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O Santuário de Fátima (SF) e a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) negaram hoje existir um plano de despedimentos na instituição e recusaram a situação de falência ou insolvência. 

Através de comunicado lido em Fátima sem direito a perguntas dos jornalistas, o SF afirma que “não está previsto nenhum plano de despedimentos”, estando sim em curso um conjunto de “incentivos” para “desvinculação voluntária”.

Antes, o porta-voz do Conselho Permanente da CEP garantiu em conferência de imprensa que “não há despedimentos em qualquer sentido”. O que decorre é “um processo de gestão e reorganização da vida do SF”, através da “reforma das pessoas, com a sua antecipação, com acordo mútuo ou de outros processos que vão ao encontro dos funcionários, sempre por iniciativa deles”. 

Contudo, “se [o Santuário] fosse uma empresa, ia para alguns despedimentos directos”, admitiu Manuel Barbosa, reconhecendo “dificuldades” mas assegurando que “o SF continua com sustentabilidade económica”.  

No comunicado, o SF diz que “não está, como nunca esteve, em falência nem numa situação de insolvência”, visando as medidas em curso “manter uma gestão rigorosa, equilibrada e profissional para garantir preventivamente a sustentabilidade do SF no futuro”.

O quadro é, no entanto, complicado: Desde o início da pandemia, Fátima registou uma “queda abrupta” de peregrinações nacionais, “na ordem dos 99%”.

Como consequência, houve “uma quebra de 77% nos donativos” e, por isso, o SF diz-se “obrigado” a rever as opções orçamentais, até porque no primeiro semestre de 2020 “os custos fixos mantiveram-se inalterados e outros até cresceram”.   

No âmbito dos apoios financeiros a instituições de solidariedade social, famílias carenciadas e à Igreja, “nomeadamente à Diocese de Leiria-Fátima”, o SF contribuiu com 780 mil euros, acrescenta, o que significa, durante a pandemia, um aumento de 60% a pessoas necessitadas.

Em estudo, auscultando “todos os trabalhadores”, está a adopção de “um conjunto de medidas para redução de gastos” de modo a enfrentar “um cenário de prolongamento da crise económica”.

No documento hoje difundido, o SF lamenta ainda a “reiterada campanha difamatória que atinge a credibilidade da instituição e a integridade moral dos seus corpos dirigentes”. No centro da polémica está divulgação de notícias sobre vencimentos da direcção do Santuário, que “resultam em grande parte de uma campanha organizada dentro da Igreja diocesana”, que tem “posto em causa o bom nome e a idoneidade moral da equipa que governa este Santuário”. 

“Além de falsas, caluniosas e difamatórias, não traduzem a realidade dos factos, gerando ruído num tempo particularmente difícil, onde o medo impera, dada a incerteza da conjuntura nacional e internacional”, acrescenta.

A esse propósito, Manuel Barbosa sublinhou que a CEP “está em sintonia com as orientações do SF” e “mostra apreço pelo seu trabalho e por aqueles que estão na direcção do SF”.

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