O presidente da Câmara de Santarém confirmou que propôs ao Governo receber o Centro Interpretativo do 25 de Abril, afirmando que o município tem “total disponibilidade” para acolher um projeto que considera de “inequívoca relevância nacional”.

Segundo João Leite, Santarém é “o local natural” para a concretização do centro, sublinhando o papel histórico da antiga Escola Prática de Cavalaria, de onde partiu, na madrugada de 25 de abril de 1974, a coluna liderada por Salgueiro Maia.

Em declarações à Lusa, o autarca destacou que o edifício da Escola Prática de Cavalaria, atualmente propriedade municipal, reúne “condições únicas” para uma concretização rápida do projeto, “sem constrangimentos” e com “a dignidade que o 25 de Abril exige”.

João Leite apontou a localização central e as boas acessibilidades como fatores que reforçam o potencial daquele espaço enquanto “polo de memória, visitação e estudo” e defendeu que a instalação do centro em Santarém contribuirá para a coesão territorial.

“O país não é só Lisboa e Porto”, afirmou, considerando que esta é uma oportunidade para a política pública demonstrar uma “verdadeira descentralização”.

Frisando que honrar o legado de Salgueiro Maia no local onde “tudo começou” representa um ato “de justiça e um compromisso com o futuro”, o autarca reiterou disponibilidade para colaborar com o Governo na concretização da solução.

Segundo João Leite, o município já dispõe de um estudo prévio para o projeto e o respetivo projeto de execução encontra-se em fase de desenvolvimento.

De acordo com o presidente da autarquia, o projeto prevê um espaço nacional de referência dedicado “à valorização da Revolução dos Cravos e à promoção dos valores da liberdade, da democracia e da cidadania”.

O centro contará com um percurso expositivo, desde o contexto do Estado Novo até à construção da democracia, “experiências imersivas”, conteúdos audiovisuais, testemunhos reais e recriações digitais dos acontecimentos do 25 de Abril”.

O projeto prevê ainda o recurso a inovação tecnológica, como realidade virtual e aumentada, plataformas digitais interativas e programas pedagógicos dirigidos às novas gerações, com o objetivo de explicar o impacto nacional e internacional da revolução.

Prevê também áreas dedicadas ao debate, à investigação e a uma programação cultural contínua, com o objetivo de criar um espaço “vivo e participativo”, capaz de projetar a memória do 25 de Abril para o futuro e afirmar Portugal como referência global na celebração da liberdade.

A proposta do município surge após o Governo ter indicado que a instalação do Centro Interpretativo do 25 de Abril no edifício inicialmente previsto, no Terreiro do Paço, é inviável.

Numa resposta enviada à Lusa, fonte oficial do Governo explicou que a solução protocolada assentava na utilização das atuais instalações do Ministério da Administração Interna (MAI), mas esse pressuposto deixou de se verificar, uma vez que o ministério vai manter-se naquele local.

A mesma fonte acrescentou que também não está prevista a utilização, para esse fim, da área do Terreiro do Paço atualmente ocupada pelos serviços do Ministério da Agricultura.

Questionada pela Lusa, a fonte oficial indicou que, no âmbito do diálogo com as entidades envolvidas, foram sugeridas alternativas de localização, incluindo um espaço na Pontinha, no concelho de Odivelas, onde se situa o posto de comando do Movimento das Forças Armadas, a partir do qual foram conduzidas as operações militares do 25 de Abril.

Segundo o Governo, mantém-se a abertura para procurar soluções.

O ministro da Presidência, Leitão Amaro, admitiu também este domingo que o futuro Centro Interpretativo do 25 de Abril pode vir a ser instalado em Santarém, referindo que foi contactado pelo presidente da Câmara, que fez essa proposta ao Governo.

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