A área da saúde sempre foi, para a imprensa nacional, motivo de grande debate, preferencialmente de ordem política, quer acerca das eventuais carências ou ineficiências na gestão do nosso Serviço Nacional de Saúde quer das lutas laborais de alguns grupos profissionais.

O papel da comunicação escrita, acompanhando as modernas tecnologias, evoluiu bastante neste século. O clássico jornal que pela manhã se comprava nas bancas de jornais, nos quiosques e papelarias, deu lugar às versões online que permitem uma leitura diferente, mais atualizada e de acesso imediato onde quer que estejamos. As notícias do dia anterior ou da semana passada deram lugar à notícia das últimas horas, minutos ou mesmo segundos.

A notícia rapidamente se consome na sua breve existência atualizando-se a cada instante. O que era verdade ainda há pouco, poderá já o não ser daqui a nada. Tudo isto nos remete para a necessidade de refletirmos acerca do papel da informação que consumimos.

A pandemia causada pelo novo Coronavírus veio trazer para a ribalta, entre outros atores, as redes sociais, a comunicação social e os seus jornalistas e, como não poderia deixar de ser, o Serviço Nacional de Saúde.

Neste momento de isolamento social, as redes sociais assumem um papel cada vez mais presente na vida de todos nós. A cada momento o nosso telemóvel é invadido pelas últimas “novidades” da pandemia. Algumas com real interesse e informação útil. Outras, mais não passam de informações pouco verdadeiras ou banalidades. Uma panóplia de eventos a exigir redobrada atenção e cuidados porque a mentira é ligeira e os prejuízos incalculáveis.

O papel da comunicação social e dos seus jornalistas é, na situação de crise em que vivemos, de um valor inestimável e um contributo importante para olharmos o futuro com esperança. Temos assistido, ao longo dos recentes dias, a grandes exemplos de profissionalismo e de empenho na procura de informação idónea. Divulgando os dados que lhe são disponibilizados pelas fontes oficiais; questionando a pertinência das ações que vêm sendo tomadas; transmitindo as preocupações dos profissionais que lutam no terreno para salvar vidas e informando e esclarecendo a opinião pública. Esta é a comunicação social que o momento exige!

O Serviço Nacional de Saúde tem respondido com determinação aos enormes desafios que lhe têm sido colocados para travar um combate sem tréguas à COVID-19. De forma exemplar, o SNS vem demonstrando poder organizativo, rigor quanto à metodologia a seguir, transparência na comunicação e na informação, disponibilização de meios financeiros que possibilitam a aquisição do material de proteção e equipamentos necessários ao funcionamento das unidades de saúde e uma incansável dedicação de todos os seus profissionais.

Vivemos tempos difíceis, com provações diárias e um obstáculo comum. Os dias e semanas que se avizinham serão certamente exigentes e duros para todos nós. Contudo, e seguindo o notável exemplo de união e entreajuda que a comunidade, os profissionais de saúde e os meios de comunicação têm dado, o futuro reserva dias mais risonhos para a população ribatejana que tem demonstrando a sua resiliência, tão necessária para ultrapassar este desafio.

As últimas palavras são, como não poderia deixar de ser nesta ocasião, de felicitações para o Correio do Ribatejo, jornal centenário que agora completa mais um ano na sua longa caminhada e que “nunca deixou de ser norteada pela preocupação de zelar pelos direitos e defender os interesses do Ribatejo (…) não abusando nunca da boa-fé dos leitores, não encobrindo ou deturpando a informação” (Estatuto editorial). O Hospital de Santarém, ao longo destes últimos anos tem, em diversas ocasiões, merecido o devido relevo na informação publicada por este semanário, o que não poderemos deixar de sublinhar.

Ana Infante
Presidente do CA do HDS

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