O movimento SOS Alcanena desconvocou a manifestação que estava marcada para esta sexta-feira à noite e que serviria para a população mostrar a sua indignação pela persistência de episódios de poluição atmosférica no concelho e o desagrado por, apesar de “todos os discursos, tudo continuar na mesma”.

Na sua página de Facebook, o movimento refere que não obteve autorização para realização da referida manifestação, e tomou a decisão de a cancelar.

“Cumpre-nos dizer, com toda a humildade, que a culpa desta situação é exclusivamente nossa. Não há qualquer interferência de outras entidades, fomos nós os responsáveis porque deixámos passar os prazos legais para convocar a manifestação”, pode ler-se na nota do SOS Alcanena.

“Não podemos, enquanto movimento, realizar uma manifestação sem cumprir os requisitos obrigatórios sob pena de, em caso de algo correr mal, sermos nós os responsabilizados criminalmente”, referem ainda.

BE questiona Governo sobre “odores nauseabundos”

A deputada do BE eleita por Santarém, Fabíola Cardoso, questionou ontem o Governo sobre novos episódios de poluição em Alcanena, com “odores nauseabundos, intensos e prejudiciais para a saúde da população”.

Numa pergunta dirigida ao ministro do Ambiente e da Acção Climática, a deputada refere o protocolo assinado em 2009, que visava uma ampla intervenção no sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena, e a criação, em 2019, de uma empresa para gerir este sistema, questionando o que leva a que persistam os problemas ambientais neste concelho do distrito de Santarém.

Em concreto, Fabíola Cardoso pergunta se as entidades fiscalizadoras foram notificadas de descargas ilegais no sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena no mês de Julho, se foram realizadas ou estão previstas acções inspectivas para determinar a origem da poluição e quais são as consequências e as conclusões das acções inspectivas.

Por outro lado, pergunta se há entidades a utilizar o sistema de tratamento de águas residuais sem a devida licença, se algumas não cumprem o pré-tratamento de efluentes e, se sim, quais e que medidas prevê o Governo adoptar para evitar que se repitam episódios de poluição ambiental no município.

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