Entrevista a Três Bairros, banda

Que impactos está a ter a pandemia no vosso trabalho? 

Temos tido poucos concertos e o novo disco está à espera, para sair, desde Março de 2020. Fizemos o concerto na Feira da Gastronomia de Santarém, um mini-concerto via internet e pouco mais. No entanto, já temos marcações para concertos para o último trimestre de 2021.

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Quais são as maiores dificuldades? 

Manter ativa uma profissão como a da música é, no momento atual, muito complicado. Por muita boa vontade que exista, não é através de Lives no Instagram e Facebook que se consegue manter a chama acesa durante este tempo todo. Participar em festivais/atuações sem contrapartida financeira não paga as contas. Os músicos e toda a equipa que trabalha no mundo da música têm toda a boa vontade em ajudar no quer que seja, no entanto, quando nos toca a nós as dificuldades “a coisa já é de maneira diferente”.

Que projectos foram adiados? 

Lançamento do novo disco, concertos, e uma ou outra ideia mais mirabolante que tínhamos. No entanto, tudo isso se resolverá. Qualquer dia estamos de volta aos palcos!

De que forma tem tentado manter o contacto com o público? 

Através do Facebook e Instagram. Temos lançado alguns vídeos do programa “Ò Balcão com…”, gravados em conjunto com o Chef Rodrigo Castelo, na companhia de diversos chef’s e artistas portugueses. Lançamos também esta semana um vídeo do nosso concerto no “Live A Casinha”, nos estúdios dos Xutos e Pontapés. Espreitem!

Sente falta do palco? 

Sim. Principalmente do contacto com o público. O nosso espetáculo vive muito dessa componente.

Como antevê o pós-pandemia? 

Mais cedo ou mais tarde a atividade voltará ao normal. Os concertos vão começar a ter cada vez mais assistência, a actividade profissional vai, certamente, aumentar. “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”.

Os concertos on-line e a distribuição multiplataforma vieram para ficar? 

Estas formas de “apresentar serviço” já cá estavam há algum tempo. No entanto, nunca vão substituir um concerto ao vivo, uma peça de teatro, ou mesmo uma ida ao cinema. Todos estes momentos fazem parte de um ritual. Ir a um concerto não significa apenas ouvir música tocada ao vivo. É toda o ambiente, convívio, experiências e momentos partilhados.

E quanto aos apoios? Existem ou são uma miragem? 

Não sabemos. Não concorremos a nenhum tipo de apoio. O único apoio que nos interessa é o das pessoas que ouvem as nossas músicas e assistem aos nossos concertos.

Seria importante a criação, por exemplo, do estatuto de artista que reconhecesse esta categoria profissional e exigisse a devida proteção social?

Sim. A existência de uma diferenciação, com o objetivo de separar os músicos/artistas que estudaram e que trabalharam toda uma vida, para alcançar o que são atualmente, poderia ser uma mais valia. No entanto, os lóbis são mais que muitos e isso poderia não ser do interesse de muita gente neste país.

Para além de apoio pecuniário, que outras medidas seriam necessárias para relançar a produção artística? 

Tratar a cultura com respeito seria um excelente ponto de partida. É importante reconhecer que a cultura é um bem da humanidade e tem um papel fulcral no desenvolvimento humano. Um país sem cultura perde a identidade como país.

O que lhe parece a decisão do Governo em aumentar a quota de música portuguesa nas rádios?

De 25% para 30% é um pequeno passo. Quando for 60% ou 70%, aí sim, a conversa já é outra. Migalhas são pão, mas não faz a refeição.

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