Depois de várias temporadas a jogar futebol ao mais alto nível, aos 43 anos, Nuno Carrapato regressa ao clube que o viu nascer para a modalidade: o União de Almeirim. O ex-jogador profissional de futebol vai ser o treinador de guarda-redes da equipa que vai competir no Campeonato de Portugal na próxima temporada.

A sua carreira futebolística conheceu muitos clubes. Começou em Almeirim…
A minha longa carreira como profissional de futebol teve início aos dez anos no União de Almeirim, onde fiz toda a minha formação até aos 18. Ganhei praticamente tudo na Associação Futebol de Santarém. Aos 18 anos, fui para o U. Montemor, da 2.ª Divisão Nacional. Apesar de ser um miúdo no meio de gente adulta, acabei por dar logo nas vistas. O meu foco estava à vista, queria ser jogador profissional de futebol.
A meio da época sou convidado a ir treinar ao FC Porto a convite de José Mourinho, na altura, adjunto de Bobby Robson. Uma experiência bonita que me ajudou a crescer. Os clubes não chegaram a acordo e na época seguinte fui para o Sp. Covilhã, com 19 anos. Depois de passagens pelo Torreense e GD Peniche começa a aventura na Madeira, na AD de Machico, longe dos meus pais, dos meus amigos, avião, uma ilha, tudo novo para um jovem de 22 anos. Correu bem e lá permaneci quase 20 anos. Fui muito feliz por lá e foi na ilha que consegui os meus maiores feitos a nível profissional, com o convite do Nacional que tinha um projecto de subida à 1.ª Liga. Estava perto do meu sonho, faltava um degrau e sabia que não podia falhar nesta oportunidade. E o certo é que não falhei. Subimos o Nacional e só parámos na Liga Europa. Foram sete anos fantásticos, de muitas alegrias, tanto a nível colectivo como individual.

Esse sucesso abriu-lhe as portas da Selecção. Como foi essa experiência?
A minha chamada à Selecção Nacional B e a pré-convocatória para a Selecção A, aconteceu por altura do Euro 2004. Estive muito perto de ser internacional A por Portugal, com Scolari. Não aconteceu devido a uma grave lesão no joelho. Regresso à Madeira com passagens pelo União, Pontassolense e Caniçal. De lá só guardo óptimas experiências e recordações. Regresso ao Continente para jogar no Fazendense e no Coruchense onde consegui uma Taça do Ribatejo e um Campeonato Distrital.
Sinto que fiz uma carreira bonita, profissional e exemplar. Se podia ter conseguido mais? Talvez. Joguei para lá dos 40 anos, em todas as divisões, fiz uma carreira digna graças à dedicação e trabalho. Sou um apaixonado pelo futebol, 20 anos como profissional é o sonho que todos os jovens ambicionam…

Porquê guarda-redes?
Por incrível que pareça comecei como avançado. Num treino fui para a baliza e nunca mais de lá saí. Ser guarda-redes não é ser louco como se costuma dizer. É ser equilibrado, líder responsável, determinado, procurar a perfeição, tudo características com que me identifico. É ser-se herói e muitas vezes vilão quando se erra. Gosto de dizer aos meus jogadores que somos observados durante 90 minutos e elogiados cinco. Por vezes digo que o único momento que é dado o valor real de um guarda-redes é quando um jogo começa. O jogo não pode começar sem guarda-redes. Sou de opinião que todo o futebolista devia ser guarda-redes por um dia para que pudesse sentir a forma apaixonada como observamos o jogo…

Qual foi o seu momento mais marcante na vida de futebolista?
Todos os clubes e títulos que conquistei marcaram-me. É claro que existem feitos inesquecíveis: a subida à 1.ª Liga e o 4º lugar pelo Nacional da Madeira, participar numa Competição Europeia (Liga Europa), resultados fantásticos como ter ganho 4-0 ao FC Porto no Estádio do Dragão, 4-2 ao Sporting em Alvalade, e a minha chamada à Selecção B. São recordações únicas na minha carreira!

Foi recentemente apresentado como treinador de guarda-redes do União de Almeirim SAD. Como é que vê este novo desafio e o regresso a um clube que bem conhece?
Regresso a uma casa que bem conheço a convite do Palhinha. Aceitei fazer parte da estrutura técnica como treinador de guarda-redes. É nostálgico regressar 25 anos depois ao clube que me formou, parece tudo novo. Terei sempre o máximo de profissionalismo no meu trabalho, se assim não fosse não conseguia andar no Futebol. Acredito no projecto, gerido por pessoas sérias e com muitos anos de futebol. Serei mais um a ajudar e acrescentar algo de novo ao clube. Vou também dar continuidade ao trabalho no Footkart, um clube de referência ao nível de formação, formamos jovens e ajudamo-los no seu crescimento, como homens e atletas.

É também embaixador da modalidade Teqball no distrito de Santarém. Como é que surgiu este desafio?
Surgiu através do convite do meu amigo Rui Leitão que é director na Federação Teqball Portugal. Um desafio que aceitei com orgulho por ser um projecto inovador e um excelente complemento ao futebol. É uma modalidade divertida e competitiva, que está em fase de expansão no distrito e no País. Será um sucesso a curto prazo.

E depois de todo este historial que objectivos tem ainda para o futuro?
O meu objectivo é ficar ligado ao futebol como treinador de guarda-redes. Sinto que tenho muito a ensinar, sempre foi o meu foco. Tenho nível de treinador, cursos e formações nesta área. Tenho também algo que considero uma mais-valia: a experiência profissional de 30 anos. Actualizo-me constantemente sobre os métodos. Nesta quarentena pensei, organizei e planeei treinos e ideias a pensar no futuro. Pretendo também criar a “Escola de Guarda-Redes Nuno Carrapato”, em Almeirim, onde pretendo que os atletas possam aprender e crescer de uma forma segura e equilibrada. Basicamente, ajudar os atletas a atingir o seu sonho.

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