O município de Santarém vai dar prioridade à reabilitação do troço da muralha situado na Rua Pedro Canavarro, após o anúncio de um financiamento de 2,5 milhões de euros do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).

O vereador com o pelouro da Cultura, Nuno Domingos, disse hoje à agência Lusa que o valor atribuído à reabilitação das muralhas da cidade, no âmbito do reforço, em 40 milhões de euros, da verba para a reabilitação do património cultural, englobado na reprogramação do PRR, se insere no esforço de recuperação de seis troços da muralha, classificada como imóvel de interesse público.

Segundo o vereador socialista, que detém a tutela da Cultura no âmbito do acordo de governação pós eleitoral com a maioria social-democrata, a verba, anunciada a semana passada pelo Governo, surge depois de várias reuniões com as direções gerais do Património Cultural (DGPC) e do Tesouro e Finanças (DGTF).

O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), disse à Lusa que se congratula com o anúncio do financiamento, salientando que as tutelas se tinham comprometido em conseguir verbas para a reabilitação deste património da cidade.

Nuno Domingos adiantou que os serviços elaboraram já um ‘dossier’ que identifica as patologias de cada troço da muralha, indo agora avançar o projeto de intervenção para a Rua Pedro Canavarro, identificado como o que necessita de intervenção mais urgente, por questões de segurança, uma vez que têm caído pedras para a via pública, numa zona muito movimentada do centro histórico.

Salientando que cada troço exige uma solução diferenciada, Nuno Domingos afirmou que o primeiro troço a intervencionar ajudará “a medir como fazer” nos outros, admitindo que a verba anunciada possa não ser suficiente para resolver todas as situações identificadas.

Os outros troços em avaliação são os que se situam na zona conhecida como Ferro de Engomar (rua Arco de São Mansos), na antiga escola primária de S. Salvador (atual Incubadora d’Artes), no Largo do Carmo (junto à GNR), na Travessa das Figueiras e antes do Jardim das Portas do Sol, do lado da colina de Alfange.

Nuno Domingos adiantou que, nas reuniões que o presidente Ricardo Gonçalves tem mantido com a DGPC e com a DGTF, além do ‘dossier’ das muralhas, tem estado a necessidade de conseguir verbas para a substituição do telhado do Mosteiro de Almoster, monumento nacional datado de 1300.

Numa vistoria técnica foi verificado que o estado do telhado pode pôr em risco todo o investimento realizado no restauro realizado entre 2001 e 2006 pelo Instituto Português do Património Arquitetónico, que abrangeu o conjunto de retábulos, azulejos, vitrais, esculturas, pintura mural, sinos de bronze, entre outros, bem como património móvel (litúrgico e paramentaria), afirmou.

Além da substituição do telhado, o município gostaria ainda de conseguir avançar com o projeto para o jardim interior, no claustro do antigo convento, adiantou.

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