O livro de Vicente Batalha, “Metamorfoses da Vida”, foi apresentado esta tarde na igreja da Misericórdia de Pernes, no âmbito das comemorações do 439.º aniversário da instituição.

A obra é a oitava da colectânea “Vida”, editada pela Santa Casa local, que já reúne livros de outros sete utentes: Flávia Assunção, Maestro José Carlos Santos Rosa, António Maria Gomes Santos, Lúcio Caldeira, Maria Silvério Galvão Ribeiro, Alzira Rosa Nobre e Susete Avelar.

“Faltam-me as minhas próprias palavras” para agradecer o que sinto, começou por dizer Vicente Batalha profundamente comovido pela presença de tantos amigos no lançamento do seu livro.

“A preocupação de dizer a verdade é muito importante, mas há histórias [no livro] que parecem mentira,” adverte.

Considera-o “um livro de memórias, onde as pessoas são a sua maior riqueza”, admite o autor, para quem a obra se trata de “RX de um tempo que vivi e de séculos que trago atrás de mim”.

“Sou o filtro da câmara fotográfica da minha memória”, escreveu Vicente Batalha em “Metamorfoses da Vida”.

Admitiu que não estava nos seus horizontes escrever este livro e agradeceu os “balões de oxigénio” da amiga Zulmira Bento, responsável pela revisão do texto, em horas em que o autor não sentia condições para continuar.

Agradeceu ainda aos três ex-presidentes de Câmara presentes na apresentação da obra: Fernanda Asseiceira (Alcanena), José Miguel Noras e Francisco Moita Flores (Santarém), bem como a João Vasco, co-fundador do Teatro Experimental de Cascais, Óscar Vieira, aos utentes, técnicos e provedoria da Misericórdia de Pernes, os contributos dados a este livro.

A concluir Vicente Batalha deixou o desafio a todos os presentes: “o livro é vosso, critiquem-no, mas tenham alguma benevolência”.

Manuel Maia Frazão, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pernes considerou Vicente Batalha “o nosso [de Pernes] maior embaixador”, um homem “muito à frente do seu tempo”.

A assinalar 439 anos de existência da Santa Casa de Pernes, o provedor, na sua intervenção, percorreu as diferentes valências da instituição ao dispor da comunidade.

Admitiu que, nesta obra, Vicente Batalha cruza a sua vida com todas as associações culturais de Pernes, tendo trazido para a vila, o conhecimento que foi assimilando ao longo da sua vida, no país e no estrangeiro.

Maia Frazão anunciou que o livro agora editado será distribuído pelas associações de Pernes e escolas da freguesia, de Santarém e Alcanena.

“Este livro é um testemunho das metamorfoses da vida. Com ele, ganha Pernes, pela preservação das suas memórias e da sua identidade, e ganha igualmente a Santa Casa da Misericórdia de Pernes, que enriquece a sua colecção “Vida” com mais uma obra de um utente da instituição”, conclui o provedor.

O livro “Metamorfoses da Vida” foi apresentado por Zulmira Bento, amiga e responsável pela revisão do texto. Coube-lhe a apresentação da obra que dividiu em três pontos: primeiro, focando-se no “Homem do Associativismo e da Cultura”, fortemente influenciado pelos valores culturais de seus pais, desde tenra idade.

O segundo, a vida militar e a guerra, “arrepiante a descrição no período da instrução, tortura física e psicológica a que foi sujeito”, lembrou.

O terceiro aspecto, o Teatro e a “embriaguez cultural” no convívio com o mundo intelectual da capital.

Zulmira Bento considerou que o convite de Carlos Avilez mudou a trajectória de vida de Vicente, ao oferecer-lhe um papel numa peça, no Teatro Experimental de Cascais.

“Vicente Batalha deixou-se seduzir totalmente pelo abraço do Teatro, a Bússola de toda a sua vida,” salientou.

De regresso a Pernes, desafiado pela Misericórdia local, Batalha iniciou, em 1983, um projecto de animação cultural para Pernes. Alcanena e Santarém foram outras cidades que receberam o seu contributo intelectual, nomeadamente, nesta cidade com a presidência do Instituto Bernardo Santareno no mandato de Francisco Moita Flores que marcou presença na apresentação do livro.

No lançamento do livro usou ainda da palavra Maria Alice Rodrigues, directora técnica da Santa Casa da Misericórdia de Pernes. De forma emotiva lembrou que “cada um dos que aqui está faz parte das metamorfoses da vida de Vicente Batalha” e elogiou a grandeza de todos os utentes que vão deixando gravadas as suas memórias em livro.

Vicente Batalha nasceu em Pernes, a 18 de Outubro de 1941, em plena II Guerra Mundial. Viveu a sua adolescência entre a música, o teatro e o cinema, que faziam parte das opções da família. Com um intenso convívio social, e em contacto com a luta da Oposição ao regime de Salazar, partiu à descoberta de novos horizontes no mundo das letras e das artes. Estudante, militar nos teatros de operações da Guiné e de Angola, autarca, foi actor, encenador, animador e programador cultural.

“Afastado das ‘luzes da ribalta’, por questões de saúde e por opção, tenho, ainda, alguns projectos que gostaria de realizar. Isto porque “o coração sonha sempre”, referiu o autor da obra onde se pode ler: “Como costumava dizer ao concluir o ensaio geral final de cada peça que encenei, com o sentir da crença popular na amassadura do pão: “Deus lhe ponha a virtude, que eu já fiz o que pude!”. JPN

 

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