A greve dos trabalhadores da Nobre de Rio Maior teve, de acordo com o sindicato, uma adesão de 60%, mas a empresa aponta um máximo de 28% dos trabalhadores em falta.
Esta é a 26.ª greve convocada desde 2023, por falta de resposta ao caderno reivindicativo.
“Houve uma adesão de cerca de 60%, uma percentagem mais baixa do que nas últimas greves, que se deve ao facto de ter entrado um número significativo de novos trabalhadores e é compreensível que tenham receio em aderir à greve. No entanto, é um bom número, que nota bem o descontentamento dos trabalhadores”, afirmou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) Diogo Lopes, em declarações à Lusa.
O sindicato teve, esta quinta-feira, uma reunião com a Nobre, na qual a empresa terá transmitido que não vai acompanhar as exigências dos trabalhadores.
O encontro antecipou a reunião de conciliação com a DGERT – Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, que só deverá ocorrer em fevereiro.
Os trabalhadores exigem um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.
Diogo Lopes adiantou ainda que, face à intransigência da empresa, na próxima semana vai ser realizado um plenário para que os trabalhadores decidam as próximas formas de luta a adotar.
Contactada pela Lusa, a Nobre disse que dos 780 colaboradores, um máximo de 28% não compareceu ao trabalho.
“Contudo, não é possível determinar se estas ausências se devem à participação na greve ou a outros fatores”, precisou, em resposta à Lusa.
A empresa considerou ainda ser inadequado avançar para a greve, quando se espera uma reunião de conciliação com a DGERT.
A Nobre lembrou que o setor enfrenta “desafios estruturais significativos” e sublinhou ter feitos esforços contínuos para se adaptar às condições do mercado e salvaguardar os benefícios para os seus colaboradores.
“Estas medidas refletem o compromisso contínuo da empresa em equilibrar a sustentabilidade do negócio com o reconhecimento e a valorização da dedicação das suas equipas”, notou.
A decisão de avançar com mais uma greve saiu da concentração realizada no dia 11 de Dezembro e “visa denunciar a falta de vontade da empresa para negociar o caderno reivindicativo dos trabalhadores, numa empresa certificada, com recurso a tecnologia de ponta e altos padrões de qualidade alimentar”, disse o SINTAB, em comunicado.
