A Câmara do Sardoal vai reunir-se com o ICNF e associações de caçadores para procurar respostas ao aumento “exponencial” de javalis, que se aproximam das povoações, destroem culturas e têm provocado acidentes rodoviários, disse hoje o presidente.
“Há cada vez mais animais” e “há dois, três anos para cá isto [o aumento] tem sido exponencial”, afirmou à Lusa Pedro Rosa (PSD), considerando que o crescimento da população de javalis “saiu fora do controlo” e exige medidas para reduzir a densidade da espécie.
A situação levou a Câmara do Sardoal a agendar para o próximo dia 29 de setembro uma reunião do Conselho Cinegético Municipal, com a participação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e das associações de caçadores do concelho.
Segundo o autarca, o encontro servirá para discutir soluções para controlar a população de javalis e perceber de que forma o município poderá apoiar as associações de caçadores nessa tarefa.
“Aquilo que nós pretendemos aqui no Sardoal é tentar encontrar com as nossas associações de caçadores uma forma de os apoiar a poderem fazer estas atividades de controlo de densidades”, afirmou.
Pedro Rosa apontou Alcaravela, Valhascos e Santiago de Montalegre entre as zonas mais afetadas, sobretudo devido à existência de pequenas explorações de agricultura de subsistência, havendo também situações noutras localidades do concelho.
O autarca relatou prejuízos em vinhas, hortas e outras culturas e disse que os animais se aproximam cada vez mais das casas e dos contentores de resíduos em busca de alimento.
Pedro Rosa associou esta aproximação ao crescimento da espécie, à menor disponibilidade de alimento nas zonas florestais e ao abandono de terrenos agrícolas mais afastados das localidades.
A presença dos animais está também a provocar preocupação entre moradores, embora o autarca tenha ressalvado que o javali não é habitualmente perigoso, podendo ter comportamentos imprevisíveis quando está ferido ou acompanhado de crias.
A segurança rodoviária é outra das preocupações, tendo Pedro Rosa dado conta de “diversos acidentes com javalis” no concelho, incluindo um recente que deixou uma viatura praticamente destruída.
O autarca apontou ainda dificuldades no destino a dar às peças abatidas pelos caçadores, considerando que a perda de valor económico do javali está a reduzir o interesse nas ações de controlo.
“Não há quem queira ficar com os javalis”, afirmou, relatando o caso de um caçador que lhe disse ter abatido este ano 15 ou 16 animais e já não dispor de capacidade para os armazenar.
O presidente da Câmara considerou ainda que o ICNF deve avaliar, com os caçadores e eventualmente com a academia, se os atuais períodos e regras de caça continuam adequados à evolução da população da espécie.
A problemática foi também discutida na quinta-feira na Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, tendo os municípios decidido remeter uma exposição ao Governo a solicitar a inclusão dos 11 concelhos da região no projeto-piloto anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar para controlar a população de javalis.
Segundo Pedro Rosa, todos os municípios do Médio Tejo enfrentam, em maior ou menor grau, problemas relacionados com a espécie.
José Manuel Fernandes anunciou recentemente que o Governo está a preparar um projeto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido em zonas onde seja identificada uma população excessiva, não tendo ainda sido divulgados o valor, os territórios abrangidos e as regras.
Pedro Rosa considerou que o projeto “pode ser uma solução”, esperando que “não seja apenas um paliativo neste momento, dada a dimensão do problema”.
A problemática dos javalis tem sido sinalizada há vários anos na região, com agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação a relatarem prejuízos em culturas agrícolas e pequenas hortas.
O ICNF admite que a população de javalis ronde atualmente os 300 mil animais em Portugal continental.
