Fiz a depilação e fui à praia. Só me depilei entre pernas porque nos sovacos tenho cócegas. Também ninguém anda a ver os sovacos dos outros, né?

Havia muita gente na praia mas consegui descobrir o mar.

O mar tinha muita água porque estava maré cheia. Ainda bem!

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Se estivesse maré vazia não teria água, e os peixes morriam todos.

A praia tinha muitas toalhas e toldos, muitas barrigas e chapéus de sol.

Algumas barrigas estavam tapadas, e outras estavam à mostra até aos pés.

É o que faz não ter dinheiro para comprar roupa.

Também não vi ninguém com sapatos. Sinal que o calçado está caro…

Procurei uma sombra debaixo de uma arriba com sinal de derrocada.

Esperei para ver. Nunca tinha visto uma derrocada.

Mas não aconteceu nada!

Contudo, estive à sombra de uma grande rocha até ao meio-dia.

Depois, alguém tirou a rocha e fiquei ao sol toda a tarde. Pessoas que só pensam nelas… Falta de civismo, é o que é!

A praia não tinha árvores. Nem uma!

Não percebo. Numa altura em que tanto se fala de reflorestação do país, podiam muito bem plantar mais eucaliptos…

Sei que há medidas de protecção destas árvores, e o sal do mar faz-lhes mal porque são hipertensas. Mas poderiam plantar qualquer outra espécie mais resistente e adequada. Com tantos quilómetros de costa atlântica, é muito má gestão territorial haver milhares de hectares sem qualquer cultivo. São terrenos por explorar onde só crescem turistas no Verão.

Por outro lado, uma praia com árvores permitiria que as pessoas as decorassem artisticamente, nelas pendurando as embalagens de plástico e as beatas (de cigarro, claro!).

O Ministério da Agricultura já fez uma experiência piloto em várias praias, com plantações de tomates. Não resultou porque as pessoas regressavam a casa com os tomates, ou comiam-nos em plena praia.

Confundiam os tomates com bolas de berlim!

In: ‘Correio do Ribatejo’ de 12 de Julho de 2019

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