A União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede investiu 8 mil euros em ‘kits’ de primeira intervenção e geradores para reforçar a resposta a incêndios, apagões e fenómenos extremos, numa estratégia que pretende alargar nos próximos anos.

Segundo o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede (PS), o investimento nasceu na sequência da tempestade Kristin, das cheias e do apagão elétrico registados este ano, situações que expuseram fragilidades na capacidade de resposta das comunidades.

“Obrigou-nos a repensar a forma de agir perante todas estas adversidades”, afirmou hoje à Lusa João Marques, explicando que a junta começou por criar um banco de telhas, lonas e outros materiais destinados a apoiar moradores afetados pelo mau tempo e decidiu agora reforçar os meios de primeira intervenção.

O investimento permitiu adquirir quatro geradores e dois ‘kits’ de primeira intervenção de combate a incêndios rurais, elevando para cinco o número de equipamentos deste tipo disponíveis na freguesia, que, segundo João Marques, passa a ser a que dispõe de mais ‘kits’ no país.

Os novos equipamentos foram distribuídos por associações situadas em zonas de maior risco florestal e serão operados por voluntários, após formação assegurada pelos Bombeiros Voluntários de Abrantes e pelo Serviço Municipal de Proteção Civil.

Os dois novos ‘kits’ deverão integrar ainda este ano o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), juntando-se aos três que já se encontram ao serviço.

Com capacidade para 450 litros, os ‘kits’ estão equipados com motobomba, permitindo captar água diretamente de rios, ribeiras ou tanques e assegurar uma primeira intervenção até à chegada dos bombeiros.

“Os incêndios começam todos pequeninos. Se forem combatidos logo na ignição, muitas vezes conseguem resolver-se antes de ganharem dimensão”, afirmou João Marques, sublinhando, contudo, que os equipamentos se destinam apenas a uma primeira intervenção e que os voluntários atuam exclusivamente em condições de segurança.

Além do reforço do combate inicial a incêndios, os geradores destinam-se a apoiar a população em caso de falhas prolongadas de energia, permitindo, por exemplo, carregar equipamentos de comunicação ou assegurar o funcionamento de equipamentos essenciais.

João Marques disse que este é apenas o primeiro passo para a criação da futura Unidade Local de Proteção Civil da freguesia, estrutura que pretende dotar progressivamente de novos equipamentos e meios.

“Temos de estar munidos de materiais, meios e máquinas. Vamos continuar a investir ano após ano”, afirmou o autarca, considerando que as alterações climáticas obrigam as autarquias locais a adaptar a resposta às novas situações de emergência.

Com cerca de 65 quilómetros quadrados, mais de 80% de área florestal e mais de 16 mil habitantes, a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede combina território urbano e rural, realidade que, segundo João Marques, exige uma resposta de proximidade.

O autarca disse acreditar que outras juntas de freguesia poderão seguir o exemplo, revelando que vários presidentes de junta já manifestaram interesse no modelo adotado.

“Creio que mais juntas irão seguir este passo. Abrimos aqui a porta para que todos comecem a pensar numa forma de minimizar os impactos sobre as suas populações”, afirmou.

Os ‘kits’ de primeira intervenção foram fabricados por uma empresa sediada na Barrada, no concelho de Abrantes, que, segundo João Marques, tem vindo a receber encomendas de municípios, empresas e particulares.

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