Como se previa, nenhum dos candidatos alcançou a maioria dos votos expressos, pelo que António José Seguro e André Ventura, os candidatos mais votados, vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, a 08 de Fevereiro.

Nas 150 freguesias dos 21 concelhos do distrito de Santarém, os resultados acompanharam a tendência nacional, mas numa diferença bem mais curta entre Seguro e Ventura, de apenas 1.254 votos (65.808/64.554).

O distrito foi, mais uma vez, o “espelho” nacional e refletiu a tendência com desvios inferiores a cinco pontos percentuais em relação ao resultado global: Seguro teve 28,58% em Santarém e 31,14% a nível nacional, enquanto Ventura teve 28,04% em Santarém e 23,48% a nível nacional.

A disputa para a segunda volta reflecte a polarização entre os candidatos, com Seguro a ter melhores resultados em distritos ganhos pela AD nas legislativas de 2025, enquanto Ventura venceu em bastiões do Chega. Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes perderam a corrida.

Excepcional foi o tamanho do boletim de voto que mal cabia no espaço que nos dão para colocarmos uma cruz na nossa escolha.

E se não se estranha a votação nos dois primeiros, temos de referir o desastre que foi a votação no candidato do PSD, talvez porque nunca foi um candidato consensual dentro do partido. Seguro ganhou com isso, bem mais do que Ventura e a fazer querer pelo que já se lê nas redes sociais, muitos habituais votantes no PSD vão dar o seu voto a Seguro, candidato que soube centrar-se no quadrante partidário nacional.

Já Gouveia e Melo primou pela uniformidade em todo o país, oscilando entre os 8,11 % na Madeira, os 13,32% em Santarém e os 13,66% em Setúbal, mas acabou vítima de uma lógica de equilíbrio partidário que sempre ditou esta eleição.

Por Santarém, o candidato Manuel João Vieira, o tal que defendia vinho canalizado na casa dos portugueses, chegou aos 2.970 votos, mais do que a soma dos votos em Jorge Pinto, André Pestana e Humberto Correia, o que dá vontade de exclamar: Ena Pá (quase) 3000!

A Pordata, base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos, reuniu dados que ajudam a retratar a evolução histórica das eleições presidenciais em Portugal e, num estudo divulgado já este mês, descobriu que este distrito é um fiel reflexo da votação nacional. Nas 10 eleições presidenciais ocorridas entre 1976 e 2021, o desvio de votos, em percentagem, de qualquer candidato, foi sempre inferior a cinco pontos percentuais neste distrito, e o sufrágio de domingo não fugiu à regra.

E agora vamos ter pela frente mais duas semanas de intensa campanha, de muito ruído e espera-se, também, muito bom senso, na escolha do 11.º Presidente da República desde a instauração da democracia, em 25 de Abril de 1974.

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