a contratação pública, apoio a freguesias, atribuição de subsídios, gestão de obras e urbanismo, uso de viaturas, recursos humanos e gestão financeira, entre outras.

De acordo com o documento a que a agência Lusa teve acesso, entre os exemplos mais críticos estão a participação indevida em decisões que envolvem interesses pessoais, falta de critérios claros na atribuição de apoios, utilização abusiva de recursos públicos, irregularidades nos pagamentos e no controlo de faturas, quebras de sigilo e favorecimento de fornecedores ou candidatos e vulnerabilidades na segurança informática (como ataques de phishing).

Para responder aos problemas identificados, o documento propõe um conjunto de medidas, entre as quais a rotação de funcionários para evitar relações de proximidade prolongadas, a segregação de funções nos processos mais sensíveis, a criação de critérios objetivos para decisões sobre subsídios e apoios, declarações de idoneidade obrigatórias nos processos mais críticos, a aposta na cibersegurança, com formação e reforço dos sistemas, base de dados de fornecedores com histórico de desempenho e controlo mais rigoroso dos stocks, frotas e horas extra.

“É um passo importante para introduzirmos transparência, monitorização, e combatermos alguns comportamentos que, felizmente, na nossa câmara, ao dia de hoje, não existem”, afirmou João Teixeira Leite.

Já a vereadora do Chega, que votou contra este documento, classificou a aprovação do plano como uma “hipocrisia”.

“O que se passa efetivamente na Câmara de Santarém é uma profunda hipocrisia, porque a câmara atribui semanalmente subsídios extraordinários sem regulamento. O executivo quer passar a ideia para a opinião pública de que estamos a combater a corrupção quando, na verdade, a atribuição de subsídios extraordinários sem regulamento é que conduz à corrupção”, afirmou Manuela Estêvão. 

O documento vai ser hoje submetido à Assembleia Municipal. 

Leia também...

IHRU vai sortear 24 habitações em Arrendamento Acessível no Entroncamento

O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P. (IHRU, I.P) abriu concursos por sorteio para a atribuição de 24 habitações em arrendamento acessível,…

Câmara Municipal do Cartaxo cede terrenos para instalação de estaleiros nas Freguesias De Vale Da Pedra e Vila Chã De Ourique

João Ferreira Heitor, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, assinou no passado dia 28 de Julho, os contratos de comodato com as juntas de…

Autarcas do Distrito com creches municipais consideram gratuitidade “questão de justiça”

A gratuitidade das creches municipais é, para autarcas do distrito de Santarém, “uma questão de justiça”, por suprirem a falta de resposta dos setores…

Arte rupestre coloca Mação no centro da agenda científica europeia

O concelho de Mação será anfitrião, nos dias 11 e 12 de Dezembro, de dois eventos internacionais dedicados à Arte Rupestre Pré-Histórica, que coincidem…