Trabalhadores dos entrepostos do Lidl de Torres Novas em greve por aumentos

Os trabalhadores dos entrepostos do Lidl em Torres Novas estiveram ontem de manhã, 28 de Agosto, em greve, em protesto contra “a recusa da empresa em atribuir aumentos salariais este ano” e em discutir o caderno reivindicativo.

Em declarações à Lusa, o coordenador da direcção regional de Santarém e Leiria do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, Ivo Santos, adiantou que a paralisação nos armazéns da cadeia de supermercados em Torres Novas teve uma adesão “um bocadinho acima dos 30%”.

A greve, que em Torres Novas decorreu entre as 06h00 e as 10h00, foi realizada, segundo o sindicalista, na sequência de “uma luta que começou em 31 de Janeiro”, data da primeira paralisação.

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“Depois por causa da [pandemia de] covid-19, as coisas estiveram um pouco em ‘stand-by’, mas retomámos agora a luta porque os problemas de Janeiro se mantêm”, referiu Ivo Santos.

Segundo o sindicalista, entre as reivindicações dos trabalhadores estão o aumento dos salários e o fim do trabalho precário.

“A empresa contrata jovens por seis meses e, depois do período experimental, despede-os e vai buscar outros para o mesmo local e função”, relatou Ivo Santos, prometendo “novas acções de luta caso a posição da empresa não se altere”.

Outras reivindicações dos trabalhadores são o fim das reduções temporárias de salário e horário e o pagamento do subsídio de frio a todos que trabalhem em câmaras de congelado e refrigerado.

Numa nota enviada à Lusa, o Lidl “assegura que cumpre integralmente com as suas obrigações legais e convencionais” e que “oferece condições de trabalho de excelência no sector, não se revendo nas acusações do CESP”.

A empresa garante ainda estar “permanentemente atenta às necessidades dos seus colaboradores” e, além da progressão salarial e desenvolvimento de carreiras, “privilegia o bem-estar dos colaboradores, procurando soluções que incentivem a um clima positivo de trabalho”.

Na nota, o Lidl refere ainda que , por princípio, desde 2016 contrata “sem termo” e que as excepções são “situações de picos de procura e férias” e lembra que, em 2019, aumentou para 670 euros o ordenado no primeiro ano de contrato, superior ao ordenado mínimo nacional (635 euros)

Já este ano, indica a empresa, o subsídio de refeição foi aumentado para 7,63 euros, “não existe discriminação entre salários de homens e mulheres, colaboradores de lojas e entrepostos, norte e sul do país, para a mesma categoria profissional” e é garantido o pagamento de “todo e qualquer trabalho suplementar ao minuto”, entre outros benefícios.

“Com entrada em vigor este ano fiscal, adicionámos o pagamento de um suplemento para quem desempenha funções de forma continuada em temperaturas negativas nos entrepostos, em função do tempo de permanência produtivo na câmara. Este é de 20% do ordenado base pago”, é acrescentado.

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