A região de Santarém e o Ribatejo possuem uma rica tradição no ciclismo nacional, apoiada por clubes eclécticos de formação, emblemas históricos e figuras marcantes do desporto de duas rodas. Esquecer a região é desonrar clubes como, entre outros, “Os Águias” de Alpiarça, fundador histórico da Associação de Ciclismo de Santarém, em 1977, ou o Clube de Ciclismo José Maria Nicolau (Cartaxo), bem como ‘velhas glórias’ como Marco Chagas, José Maria Nicolau, Francisco Valada, Gonçalo Amorim, ou as jovens que já são certezas, Maria Martins ‘Tata’ e Marta Carvalho.
Temos uma imensa tradição velocipédica em concelhos como Alpiarça e Cartaxo, por exemplo, e a ausência da Volta por estas terras empobrece a mística da prova e ignora o entusiasmo popular de um território profundamente ligado a este desporto.
Ignorar as planícies e lezírias ribatejanas priva o pelotão de um cenário cultural único e afasta as gentes locais de uma grande festa desportiva nacional, reduzindo o alcance popular do evento.
Perde-se a oportunidade de unir o Norte, o Sul e o interior através do desporto. As populações locais adoram o ciclismo e merecem ver os ídolos de perto.
A falta da prova diminui o incentivo à prática desportiva dos jovens da região. O comércio e a hotelaria local perdem a dinâmica económica que a partida ou a chegada de uma etapa sempre traz. A passagem da prova movimenta a restauração e o comércio local, dinâmicas que as nossas vilas e cidades necessitam no pico do Verão.
A região respira ciclismo na sua história, mas a incerteza em constar nos mapas da “Grandíssima” afasta frequentemente a caravana das nossas lezírias e margens do Tejo. Reduzir a visibilidade do Ribatejo no roteiro nacional apaga a ligação umbilical entre o esforço do pelotão e a dureza ou a beleza plana das nossas paisagens.
As gentes ribatejanas, conhecidas pela hospitalidade e paixão pela modalidade, ficam privadas deste espectáculo único. Uma Volta que se preze e se diz “a Portugal” deve abraçar a totalidade do país, equilibrando o foco tradicional da alta montanha com a riqueza cultural e viária do Centro e do Ribatejo.
É preciso mais compromisso logístico entre os municípios locais e a organização para garantir que o Ribatejo não seja um ponto esporádico, ano sim, ano não, mas sim um eixo fixo do percurso.
E não sejamos ingénuos nem saudosistas. Sabemos que são os euros que mandam e definem trajectos e rotas nesta Volta a meio Portugal em bicicleta…
Contudo, o Ribatejo merecia estar no mapa do ciclismo com a mesma regularidade com que ‘oferece’ campeões à modalidade.
